<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908</id><updated>2011-07-07T21:28:58.299-07:00</updated><category term='Notícia'/><category term='O que é patriotismo.'/><category term='Marx in Soho'/><category term='Vídeo'/><category term='Nota de Falecimento'/><category term='Artigo sobre Howard Zinn'/><category term='Teatro'/><category term='Entrevista'/><category term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Howard Zinn em Português</title><subtitle type='html'>“Educação pode, e deve, ser algo perigoso.” Howard Zinn</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-6937647701361026409</id><published>2011-01-27T02:15:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T02:16:23.087-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>A História tem de ser criativa</title><content type='html'>&lt;img alt="" height="1" src="http://www.odiario.info/wp-content/themes/default/images/raya_pret.gif" width="100%" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="entrytext"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O  futuro dos EUA está ligado à compreensão do nosso passado. Por isso,  escrever sobre a história, do meu ponto de vista, nunca é um acto  neutral. Ao escrever, espero despertar a consciência da injustiça  racial, do preconceito sexual, da desigualdade de classes e do orgulho  [hibris] nacional. Também quero trazer para a luz do dia a resistência –  de que nunca se fala – das pessoas contra o poder do sistema  governante, a recusa dos indígenas a simplesmente desaparecerem, a  rebelião dos negros no movimento contra a escravatura e o movimento mais  recente contra a segregação racial, as greves feitas pela gente  trabalhadora através de toda a história dos Estados Unidos da América,  com a intenção de melhorar a sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Omitir esses actos de resistência é apoiar a visão oficial de que o  poder se baseia unicamente nos que têm armas e possuem riqueza. Escrevo  para ilustrar o poder criativo das pessoas que lutam por mundo melhor.  As pessoas, quando estão organizadas, têm um poder imenso, mais que  qualquer governo. A nossa história está impregnada de histórias de gente  que resiste, se pronuncia, se entrincheira, organiza, contacta, cria  redes de resistência e muda o curso da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não quero inventar vitórias dos movimentos populares. Mas pensar que  a escrita da história deve simplesmente apontar a recapitulação dos  fracassos que dominam o passado é converter os historiadores em  colaboradores de um ciclo interminável de derrotas. Se a história há-de  ser criativa e antecipar um futuro possível sem negar o passado, creio  que tem que por o acento em novas possibilidades de revelar esses  episódios ocultos do passado quando, ainda que seja em breves lampejos,  as pessoas mostraram a sua capacidade de resistir, de se unirem e,  ocasionalmente, vencerem. Suponho, ou talvez só espero, que o nosso  futuro pode encontrar-se nos fugidios momentos de compaixão do passado,  em vez dos seus sólidos séculos de guerra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A história pode ajudar as nossas lutas, se não concludentemente,  pelo menos sugestivamente. A história pode fazer-nos abandonar a ideia  de que os interesses governamentais e os interesses do povo são os  mesmos. A história pode contar-nos a frequência com que os governos nos  mentiram, como ordenaram que sectores inteiros da população fossem  massacrados, como negam a existência dos pobres, como nos orientaram ao  nosso momento actual – a “Guerra Prolongada”, a guerra sem fim.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É verdade, o nosso governo tem o poder de gastar a riqueza do país  como quiser. Pode enviar tropas a qualquer parte do mundo. Pode ameaçar  com a detenção indefinida e a deportação de vinte milhões de imigrantes  nos Estados Unidos que ainda não têm os seus cartões verdes, nem  direitos constitucionais. Em nome do nosso “interesse nacional”, o  governo pode deslocar tropas para a fronteira EUA-México, fazer cercas  de rede para muçulmanos de certos países, escutar em segredo as nossas  conversas, abrir a nossa correspondência, examinar as nossas transacções  bancárias e intimidar-nos para que fiquemos calados. O governo pode  controlar a informação com a colaboração dos tímidos meios de  comunicação. Só assim se explica a popularidade – decrescente em 2006  (33% dos inquiridos), mas ainda alta – de George W Bush. Apesar de tudo,  este controlo não é absoluto. O facto de 95% dos meios de comunicação  serem a favor da continuação da ocupação do Iraque (fazendo apenas  críticas superficiais à forma como esta se processa), enquanto mais de  50% do povo estar a favor da retirada, sugere uma resistência do senso  comum às mentiras oficiais. Há que considerar também a natureza volátil  da opinião pública, que pode mudar com uma brusquidão incrível. Há que  ver como a grande maioria do apoio público para George Bush pai se  desvaneceu, logo que se desvaneceu o brilho da vitória da primeira  Guerra do Golfo e se impôs a realidade dos problemas económicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Há que pensar em como, no começo da Guerra do Vietname em 1965, dois  terços dos norte-americanos apoiaram a guerra. Alguns anos depois, dois  terços dos norte-americanos opuseram-se à guerra. Que aconteceu nesses  três ou quatro anos? Uma osmose gradual de verdade filtrou-se pelas  grilhetas do sistema de propaganda – a compreensão de que lhes tinham  mentido  e os tinham enganado. É o que está a suceder nos EUA enquanto  escrevo estas linhas, no Verão de 2006. É fácil sentir-se deslumbrado ou  intimidado ao compreender que os que fabricam as guerras têm um enorme  poder. Mas uma determinada perspectiva histórica pode servir, porque nos  diz que em certos momentos da história os governos descobrem que todo o  seu poder é fútil face ao poder de uma cidadania levada à acção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Existe uma debilidade básica nos governos, por massivos que sejam os  exércitos, por imensa que seja a sua riqueza, por muito que controlem a  informação, porque o seu poder depende da obediência dos cidadãos, dos  soldados dos funcionários públicos, dos jornalistas, dos escritores, dos  professores e dos artistas. Quando os cidadãos começam a suspeitar que  os enganaram e retiram o seu apoio, o governo perde a sua legitimidade e  o seu poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vimos que isto sucedeu em decénios recentes por todo o planeta.  Quando despertam uma manhã e vêem um milhão de pessoas encolerizadas nas  ruas da capital, os dirigentes de um país começam a fazer as malas e a  chamar um helicóptero. Não é fantasia, é história recente. É a história  das Filipinas, da Indonésia, da Grécia, de Portugal e Espanha, da  Rússia, Alemanha Oriental, Polónia, Hungria, Roménia. Pensemos na  Argentina e na África do Sul e em outros sítios onde não parecia haver  esperança de mudança e depois houve. Lembremos Somoza na Nicarágua  escapulindo-se no seu avião privado, Ferdinando e Imelda Marcos  recolhendo apressados as suas jóias e roupas, o Xá do Irão procurando  desesperado um país que o aceitasse quando fugiu das multidões em  Teerão, Duvalier no Haiti, que penas conseguiu vestir as calças, antes  de escapar à fúria do povo haitiano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não podemos esperar que George Bush escape de helicóptero. Mas  podemos responsabilizá-lo por catapultar a nação para duas guerras, pela  morte e mutilação de dezenas de milhar de seres humanos neste país, no  Afeganistão e Iraque, e pelas suas violações da Constituição dos EUA e  do direito internacional. Seguramente estes actos enquadram-se no  princípio constitucional de “crimes e delitos graves” para a impugnação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Naturalmente, pessoas em todo o país começaram a pedir a sua  impugnação. Apesar disso, não podemos esperar que um Congresso cobarde o  impugne. O Congresso que se dispôs a impugnar o Nixon por forçar a  entrada num edifício, não impugnará Bush por forçar a entrada num país.  Esteve disposto a impugnar Clinton pelas suas travessuras sexuais, mas  não impugnará Bush por entregar a riqueza de um país aos super ricos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Teve o tempo todo o verme que come as entranhas do governo Bush: o  conhecimento do povo norte-americano – enterrado, mas numa tumba pouco  funda, fácil de desenterrar – de que o governo chegou ao poder não pela  vontade popular mas graças a um golpe político. Por isso, podemos estar a  assistir à desintegração gradual da legitimidade deste governo, apesar  da sua enorme confiança. Existe uma prolongada história de poderes  imperiais que saboreiam as suas vitórias, espreguiçam-se, confiam  demasiado, e não se apercebem que o poder não é simplesmente um assunto  de armas e dinheiro. O poder militar tem os seus limites – limites  criados por seres humanos pelo seu sentido de justiça e a sua capacidade  de resistir. Os EUA, com as suas 10.000 armas nucleares não conseguiram  vencer na Coreia ou no Vietname, não puderam impedir a revolução em  Cuba ou na Nicarágua. Tal como a União Soviética com as suas armas  nucleares e o imenso exército foi obrigado a retirar-se do Afeganistão. E  não pôde impedir o movimento do Solidariedade na Polónia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um País com poder militar pode destruir, mas não pode construir. Os  seus cidadãos inquietam-se porque as suas necessidades básicas são  sacrificadas à glória militar, enquanto os seus jovens são ignorados e  enviados para a guerra. O desassossego cresce, cresce e a cidadania  funde-se cada vez mais com a resistência, chegam a chegar demasiados  para poderem ser enquadrados. Chegará o dia em que se derrubará o  inchado império. Em contrapartida, a consciência pública começa a  mostrar um descontentamento, vago para começar, sem que haja conexão  entre o descontentamento e as políticas do governo. E as pontas começam a  ligar-se, a indignação a crescer, e as pessoas começam a pronunciar-se,  a organizar-se, a actuar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Actualmente, em todo o país cresce a consciência da falta de  professores, enfermeiras, cuidados médicos, habitação acessível, a  medida que se verificam os cortes orçamentais em todos os Estados da  União. Um professor escreveu recentemente uma carta no Bóston Globe:  “Pode suceder que 600 professores de Bóston sejam despedidos, como  consequência do deficit orçamental”, O autor, depois, compara com os  milhares de milhões gastos em bombas para, como diz, “enviar crianças  iraquianas inocentes para os hospitais de Bagdad”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando se  enevoa o pensamento com o enorme poder que os governos,  as empresas transnacionais, os exércitos e a polícia têm para controlar  as mentes, esmagar a discordância e destruir a rebelião, devemos  recordar um fenómeno que sempre considerei interessante: os que possuem  um enorme poder ficam surpreendentemente nervosos quando pensam na sua  capacidade de conservar o poder. Reagem quase histericamente perante o  que parecem ser sinais insignificantes e não ameaçadores da oposição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vemos como o governo norte-americano, blindado nas suas mil máscaras  do poder, trabalha intensamente para meter na cadeia alguns pacifistas  ou manter um escritor ou um artista fora do país. Recordamos a histérica  reacção de Nixon a um homem solitário que se manifestava em frente da  Casa Branca: “Prendam-no”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É possível que os donos da autoridade saibam alguma coisa que eu não  sei? Talvez conheçam a sua extrema debilidade. Talvez compreendam que  pequenos movimentos podem converter-se em grandes movimentos, que uma  ideia que se apodera da população possa chegar a indestrutível. O povo  pode ser induzido a apoiar a guerra, a oprimir outros, mas essa não é a  sua inclinação natural. Há os que falam de “pecado original”. Kurt  Vonnegut questiona-o e fala antes de “virtude original”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Há milhões de pessoas neste país que se opõem a actual guerra.  Quando se vê numa estatística que 40% dos norte-americanos apoia a  guerra, isso significa que 60% dos norte-americanos não a apoiam. Estou  convicto que a quantidade de pessoas que se opõem à guerra continuará a  aumentar e a quantidade de pessoas que a apoia continuará a diminuir. No  caminho, artistas, músicos, escritores e trabalhadores da cultura  emprestam um poder emocional e espiritual ao movimento pela paz e pela  justiça. Amiúde, a rebelião começa como qualquer coisa cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O desafio persiste. Do outro lado há forças imensuráveis: o  dinheiro, o poder político, os principais mídia. Do nosso lado estão os  povos do mundo e um poder maior que o do dinheiro e o das armas: a  verdade. A verdade tem um poder próprio. A arte tem um poder próprio. A  velha lição de que tudo o que fazemos importa é a importância da luta  popular aqui, nos EUA, e em toda a parte. Um poema pode inspirar um  movimento. Um panfleto pode desencadear uma revolução. A desobediência  civil pode incitar muita gente e levá-la a pensar. Quando nos  organizamos em conjunto, quando nos envolvemos, quando nos pomos de pé, e  nos pronunciamos colectivamente podemos criar um poder que governo  algum pode suprimir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vivemos num belo país. Mas aqueles que não respeitam a vida humana, a  liberdade ou a justiça apoderaram-se dele. Agora depende de todos nós  recuperá-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Este texto é o primeiro capítulo do livro recentemente publicado  por Howard Zinn: “A Power Governments Cannot Suppress” publicado por  City Lights Books&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;* Historiador. Entre as suas obras mais divulgadas e originais está “A People’s History of the United States: 1492 to present”&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Este original está em: &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.zmag.org/content/showarticle.cfm?SectionID=72&amp;amp;ItemID=11585"&gt;http://www.zmag.org/content/showarticle.cfm?SectionID=72&amp;amp;ItemID=11585&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tradução de José Paulo Gascão&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;http://www.odiario.info/?p=143 &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-6937647701361026409?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/6937647701361026409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=6937647701361026409&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/6937647701361026409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/6937647701361026409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2011/01/historia-tem-de-ser-criativa.html' title='A História tem de ser criativa'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-4937123734888251388</id><published>2010-02-23T16:52:00.000-08:00</published><updated>2010-02-23T16:52:26.183-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo sobre Howard Zinn'/><title type='text'>Para continuar rebelde e sorrindo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Semana passada, faleceu de ataque cardíaco Howard Zinn. Historiador, cientista político, ativista, uma importante voz contra a Guerra do Vietnã e direitos civis nos Estados Unidos. Zinn, lutou na Segunda Guerra Mundial, foi trabalhador braçal, e chegou a universidade depois dos 27 anos de idade através de um programa do governo americano para veteranos de guerra. Publicou muitos artigos, sempre se colocando contra a opressão e o abuso de poder. Foi parceiro de Noam Choamsky e lançou uma obra fundamental para se entender os Estados Unidos &lt;/span&gt;&lt;em style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;"A People's History of the United States",&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt; que chegou a vendagem de 1milhão de exemplares. Conseguiu como poucos fundir, ativismo, vida acadêmica e posições políticas, sendo acima de tudo um otimista que não se rendeu ao cinismo e ao amargor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433667620061389234" src="http://1.bp.blogspot.com/_NvSD2TIcIwI/S2hD6WFNIbI/AAAAAAAAAKs/EsAH3HXfsqI/s320/HowardZinn%28c%29RobinHolland.jpg" style="display: block; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; height: 214px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;A primeira vez que li algo a seu respeito foi no início dos anos 2000, através do encarte da banda hardcore-política de Seattle, Trial. As letras da banda faziam críticas ferrenhas ao capitalismo, no momento que aconteciam as discussões do G7, e ações do movimento anti-globalização. No encarte do disco, trechos de pensadores, e artistas que influenciavam a banda, pareciam completar o sentido das letras, Zinn estava entre eles. Pouco depois pela internet fui lendo artigos, textos, entrevistas e tendo conhecimento sobre suas posições e idéias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Algo que sempre me chamou atenção (e não á toa, pois também sou historiador) foi sua posição de valorizar o cidadão comum, os revolucionários anônimos, os lutadores do dia a dia. Não só esteve atento como documentou muito disso através dos métodos da história oral. Ele como poucos sabia que a real transformação acontecia, nos processos, que muitas vezes são ignorados pela academia, na teia social do quotidiano. Era no cidadão comum, no &lt;em&gt;ordinary people&lt;/em&gt;, que se poderia ver os verdadeiros protagonistas, e agentes da história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Perda irreparável, mas se o pensador se vai ficam seus ensinamentos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;A L-DOPA, selo de hardcore-punk de Curitiba, transmutou-se em editora e lançou &lt;em&gt;"Você não pode ser neutro num trem em movimento - Uma história pessoal de nossos tempos",&lt;/em&gt; com ótima tradução de meu amigo Nils Skare. O livro é mais que uma auto-biografia, é um retrato crítico de um tempo. Onde Zinn nos fala sobre suas memórias, louvando aqueles que conheceu e admirou. Um livro muito bonito, de leitura fácil e crítica afiada e que serve não só ao conhecimento, mas um sopro de ânimo, para que continuemos nos rebelando... com sorriso no rosto.&lt;/div&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433667377064206130" src="http://1.bp.blogspot.com/_NvSD2TIcIwI/S2hDsM2KXzI/AAAAAAAAAKk/qMiSj_1If_M/s320/capa_livro_low_res.jpg" style="display: block; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 213px;" /&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-weight: bold;"&gt;Serviço:&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;" /&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;a href="http://howardzinn.org/default/"&gt;http://howardzinn.org/default/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/"&gt;http://ldopaeditora.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;FONTE:&amp;nbsp; http://revista-apes.blogspot.com/2010/02/para-continuar-rebelde-e-sorrindo.html &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-4937123734888251388?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/4937123734888251388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=4937123734888251388&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/4937123734888251388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/4937123734888251388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2010/02/para-continuar-rebelde-e-sorrindo.html' title='Para continuar rebelde e sorrindo'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NvSD2TIcIwI/S2hD6WFNIbI/AAAAAAAAAKs/EsAH3HXfsqI/s72-c/HowardZinn%28c%29RobinHolland.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-259575985616583421</id><published>2010-01-28T14:40:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T14:40:46.596-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo sobre Howard Zinn'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícia'/><title type='text'>Howard Zinn: a história é feita pelos povos em movimento.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IR8qkg3ZI/AAAAAAAABiA/5qYj55X-XXo/s1600-h/zinn2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IR8qkg3ZI/AAAAAAAABiA/5qYj55X-XXo/s320/zinn2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Howard Zinn: a história é feita pelos povos em movimento. Clique &lt;a href="http://passapalavra.info/?p=18130"&gt;aqui&lt;/a&gt; e leia o artigo publicado no &lt;a href="http://passapalavra.info/"&gt;Passa Palavra.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-259575985616583421?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/259575985616583421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=259575985616583421&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/259575985616583421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/259575985616583421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2010/01/howard-zinn-historia-e-feita-pelos.html' title='Howard Zinn: a história é feita pelos povos em movimento.'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IR8qkg3ZI/AAAAAAAABiA/5qYj55X-XXo/s72-c/zinn2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-8504288777690462547</id><published>2010-01-28T14:23:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T14:23:30.270-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nota de Falecimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícia'/><title type='text'>Nota de Falecimento</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IN6yj4WpI/AAAAAAAABh4/R701J9BBaxE/s1600-h/467-Zinn-Quad.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mt="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IN6yj4WpI/AAAAAAAABh4/R701J9BBaxE/s320/467-Zinn-Quad.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Howard Zinn morreu no dia 27 de janeiro de 2010. Mais informações clique &lt;a href="http://www.esquerda.net/content/view/15091/1/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Em breve estaremos publicando outras informações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-8504288777690462547?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/8504288777690462547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=8504288777690462547&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8504288777690462547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8504288777690462547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2010/01/nota-de-falecimento.html' title='Nota de Falecimento'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/S2IN6yj4WpI/AAAAAAAABh4/R701J9BBaxE/s72-c/467-Zinn-Quad.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5643791975554344620</id><published>2009-11-08T14:31:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T14:32:45.649-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Guerra e prêmios da paz</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CMaikon%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fiquei consternado quando soube que Barack Obama recebeu o prémio Nobel da Paz. Um choque, realmente, pensar que um presidente que leva a cabo duas guerras receberia um prémio da paz. Até que me lembrei que Woodrow Wilson, Theodore Roosevelt e Henry Kissinger tinham, todos, recebido prémios Nobel da Paz. O comité Nobel é famoso pelas suas avaliações superficiais, por se deixar conquistar pela retórica e por gestos vazios, e ignorar óbvias violações da paz mundial.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sim, Wilson recebe crédito pela Liga das Nações - esse corpo ineficiente que não fez nada para prevenir a guerra. Mas ele tinha bombardeado a costa mexicana, enviado tropas para ocupar o Haiti e a República Dominicana, e levado os EUA para o matadouro da Primeira Guerra Mundial na Europa, seguramente entre as mais estúpidas e mortíferas guerras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Certo, Theodore Roosevelt negociou a paz entre o Japão e a Rússia. Mas era um amante da guerra, que participou da conquista de Cuba pelos EUA, fingindo libertá-la da Espanha, enquanto apertava os grilhões estadunidenses sobre essa pequena ilha. E, como presidente, presidiu à guerra sangrenta para subjugar os filipinos, felicitando mesmo um general estadunidenses que tinha acabado de massacrar 600 aldeões indefesos nas Filipinas. O comité não deu o prémio Nobel a Mark Twain, que denunciou Roosevelt e que criticou a guerra, nem a William James, dirigente da liga anti-imperialista.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ah! sim, o comité achou apropriado dar um prémio da paz a Henry Kissinger, porque ele assinou o acordo final que pôs fim à guerra do Vietname, da qual fora um dos arquitetos. Kissinger, que acompanhou obsequiosamente a expansão da guerra de Nixon com o bombardeamento de aldeias camponesas no Vietname, no Laos e no Camboja. Kissinger, que se coaduna perfeitamente com a definição do criminoso de guerra, teve um prémio da paz!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As pessoas deveriam receber um prémio da paz não com base em promessas que tenham feito - tal como Obama, um eloquente fazedor de promessas -, mas com base em feitos reais no sentido de acabar com a guerra; e Obama tem prosseguido as acções militares mortíferas e desumanas no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O comité Nobel da paz deveria retirar-se e entregar os seus enormes fundos a alguma organização internacional da paz que não seja assombrada pelo estrelato e pela retórica, e que tenha alguma compreensão da história.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Howard Zin&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;FONTE: http://wwweidosinfozine.blogspot.com/2009/11/eidos-info-zine-20.html&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5643791975554344620?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5643791975554344620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5643791975554344620&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5643791975554344620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5643791975554344620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/11/guerra-e-premios-da-paz.html' title='Guerra e prêmios da paz'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-2448828996126415621</id><published>2009-06-18T19:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T19:42:00.583-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Howard Zinn comenta Marx – “Je ne suis pas marxiste”</title><content type='html'>&lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este artigo de Howard Zinn apareceu pela primeira vez na revista Z Magazine em 1988. Questionando tanto os que não se cansam de declarar que “Marx está morto” quanto os que gostariam de utilizar sua visão de uma nova sociedade para algum governo ditatorial, este texto do autor de Você não pode ser neutro num trem em movimento continua atual e lúcido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt; Tradução: Nils Skare&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Há pouco tempo alguém se referiu a mim como um “professor marxista”. Na verdade, duas pessoas o fizeram. Um foi o porta-voz da “Exatidão na Academia”, preocupada que existem “cinco mil membros de faculdade marxistas” nos Estados Unidos (o que diminuiu minha importância, mas também minha solidão). O outro foi um antigo aluno que encontrei num avião rumo a Nova York, um colega de viagem. Me senti um pouco honrado. Um “marxista” significa um cara durão (o que compensa a conotação molenga de um “professor”), uma pessoa de políticas formidáveis, alguém com quem não se pode meter, alguém que sabe a diferença entre mais-valia absoluta e relativa, o que é fetichismo da mercadoria e se recusa a comprá-lo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://ldopaeditora.files.wordpress.com/2009/06/marx.jpg"&gt;&lt;img src="http://ldopaeditora.files.wordpress.com/2009/06/marx.jpg?w=251&amp;amp;h=300" alt="Karl Marx: News of the Coming Revolt" title="Karl Marx: News of the Coming Revolt" class="alignleft size-medium wp-image-395" width="251" height="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu também me vi surpreso, um pouco tenso (algo que os praticantes de ioga compreendem que não é bom). Será que “marxista” sugeria que eu tinha uma pequena estátua de Lenin na minha gaveta e esfregava sua cabeça para descobrir qual política seguir para intensificar as contradições no campo imperialista, ou quais canções cantar se fossemos mandados para um campo de concentração?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Além disso me lembrei da famosa afirmação de Marx: “Je ne suis pas marxiste”. Sempre me perguntei por que Marx, um alemão que falava inglês e havia estudado grego para sua tese de doutorado, faria uma afirmação tão importante em francês. Mas estou seguro que ele a fez, e creio que sei o que o levou a fazê-la. Após Marx e sua esposa Jenny se mudarem para Londres, onde três de seus seis filhos morreram de doença, e onde viveram em meio à pobreza, eles eram frequentemente visitados por um jovem refugiado alemão chamado Pieper. Esse sujeito era um total “mala” (há “malas” por todo o espectro político colocados a 5 metros de distância um do outro, mas há um Mala de Esquerda especial, à serviço da polícia, para deixar os revolucionários birutas). Pieper (juro, eu não o inventei) voava ao redor de Marx sempre em admiração, e uma vez se ofereceu para traduzir o Das Kapital para o inglês – que ele mal conseguia falar – e vivia montando Clubes de Karl Marx, exasperando Marx mais e mais, insistindo que cada palavra que Marx soltava era sagrada. Um dia Marx deixou Pieper com uma congestão quando disse a ele: “Obrigado por me convidar para falar em seu Clube de Karl Marx. Mas não posso. Eu não sou um marxista.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Esse foi um ponto alto na vida de Marx, e também um bom ponto de partida para considerar as idéias de Marx seriamente sem se tornar um Piepet (ou um Stálin ou um Kim Il Sung, ou um marxista renascido que argumenta que cada palavra nos volumes Um, Dois e Três, e especialmente no Grundrisse é inquestionavelmente verdade). Porque me parece (correndo o risco de ver meu nome incluso na segunda edição do Registro de Marxistas, vivos ou mortos de Norman Pudhoretz) Marx tinha algumas idéias bastante úteis.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Por exemplo, encontramos no curto mas poderoso Teses contra Feuerbach de Marx a idéia de que os filósofos, que sempre consideraram sua tarefa interpretar o mundo, deveriam agora se pôr a transformá-lo, em seus escritos e em suas vidas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Marx deu um bom exemplo. Enquanto a história o trata como um erudito sedentário, que passava todo seu tempo na biblioteca do Museu Britânico, Marx foi um ativista incansável por toda sua vida. Foi expulso da Alemanha, da Bélgica, da França e colocado sob julgamento em Colônia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Exilado em Londres, manteve seus laços com os movimentos revolucionários de todo o mundo. Os apartamentos empobrecidos que ele e Jenny Marx, e suas crianças, habitavam, tornaram-se centro de atividade política, lugares de reunião para refugiados do continente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; É verdade, muitos de seus escritos eram impossivelmente abstratos (especialmente aqueles sobre política econômica; minha pobre cabeça, aos dezenove, boiava, ou melhor dizendo, afundava, em renda da terra e renda diferencial, a queda constante dos lucros e a composição orgânica do capital). Mas ele se distanciava disso constantemente para confrontar os eventos de seu tempo, para escrever sobre as revoluções de 1848, a Comuna de Paris, as rebeliões na Índia, a Guerra Civil nos Estados Unidos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Os manuscritos que ele escreveu aos vinte e cinco anos no exílio em Paris (onde ficava nos cafés com Engels, Proudhon, Bakunin, Heine, Stirner) frequentemente desdenhados pelos fundamentalistas linha-dura como “imaturos”, contêm algumas de suas idéias mais profundas. Sua crítica do capitalismo nesses Manuscritos Econômico-Filosóficos não precisavam de provas matemáticas da “mais-valia”. Simplesmente afirmava (mas não afirmava simplesmente) que o sistema capitalista viola o que quer que seja ser humano. O sistema industrial que Marx viu se desenvolvendo na Europa não apenas os roubava do produto de seu trabalho, ele alienava os trabalhadores de suas próprias possibilidades criativas, uns dos outros como seres humanos, da beleza da natureza, de si mesmos. Eles viviam suas vidas não de acordo com suas próprias necessidades internas, mas de acordo com as necessidades de sobrevivência.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Essa alienação de si e dos outros, essa alienação de tudo que era humano, não poderia ser vencida por um esforço intelectual, por algo na mente. O que era necessário era uma mudança fundamental, revolucionária na sociedade; para criar as condições – um dia de trabalho curto, um uso racional da riqueza da terra e os talentos naturais das pessoas, uma distribuição justa dos frutos do trabalho humano, uma nova consciência social – para o florescimento do potencial humano, para um salto até a liberdade como ela nunca havia sido experimentada na história.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Marx compreendia o quanto era difícil alcançar isso, porque, não importa quão “revolucionários” sejamos, o peso da tradição, do costume, a des-educação acumulada de gerações, “pesa como um pesadelo sobre o cérebro dos vivos”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Marx compreendia a política. Ele via que por trás dos conflitos políticos estavam questões de classe: quem fica com o que. Por trás de bolhas benignas em que se estaria junto (Nós o povo… nosso país… segurança nacional), os poderosos e ricos legislariam em seu próprio benefício. Ele observou (no Dezoito Brumário, uma análise brilhante e mordaz da tomada de poder napoleônica após a revolução de 1848 na França), como uma constituição moderna pode proclamar direito absolutos, que então eram limitados por notas marginais (ele poderia estar mesmo prevendo as torturadas construções da Primeira Emenda de nossa Constituição), refletindo a realidade da dominação de uma classe por outra independentemente do que estivesse escrito.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Ele via a religião não apenas negativamente como “o ópio do povo”, mas positivamente como o “suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, a alma de condições desalmadas.” Isso nos ajuda a compreender o apelo de massa de charlatães religiosos nas telas de televisão, e ao mesmo tempo o trabalho da Teologia da Libertação em unir a espiritualidade da religião com a energia do movimento revolucionário em países extremamente pobres.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Marx estava frequentemente errado, era muito dogmático, frequentemente um “marxista”. Ele por vezes aceitava demais a dominação imperial como “progressista”, uma maneira mais rápida de levar o capitalismo ao terceiro mundo, e portanto adiantar – assim ele acreditava – o caminho para o socialismo. (Mas ele apoiava firmemente as rebeliões dos irlandeses, dos polacos, dos indianos, dos chineses contra o controle colonial).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Ele insistia demais que a classe trabalhadora industrial deveria ser o agente da revolução, e que isso deveria ocorrer nos países capitalistas avançados. Ele era desnecessariamente denso em suas análises econômicas (tempo demais nas universidades alemãs, talvez) enquanto seu insight claro e simples quanto à exploração bastava: que não importava quão valiosas fossem as coisas que os trabalhadores produziam, aqueles que controlavam a economia poderiam pagar a eles o mínimo que quisessem, e se enriquecer com a diferença.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Pessoalmente, Marx era charmoso, generoso e disposto a se sacrificar; e ao mesmo tempo arrogante, cabeça dura e abusivo. Ele amava sua esposa e seus filhos, e eles claramente o adoravam, mas ele pode também ter sido o pai do filho da empregada alemã deles, Lenchen.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; O anarquista Bakunin, seu rival na Associação Internacional dos Trabalhadores, disse de Marx: “O admiro por seu conhecimento e sua devoção apaixonada e zelosa pela causa do proletariado. Mas… nossos temperamentos não se harmonizavam. Ele me chamava de um idealista sentimental, e ele estava certo. E eu o chamava de vaidoso, traiçoeiro e rabugento, e eu estava certo.” A filha de Marx, Eleanor, por outro lado, chamou seu pai de “uma das almas mais alegres, divertidas que já respiraram, um homem transbordante de humor.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Ele sintetizava seu próprio alerta de que as pessoas, por mais avançadas que fossem em seus pensamentos, eram seguradas pelas limitações de seu tempo. Ainda assim, Marx forneceu poderosos insights, e inspiradoras visões. Não consigo imaginar Karl Marx contente com o “socialismo” da União Soviética. Ele seria um dissidente em Moscou, gosto de pensar. Sua idéia de uma “ditadura do proletariado” era a comuna de Paris de 1871, onde discussões nas ruas e nos salões da cidade forneciam a vitalidade uma democracia “debaixo para cima”; onde governantes supervisores eram imediatamente expulsos do governo pelo voto popular; onde os salários dos líderes do governo não podiam exceder o dos trabalhadores comuns; onde a guilhotina foi destruída como um símbolo da pena de morte. Marx escreveu certa vez no New York Tribune que não podia ver como a pena de morte poderia ser justificada “em qualquer sociedade que se julgasse civilizada.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Talvez a mais preciosa herança do pensamento de Marx seja seu internacionalismo, sua hostilidade ao estado nação, sua insistência de que as pessoas comuns não têm nação a quem devam obedecer e se sacrificar em guerras, que estamos todos ligados uns aos outros pelo globo como seres humanos. Esse é não apenas um desafio direto ao moderno capitalismo nacionalista, com suas abomináveis evocações de ódio ao “inimigo” exterior, e sua falsa criação de um interesse comum para todos dentro de suas fronteiras artificiais. É também uma rejeição do nacionalismo estreito do estados “marxistas” contemporâneos, seja a União Soviética, seja a China ou qualquer outro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Marx tinha algo importante para dizer não apenas como crítico do capitalismo, mas como um alerta aos revolucionários que, ele escreveu na Ideologia Alemã, deveriam revolucionarizar a si mesmos se queriam fazer isso com a sociedade. Ele ofereceu um antídoto ao dogmáticos, aos linha-duras, aos Piepers, aos Stálins, aos comissários, aos “marxistas”. Ele disse: “Nada humano me é estranho.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Esse parece ser um bom começo para mudar o mundo. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-2448828996126415621?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/2448828996126415621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=2448828996126415621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2448828996126415621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2448828996126415621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/06/howard-zinn-comenta-marx-je-ne-suis-pas.html' title='Howard Zinn comenta Marx – “Je ne suis pas marxiste”'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-8738553892971999276</id><published>2009-03-21T13:41:00.000-07:00</published><updated>2009-03-21T13:42:31.309-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Howard Zinn - entrevista (Goatmilk)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte clique &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/2009/03/19/howard-zinn-entrevista-goatmilk/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esta entrevista foi realizada por Wajahat Ali em 2008, antes da eleição de Barak Obama.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Suas experiências e atos de desobediência civil no Colégio de Spelman são, a esta altura, muito conhecidos. Entretanto, no século XXI, pode-se ver observar o corpo estudantil de muitos campi de faculdades liberais e ver que o protesto vivaz e a consciência foram substituídos pela apatia e o materialismo. Onde esse espírito de luta foi parar? Você se pronunciou contra o “desencorajamento” na fala de abertura do ano de 2005 na Universidade de Spelman – e quanto a agora?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: O que você descreve como a diferença entre os anos sessenta e agora nos campi é verdade, mas eu não iria longe demais com isso. Há grupos em campi por todo o país trabalhando contra a guerra, mas são pequenos até agora. Lembre-se, a escala do envolvimento no Vietnã era maior – 500 mil soldados contra 130 mil no Iraque. Após cinco anos de Vietnã havia 30 mil americanos mortos, ao passo que hoje temos 4 mil mortos. O alistamento obrigatório ameaçava os jovens, hoje não. Há maior controle pelo &lt;em&gt;establishment &lt;/em&gt;da mídia hoje em dia, que não está mostrando os horrores infligidos no povo do Iraque assim como a mídia norte-americana começou a mostrar atrocidades como o massacre de My Lai. No caso do movimento contra a Guerra do Vietnã, houve a radicalização imediata da experiência do Movimento dos Direitos Civis pela igualdade racial, cuja energia e indignação levou adiante o movimento estudantil contra a Guerra do Vietnã. Nenhum influxo comparável existe hoje. E sim, há mais materialismo, mais insegurança econômica para os jovens que vão à universidade – custos enormes de taxas escolares pressionam os estudantes a se concentrarem só nos estudos e irem bem na escola.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Você esteve profundamente envolvido no Movimento dos Direitos Civis que lidou não apenas com igualdade racial, mas também um re-exame do política estrangeira dos Estados Unidos e da retirada da brutal Guerra do Vietnã. Aqui estamos em 2008 com uma ocupação aparentemente sem fim, e alguns diriam ilegal, do Iraque. “Racismo” emergiu como um tópico de contenda devido à candidatura para presidente de Obama e comentários controversos de seu reverendo. No entanto, a maioria diz que ele e outros candidatos “falam bonito” mas não estão dispostos a confrontar fundamentalmente e mudar os problemas de raça e política estrangeira. Como alguém que tem observado o clima sócio-político dos movimentos populares desde 1960, o que mudou (se algo mudou) em relação à equanimidade racial, e humanização de não-americanos, o “outro estrangeiro”?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: O Movimento dos Direitos Civis foi uma experiência educativa para muitos americanos. O resultado foi mais oportunidades para uma pequena porcentagem de negros, talvez 10% ou 20%, então, jovens negros indo à universidade e entrando em profissões. Uma maior consciência entre brancos – não todos, mas muitos – do racismo. Para a maioria dos negros, entretanto, ainda há pobreza e sofrimento. Os guetos ainda existem, e a proporção de negros na prisão ainda é muito maior do que a de brancos. Hoje, há menos racismo aberto, mas as injustiças econômicas criaram um “racismo institucional” que existe mesmo quando há negros em posições superiores, como Condoleeza Rice na administração Bush e Obama candidato a presidente.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, a maior consciência entre brancos sobre a igualdade dos negros não foi levada para as novas vítimas do racismo – muçulmanos e imigrantes. Não há equanimidade racial para esses grupos, que é enorme. Milhões de muçulmanos e um igual número de imigrantes que, legais ou ilegais, enfrentam a discriminação tanto legalmente por parte do governo quanto extra-legalmente por parte dos americanos brancos – e às vezes americanos negros e hispânicos. Os candidatos presidenciais democratas estão evitando esses assuntos para cultivar apoiar entre os americanos brancos.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Isso é vergonhoso, especialmente para Obama, que deveria usar sua experiência como negro para educar o público sobre discriminação e racismo. Ele é cauteloso em fazer afirmações fortes sobre esses assuntos e política estrangeira. Então, mantendo-se em linha com a tradição de cautela e timidez do Partido Democrata, ele adota posições levemente à esquerda dos Republicanos, mas muito aquém do que seria uma política esclarecida.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Você disse que o espírito democrático do povo americano é melhor representado quando pessoas protestam e expressam suas opiniões fora da Casa Branca. Como essa natureza de dissenso e protesto serve como o baluarte de uma democracia e uma sociedade civil saudável e funcionando? Muitos argumentariam que isso divide as coisas, ou não?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Sim, dissenso e protesto dividem, mas de uma forma boa, porque representam de maneira acurada as divisões reais na sociedade. Essas divisões existem – os ricos, os pobres – se há dissenso ou não, mas quando há dissenso, há mudança. O dissenso tem a possibilidade não de acabar com a divisão na sociedade, mas mudar a realidade da divisão. Mudar a balança do poder em prol dos pobres e oprimidos.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: &lt;em&gt;Uma História do Povo dos Estados Unidos &lt;/em&gt;é considerado agora uma obra seminal, ensinada em colégios e universidades por todo o país. Por que você acha que a obra tem tal poder duradouro, tanta influência?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Porque preenche uma necessidade, porque há um enorme vazio de verdade nos textos históricos tradicionais. E porque pessoas que conseguem alguma compreensão por si mesmas que há algo de errado na sociedade, ela buscam algo para sua nova consciência; seus novos sentimentos para serem representados por uma história mais honesta.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Votos de minorias, como hispânicos católicos, foram fundamentais para Bush em 2002, e alguns filhos de imigrantes tem uma raiva e um desdém virulentos contra imigrantes “ilegais”. Parece que muitas vozes marginalizadas esqueceram sua história e agora estão do lado daqueles que tencionam ativamente mantê-los ou às margens ou de alguma forma “oprimidos”. Como explicamos essa discrepância?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Porque é do interesse de quem está no poder de dividir o resto da população para governá-los. Colocar os pobres contra a classe média, os brancos contra os negros, nativos contra imigrantes, cristãos contra outras religiões. Serve aos interesses do &lt;em&gt;establishment &lt;/em&gt;manter as pessoas ignorantes de suas próprias histórias.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Muitos dizem que as corporações possuem a mídia americana. Qual é a expressão apropriada para o discurso democrático e disseminação de informação se de fato há um monopólio enviesado sobre a mídia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Como há o controle da mídia pelo poder corporativo, descobrir a verdade depende da mídia alternativa, tais como estações de rádio pequenas, redes como a &lt;em&gt;Pacifica Radio, &lt;/em&gt;programas como &lt;em&gt;Amy Goodman’s Democracy Now. &lt;/em&gt;Também, jornais alternativos, que existem por todo o país. Também, programas de TV a cabo, que não dependam de propagandas comerciais. E também a internet, que pode alcançar milhões de pessoas desviando da mídia convencional.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Algo irá mudar com relação à política estrangeira do EUA no Oriente Médio, especificamente na Palestina e em Israel caso os democratas ganhem em 2008?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Os candidatos democratas, Clinton e Obama, não mostraram nenhum sinal de mudança fundamental da política de apoio a Israel. Não mostraram empatia com o sofrimento dos palestinos. Obama ocasionalmente se referiu à situação dos palestinos, mas à medida que a campanha tem prosseguido, ele tem enfatizado seu apoio a Israel. Então, uma mudança de política irá exigir mais pressão de outros países e mais educação do povo americano, que sabem agora muito pouco sobre o que está acontecendo com o povo palestino. Os americanos são naturalmente simpáticos àqueles que vêem como sendo oprimidos, mas têm pouca informação por parte de seus líderes políticos ou da mídia, que poderiam lhe dar uma imagem realista do sofrimento dos palestinos sob a Ocupação.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Como “a esquerda” pode reconciliar sua suposta indiferença à religião com o crescente setor “religioso” da sociedade se juntando a partidos “conservadores”? Pode haver paz entre os dois ou é um cisma permanente? Já notei fanatismo dos dois lados, entre os “seculares” e “religiosos”.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: A esquerda precisa fazer uma distinção mais clara entre a intolerância do fundamentalismo e a tradição progressista na religião. Na América Latina, por exemplo, há a “teologia da libertação”. Nos EUA, há os padres e as freiras que apoiaram os negros no Sul e que protestaram contra a Guerra do Vietnã. Então não é sobre ser a favor ou contra a religião, mas decidir se a religião pode ter um papel de justiça e paz ao invés de violência e intolerância.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Muitos não sabem que você foi um bombardeiro durante a Segunda Grande Guerra. Essa experiência lhe trouxe algum tipo de epifania, catalisando mudanças fundamentais na sua ideologia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Eu não sabia muita história quando me tornei um bombardeiro na Força Aérea Americana na Segunda Grande Guerra. Só após a guerra vimos que, como os nazistas, havíamos cometido atrocidades. Hiroshima, Nagasaki, Dresden, minhas próprias missões de bombardeio. E quando estudei história depois da Guerra, aprendi de minhas próprias leituras, não das minhas aulas na universidade, sobre a história de expansão e militarismo dos EUA.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Você é um homem em seus anos dourados, e você olha para trás para suas muitas realizações. Você fez coisas impressionantes. Algum arrependimento? E também, se você pudesse escolher algo que fosse seu legado – o que seria?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: Não tenho arrependimentos sobre minhas atividades políticas, só que às vezes me empolguei demais e não encontrei o balanço apropriado entre as obrigações para com minha família e minha necessidade de estar envolvido com movimentos sociais. Quanto a alguma trabalho meu que corporifique meu “legado”, provavelmente não é um livro, mas a combinação de ser um escritor e um ativista, ser um intelectual público, usar minha instrução para a mudança social.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ALI: Muitos olham para horizontes futuros com olhos sem esperança, cínicos, prevendo cenário desastrosos resultando de nosso descuido e excesso. Recessão. Guerra. Déficit. Extremismo. Anti-americanismo global. Políticas partidárias insinceras. Iremos implodir? Podemos avançar? Você tem esperança para o futuro da América?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ZINN: A situação presente para os EUA parece ruim, mas sou esperançoso, à medida que vejo o povo norte-americano acordar e ser majoritariamente contra esta guerra e o governo Bush, à medida que reflito sobre os movimentos na história e como eles se ergueram surpreendentemente quando pareciam derrotados. Acredito que o povo americano tem a capacidade de criar um novo movimento, que poderá mudar a direção de nossa nação de um poder militar para uma nação pacífica, usando nossa riqueza enorme para necessidades humanas, aqui e no exterior.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-8738553892971999276?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/8738553892971999276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=8738553892971999276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8738553892971999276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8738553892971999276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/03/howard-zinn-entrevista-goatmilk.html' title='Howard Zinn - entrevista (Goatmilk)'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5403419805593614155</id><published>2009-03-11T08:28:00.000-07:00</published><updated>2009-03-11T08:30:24.141-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marx in Soho'/><title type='text'>Howard Zinn - vídeo de “Marx in Soho” traduzido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte clique &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/2009/03/11/howard-zinn-video-de-marx-in-soho-traduzido/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de historiador, Howard Zinn é dramaturgo, e já escreveu uma peça sobre Emma Goldman e outra sobre Marx, chamada Marx in Soho. Dessa última é extraído o seguinte trecho em vídeo, cuja tradução vai abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IBvqOmjgYew&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/IBvqOmjgYew&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MARX&lt;/strong&gt;: “Mas ela [Jenny, esposa de Marx] não era paciente com o que ela considerava as “pretensões da alta erudição”. “Desça à terra, Herr Doktor”, ela dizia. Ela queria que eu explicasse a teoria da mais-valia de modo que todos os trabalhadores pudessem entendê-la. Mas eu lhes diria que ninguém pode entender sem primeiro entender a teoria do valor-trabalho. E a força de trabalho é uma mercadoria especial cujo valor é determinado pelas causas e meios da sobrevivência e no entanto dá valor a todas as outras mercadorias, um valor que sempre excede o valor do valor da força de trabalho. Jenny disse “não”. [risos] “Assim não vai dar.” Ela me disse: “Tudo o que você tem que dizer é isto: ‘Seu empregador lhe paga o mínimo em salários - só o bastante para vocês sobreviverem e trabalharem. Mas do seu trabalho ele tira muito mais do que o que ele lhe paga, então ele fica mais e mais e mais rico, mas você fica pobre.’”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5403419805593614155?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5403419805593614155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5403419805593614155&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5403419805593614155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5403419805593614155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/03/howard-zinn-video-de-marx-in-soho.html' title='Howard Zinn - vídeo de “Marx in Soho” traduzido'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-726397517510243708</id><published>2009-03-10T16:49:00.001-07:00</published><updated>2009-03-10T16:51:31.110-07:00</updated><title type='text'>Howard Zinn – Algumas linhagens e influências (Marx e Nietzsche)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sbb8q7lNpMI/AAAAAAAAA3I/XjayXOlp7Cg/s1600-h/zinn_comic_portugues.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 220px; height: 289px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sbb8q7lNpMI/AAAAAAAAA3I/XjayXOlp7Cg/s320/zinn_comic_portugues.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311710625008559298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/2009/03/04/howard-zinn-%e2%80%93-algumas-linhagens-e-influencias-marx-e-nietzsche/" rel="bookmark" title="Permanent Link: Howard Zinn – Algumas linhagens e influências (Marx e Nietzsche)"&gt;Howard Zinn – Algumas linhagens e influências (Marx e Nietzsche)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Howard Zinn – cuja autobiografia é o primeiro lançamento da L-Dopa Publicações – é um historiador e ativista conhecido por sua historiografia radical. Em linhas gerais, dentro dessa abordagem incentiva-se a denúncia da hipocrisia governamental, a necessidade de se intensificar a consciência das injustiças sofridas pela maioria da população, e o esforço para tirar as máscaras ideológicas que encobrem a violência e a opressão. Além disso, Zinn também tem como marca pessoal, bastante característica, a impressionante capacidade, sempre presente, de resgatar momentos de esperança no passado. Seu propósito, afinal, é avigorar os movimentos sociais no presente, dos quais sempre participou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Parte dessa história radical pode ser traçada à linhagem marxista. “Para Zinn,” escreve &lt;a href="http://www.solidarity-us.org/node/1448"&gt;Joe Auciello&lt;/a&gt;, “Marx desenvolveu uma crítica abrangente do capitalismo e da alienação que ainda é relevante e necessária para as lutas políticas e econômicas de hoje.” Basicamente, o marxismo propôs uma nova maneira de abordar a história, que seria compreendida a partir de sua base econômica. Isso permitiria entender o passado como muito mais do que um emaranhado de guerras, conflitos religiosos e confusões políticas de todo tipo. Ao contrário, a história passaria a entender as lutas materiais que, em última instância, a moldariam – um tipo de história crítica da ideologia e da alienação humana, temas caros a Howard Zinn. A história tradicional havia omitido (e continua omitindo) esse nexo entre o mundo material e o das representações. Para Marx e Engels:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 128, 0);font-size:100%;" &gt;“Isto faz com que a história deva sempre ser escrita de acordo com um critério situado fora dela. A produção da vida real aparece como algo separado da vida comum, como algo extra e supraterrestre. Com isto, a relação dos homens com a natureza é excluída da história, o que engendra a oposição entre natureza e história. Consequentemente, tal concepção apenas vê na história as ações políticas dos príncipes e do Estado, as lutas religiosas e as lutas teóricas em geral, e vê-se obrigada, especialmente, a &lt;em&gt;compartilhar, &lt;/em&gt;em cada época histórica, &lt;em&gt;a ilusão dessa época.”&lt;a name="_ednref1" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_edn1"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[i]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É a “ilusão dessa época”, essa ideologia, que Zinn se propõe a confrontar a partir de uma alavanca presente. Esse ponto de apoio no presente é justamente – para usar outra terminologia marxista – a alienação do ser humano. Zinn ressalta a importância desse conceito, referindo-se explicitamente aos &lt;em&gt;Manuscritos Econômico-Filosóficos &lt;/em&gt;de 1844. “O estranhamento do homem descrito lá é pertinente não apenas para o proletariado clássico de seu tempo como para todas as classes na sociedade industrial moderna - e certamente para a geração de jovens nos Estados Unidos. Ele fala de homens produzindo coisas alienadas de si mesmos, que se tornam monstros independentes (olhe ao nosso redor, nossos carros, nossas televisões, nossos arranha-céus, mesmo nossas universidades).”&lt;a name="_ednref2" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_edn2"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao mesmo tempo que existem essas afinidades do pensamento de Zinn com o de Marx, é importante salientar que dentro da linhagem desse último, há diversas posições que acreditam que o ponto de vista proletário de interpretação da história é a interpretação objetiva que existe (embora isso não seja totalmente um consenso). Zinn, por outro lado, parece tornar mais relativa essa interpretação através da responsabilidade pessoal e ética do historiador entendido como um indivíduo, e não porta-voz de uma classe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por fim, uma nota teatral. Howard Zinn é também dramaturgo, e é autor de uma peça sobre Marx chamada &lt;em&gt;Marx in Soho &lt;/em&gt;(1999).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Howard Zinn e Nietzsche&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;À primeira vista é paradoxal imaginar uma ligação entre Zinn e Nietzsche, já que este último é tido como um pensador fundamentalmente de direita. Mas recentemente o filósofo alemão tem recebido leituras mais à esquerda, inclusive por parte de feministas. E, é claro, não é necessário concordar com tudo que um autor professa para fazer uso de algumas de suas idéias. Dito isso, pode-se constatar proximidades na maneira de entender a história radicalmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nietzsche enfatiza a leitura do passado &lt;em&gt;a partir do presente. &lt;/em&gt;A história para ele é algo que não pode acrescentar somente ao conhecimento, mas precisa se dirigir sobretudo à virtude (embora esse termo para o autor de &lt;em&gt;Assim falou Zaratustra &lt;/em&gt;tenha uma conotação diferente). Ele escreve: “Todo grande homem exerce uma força retroativa: toda a história é novamente posta na balança por causa dele, e milhares de segredos do passado abandonam seus esconderijos – rumo ao sol dele. Não há como ver o que ainda se tornará história. Talvez o passado esteja ainda essencialmente por descobrir!”&lt;a name="_ednref3" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_edn3"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Essa procura do vital na história é um eixo na historiografia de Zinn. É claro que isso pode dar margem à crítica da “falta de precisão” e de “desatenção aos pormenores”. Para Howard Zinn: “Nietzsche diria (como em seu &lt;em&gt;Uso&lt;/em&gt;&lt;em&gt; e Abuso da História&lt;/em&gt;) que nada importa mais do que a eficácia que dá vida, mas ele não associava isso com tolerância da inépcia. Mais importante, o que causou mais “mal” na Europa, desatenção ao “apuro” (quem era mais meticuloso que os historiadores europeus?) ou traição de suas sociedades por desatenção às tiranias que cresciam ao seu redor enquanto eles tratavam de seus ‘assuntos particulares’?”&lt;a name="_ednref4" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_edn4"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[iv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; A obra escrita e vivida de Zinn é testemunha da resposta que ele daria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Leia mais:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.channel&amp;amp;ChannelID=150977825"&gt;Vídeo de trecho de &lt;em&gt;Marx in Soho&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;– [em inglês]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Notas de fim&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div&gt;&lt;!--[if !supportEndnotes]--&gt; &lt;hr style="height: 3px;font-size:78%;" &gt;&lt;!--[endif]--&gt; &lt;div id="edn1"&gt; &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_edn1" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_ednref1"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[i]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; MARX, K.; ENGELS, F. &lt;em&gt;A Ideologia Alemã. &lt;/em&gt;Ed. Hucitec, 1999, p. 57.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;div id="edn2"&gt; &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_edn2" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_ednref2"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-size:100%;"&gt;ZINN, Howard. &lt;em&gt;Howard Zinn on History.&lt;/em&gt; Seven Stories Press, 2001, p. 87.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;div id="edn3"&gt; &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_edn3" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_ednref3"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; NIETZSCHE, Friedrich. &lt;em&gt;A Gaia Ciência. &lt;/em&gt;Companhia das Letras, 2007, p. 81.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;div id="edn4"&gt; &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_edn4" href="http://ldopaeditora.wordpress.com/#_ednref4"&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;[iv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-size:100%;"&gt;ZINN, Howard. &lt;em&gt;The Politics of History: With a New Introduction.&lt;/em&gt; University  of Illinois Press, 1990, p. 308.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-size:100%;"&gt;Autoria : Nils.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-size:100%;"&gt;fonte clique &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/2009/03/04/howard-zinn-%E2%80%93-algumas-linhagens-e-influencias-marx-e-nietzsche/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-726397517510243708?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/726397517510243708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=726397517510243708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/726397517510243708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/726397517510243708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/03/howard-zinn-algumas-linhagens-e.html' title='Howard Zinn – Algumas linhagens e influências (Marx e Nietzsche)'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sbb8q7lNpMI/AAAAAAAAA3I/XjayXOlp7Cg/s72-c/zinn_comic_portugues.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5879749438001117550</id><published>2009-03-01T11:34:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T11:37:52.806-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista de 2008</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sarj6JW0jNI/AAAAAAAAA1E/B6jqnyopAxQ/s1600-h/zinn_pb_praca.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 212px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sarj6JW0jNI/AAAAAAAAA1E/B6jqnyopAxQ/s320/zinn_pb_praca.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308305698893106386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Entrevista realizada em Outubro de 2008&lt;/em&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Boulder Weekly: &lt;/strong&gt;Você sempre comenta que procura omissões na história. O que você acha que está sendo deixado de fora da nossa atual situação histórica?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Howard Zinn: &lt;/strong&gt;O que está sendo deixado de lado do discurso ou da discussão de que as pessoas estão falando, do que a imprensa está falando hoje em dia – o que está sendo deixado de lado é a história dos abonos do governo, a história do apoio do governo para as corporações e os ricos. Então se você não tem a história, você provavelmente vai pensar ‘Ah isso é algo novo. Isso é um desvio da maneira como os Estados Unidos sempre foram.’ Não é um desvio. É uma continuação de algo que começou há muito tempo e tem prosseguido por toda a história americana.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;E o que tem acontecido por toda a história americana pode ser trilhado até a Constituição e a Revolução Americana. E o fato de que a Constituição estabeleceu um governo central forte, e um de seus importantes propósitos era bonificar os fiadores da Revolução porque as letras do Tesouro que eles tinham – como resultado de emprestar dinheiro para o Exército Continental, para o Congresso Continental durante a Revolução – essas letras não tinham realmente valor algum. Mas o novo governo federal foi capaz de resgatar essas letras completamente, e dar aos fiadores o valor integral. E a maneira como eles juntaram dinheiro para fazer isso foi taxando o resto da população, taxando os americanos comuns, que é exatamente o que está acontecendo hoje – abonando essas instituições financeiras fracassadas e planejando pagar por isso com um peso enorme nas costas do americano médio.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Se você começar com a Revolução Americana e traçar um arco de lá até o dia atual, você verá vários pontos onde aconteceu exatamente a mesma coisa, onde o governo desempenhou seu papel de usar seu poder e recursos para apoiar as classes ricas. No caso da Constituição, eles usaram o poder do governo central para apoiar os escravocratas ao assegurarem que seus escravos fugitivos seriam levados de volta conseguindo sustentar um exército forte o suficiente para suprimir rebeliões de fazendeiros, o que de fato tiveram que fazer desde o começo de 1790, quando houve a chamada &lt;em&gt;Whiskey Rebellion &lt;/em&gt;na Pensilvânia. Foi aí que os fazendeiros se rebelaram contra as taxas que tinham que pagar e a Constituição criou um governo forte o suficiente para apoiar os expansionistas – as pessoas que vão ocupar o território indígena e que enfrentariam resistência indígena, e que precisariam das forças armadas do governo nacional para lidar com esses indígenas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;E aí você segue o arco até o século XIX, até as enormes benesses de terra gratuita para as ferrovias em 1850 e 1860, até as altas tarifas que o governo colocou em bens importados para ajudar os fabricantes, o que por sua vez elevou os preços das mercadorias para os consumidores americanos. Entre no século XX e veja novamente o governo ajudando as corporações. A Suprema Corte diversas vezes declarou inconstitucional qualquer auxílio aos pobres, declarou inconstitucionais salários mínimos e horas máximas de trabalho. Não foi senão até 1930 que vimos nesse país uma revolta, um país em revolta com greves gerais por todo o país – só então o governo passou legislação em favor dos pobres e das classes médias. Isso foi uma aberração, porque depois da Segunda Grande Guerra, o governo voltou – eu não devia nem dizer depois da Guerra. Durante a Guerra, o governo forneceu enormes contratos de guerra para corporações que lucraram com o conflito. Depois da guerra, quando a indústria aeronáutica estava aos pedaços, o governo subsidiou essa indústria. E sabemos das empresas de petróleo e como o governo, pela permissão de esgotamento do petróleo e por impostos especiais favorece as corporações de petróleo, tem mantido-as funcionando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Então numa longa resposta à sua pergunta – você não vai conseguir respostas curtas de mim, não! – numa longa resposta à sua pergunta, o que está sendo esquecido no presente discurso sobre o colapso de Wall Street é uma história que mostra que isso é parte de um longo padrão de aliança entre o governo e grandes corporações em detrimento do americano médio.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Boulder: &lt;/strong&gt;Considerando essa continuação, qual você acha que é o melhor meio para mudanças?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Zinn: &lt;/strong&gt;Bem, precisamos é claro de uma mudança – uma mudança muito drástica em política governamental. Essa mudança, acredito, deve consistir de, ao invés de subsidiar essas enormes corporações, deixá-las ir a pique. Ao invés de dar um trilhão de dólares para corporações na esperança de que, ao mantê-las boiando, o dinheiro irá eventualmente ir para os que pagam hipoteca e pessoas comuns… ao invés disso, pegue o dinheiro que iria subsidiar essas corporações e use o dinheiro para ajudar as vítimas do sistema financeiro. Use esse dinheiro para pagar as hipotecas das pessoas que estão com dificuldades. Use esse dinheiro para garantir empregos para as pessoas que irão perder seu emprego quando as corporações diminuírem. Use esse dinheiro para criar saúde universal para todo mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Em outras palavras, vão ao coração do assunto. O coração do assunto quando você tem um colapso econômico – e foi isso que aconteceu em 1929 – é que o dinheiro do país tem ido para os super-ricos, e o poder de compra da pessoa comum tem declinado. Essa distância aumenta, e à medida que aumenta, torna-se uma bolha que se estica mais e mais fina e que estoura. A raíz disso é que as pessoas são privadas da riqueza da nação. Portanto, o que a riqueza deve fazer para quaisquer que sejam as necessidades das pessoas está na saúde, educação, empregos…&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Desvie das corporações e nacionalize as indústrias que sejam úteis. A maioria dessas corporações não são úteis. São instituições financeiras que compram e vendem papéis e não produzem nada de importante. Mas onde as corporações produzem algo importante, bem, elas devem ter impostos pesados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Na administração Bush, as 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos ganharam algo como 600 bilhões de dólares durante os anos Bush só via redução de impostos. Isso é absurdo. Precisamos mudar a estrutura de impostos. Agora, Obama tem dito que ele irá aumentar os impostos para os ricos e retirar os impostos para a maioria da população. Isso é um passo na direção certa, embora ele tenha que fazer mais do que isso, ser mais ousado do que isso em suas propostas de taxação, porque nós precisamos de uma redistribuição realmente fundamental da riqueza neste país, e uma garantia dos tipos de coisas de que as pessoas necessitam para sobreviver.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Boulder: &lt;/strong&gt;Em acréscimo a isso, quais são os fatores-chave para os eleitores nesta eleição?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Zinn: &lt;/strong&gt;Creio que os eleitores devem votar em Obama, não porque ele vai até onde é preciso ir, mas porque com McCain – ele está preso na filosofia Bush. Com Obama há um tipo de brilho de possibilidade. Nosso grande trabalho não é apenas votar para o Obama para que haja uma possibilidade, mas transformar essa possibilidade em realidade ao criar um movimento social neste país no qual Obama terá que prestar atenção – porque, em última instância, isso é o que traz mudanças. O presidente ou o Congresso nunca começaram mudanças importantes. Não, o que é necessário é um movimento social como os movimentos trabalhistas de 1930, o movimento negro, o movimento contra a guerra, os movimentos das mulheres em 1960, que irão balançar Obama e seus gabinetes conservadores e levá-los a direções mais ousadas, assim como os agitadores dos 30 levaram Roosevelt a direções mais ousadas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Boulder: &lt;/strong&gt;Você foi testemunha de tanto movimentos históricos e sociais americanos. De que maneira o atual clima se compara com o de movimentos sociais do passado?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Zinn: &lt;/strong&gt;Creio que é diferente no sentido de que o controle da mídia é maior e mais ameaçador hoje do que era em 1960, mas a mídia sempre esteve do lado do &lt;em&gt;establishment. &lt;/em&gt;Há coisas hoje que tornam mais difíceis do que em outros movimentos sociais, mas por outro lado, os elementos estão aí para um novo movimento social. Os movimentos estão aí, quero dizer crescendo, crescendo a insatisfação no país – ainda não organizados, mas aí. É um reservatório de raiva, de indignação contra a guerra, contra a administração Bush, contra o sistema econômico. Então há esse reservatório de energia e raiva que ainda não se organizou nem se tornou uma força que pode trazer mudanças. Mas o potencial está aí.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Nesse sentido, nós nos parecemos com outros tempos antes de que os movimentos fossem efetivos – quando eles estavam apenas crescendo, quando estavam apenas se desenvolvendo. O movimento anti-escravidão teve que se desenvolver por 30 anos. O movimento contra a guerra no Vietnã teve que se desenvolver por quatro ou cinco anos. O movimento pelos direitos civis teve que se desenvolver por décadas e décadas. Então, estamos num estágio de desenvolvimento. Você não pode simplesmente olhar para onde estamos agora e dizer ‘Bem, nós não estamos fazendo nada, somos incapazes, somos um fracasso.’ Não, nós estamos numa situação mutável dinamicamente todo dia, e a consciência das pessoas é capaz de crescer dia a dia à medida que olham ao redor e percebem como o presente sistema é desastroso – o sistema de guerras e o sistema de estados nações. Eu acho que há possibilidade e esperança.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Há tanto que se passa neste país que não é relatado… É importante saber que há tanto que está sendo omitido. É tão importante para as pessoas, se não estão prestes a desesperar, que, ao invés de assistir televisão, vão à biblioteca e leiam a história dos movimentos sociais passados e como as pessoas se desesperaram nesses movimentos sociais passados, mas como elas persistiram e persistiram e algo aconteceu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Boulder: &lt;/strong&gt;Qual o papel da mídia em manipular o retratar factualmente a percepção das pessoas da verdade?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;Zinn:&lt;/strong&gt; O problema da mídia é que a cobertura é tão superficial. Eles dependem dos eruditos e dos &lt;em&gt;experts &lt;/em&gt;e do povo no Congresso, e você não vê a mídia falando sobre as coisas fundamentais. Você não vê a mídia questionando os princípios básicos subjacentes ao que acabou de acontecer. Essa falsa idéia do mercado livre, da economia de mercado, da livre empresa, da empresa privada, todos esses slogans falsos que têm sido colocados nos ouvidos das pessoas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Ah, a idéia de que ‘Não devemos ter um governo grande!’ que lembro que Clinton falou também. Porque os democratas têm sido cúmplices do republicanos em usar o governo para o benefício dos ricos. Bill Clinton disse ‘Ah, o governo não deve ajudar as pessoas!’ [risadas] e então ele assinou a lei que acabava com a medida do New Deal e ajuda federal para pessoas com crianças dependentes. Então a mídia não tem feito seu trabalho em desafiar as coisas fundamentais e nos dar a história de que precisamos, a perspectiva que precisamos que nos diria que o que é necessário agora não é algum tipo de reforma leve, mas uma reestruturação fundamental da nossa sociedade.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Esta tradução por Nils&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Fonte &lt;a href="http://howardzinnemportugues.blogspot.com/search/label/Entrevista"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5879749438001117550?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5879749438001117550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5879749438001117550&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5879749438001117550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5879749438001117550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/03/entrevista-de-2008.html' title='Entrevista de 2008'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/Sarj6JW0jNI/AAAAAAAAA1E/B6jqnyopAxQ/s72-c/zinn_pb_praca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-2789008464633308498</id><published>2009-02-28T07:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T07:08:47.354-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>A pergunta em Kalamazoo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A introdução do livro &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/catalogo/voce-nao-pode-ser-neutro-num-trem-em-movimento-howard-zinn/"&gt;"Você não pode ser neutro num trem em movimento&lt;/a&gt;" está disponivél no blogue da &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/"&gt;L-dopa&lt;/a&gt;. O nome do texto é A pergunta em Kalamazoo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Leia &lt;a href="http://ldopaeditora.files.wordpress.com/2009/02/zinn-introducao-voce-nao-pode-ser-neutro.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-2789008464633308498?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/2789008464633308498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=2789008464633308498&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2789008464633308498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2789008464633308498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/02/pergunta-em-kalamazoo.html' title='A pergunta em Kalamazoo'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-7913161339228439532</id><published>2009-02-27T05:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T05:57:42.671-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo sobre Howard Zinn'/><title type='text'>História Radical e Historicismo - por Nils</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;“Precisamos da história,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas não como precisam dela&lt;br /&gt;os ociosos que passeiam&lt;br /&gt;no jardim da ciência&lt;/span&gt;.”&lt;br /&gt;- Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro livro editado pela L-Dopa – e outros como o livro de contos de O’Henry estão a caminho – foi a autobiografia do historiador norte-americano Howard Zinn, Você não pode ser neutro num trem em movimento (2005). Livros de memórias não costumam ser lugares particularmente instrutivos sobre a época em que o autor viveu – apenas como se um “pano de fundo” diferente do nosso fosse visível, vez por outra, quando o protagonista se agacha. Zinn – da sua infância pobre à recente contestação da “Guerra contra o terrorismo”, passando por sua experiência como bombardeiro na Segunda Grande Guerra, seu envolvimento com a luta pelos direitos civis no Sul e a campanha contra a intervenção no Vietnã – realiza uma espécie de radiografia. Em seu influente livro A People’s History of the United States, essa visão de raio-X articula o nível macro com o micro. O mesmo se dá em Você não pode ser neutro num trem em movimento, mas dessa vez partindo do individual para o contexto, uma biografia de alianças, de encontros e de uniões, uma história pessoal de histórias inter-pessoais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A história radical que Zinn advoga diz que se escape da cronologia de sucessões aplainadas com que a explicação da história oficial nos habituou. Ela reconhece e defende a tendência subjetiva na interpretação do passado. David Edwards escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como Howard Zinn argumentou em seu recente livro Você não pode ser neutro num trem em movimento, não é o viés que é o problema, mas o tipo de viés (e o fato que pessoas não admitem seu viés mas fingem objetividade). Qualquer análise de eventos envolve um viés simplesmente porque toda análise requere incluir ou omitir certos eventos com base no que julgamos importante. Junto com Zinn, sou feliz em me declarar completamente enviesado - acredito que seres humanos florescem na medida em que são livres para perseguir a vida, liberdade e felicidade da maneira que preferirem&lt;/span&gt;.”[i]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível portanto traçar uma linha demarcatória entre a história radical e o historicismo. Infelizmente é o encadeamento historicista que estabelece nossa realidade presente, e aqui o real se opõe ao possível. Howard Zinn, negando a causalidade historicista, revela a força que há no agora, indo de encontro à maioria dos historiadores e suas cronologias tradicionais. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É paradoxal que o historiador”, considera Zinn, “que é presumidamente abençoado com a perspectiva histórica, julgue o radical de dentro da estreita base moral do período de atividade do radical, enquanto o radical estima a sociedade do ponto vantajoso de alguma era futura, melhor.&lt;/span&gt;”[ii] A história é sempre inconclusa, uma construção permanente e singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma característica comum a todas as lutas com as quais Zinn se envolveu é o que se pode denominar efeito geleira. Como uma geleira, que se movimenta lentamente até chegar a um ponto de transformação, os movimentos sociais, na visão de Zinn, estão sempre ganhando momento, até que há a reação em cadeia. De tal forma, ao extrair inspiração do passado, Zinn salienta instantâneos de lutas aparentemente circunscritas a um campo pequeno. Mas julgar tais esforços como pequenos é sempre, como aponta o historiador, um erro de perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nós devemos ser encorajados por exemplos históricos de mudança social, por como mudanças surpreendentes acontecem subitamente, quando você menos espera, não devido a um milagre do topo, mas porque as pessoas trabalharam pacientemente por um longo tempo. Quando as pessoas ficam desencorajadas porque fazem algo e nada acontece, elas deveriam realmente compreender que a única maneira de as coisas acontecerem é se as pessoas passarem além da noção de que devem ver sucesso imediato. Se elas ultrapassarem essa noção e persistirem, então elas verão as coisas acontecendo antes mesmo de perceberem&lt;/span&gt;.”[iii]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linearidade do decurso, a homogeneidade de um tempo oco – o historiador para Howard Zinn explode tudo isso e trabalha com esses pedaços (como a luta contra a segregação nas bibliotecas descrita na autobiografia, por exemplo) que parecem pequenos e sem importância, mas que ele combinará e de que extrairá inspiração para as lutas presentes. Zinn, ao criticar a ingenuidade positivista no estudo do passado, retorna a história ao seu papel político.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Notas de fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[i] EDWARDS, David. Burning All Illusions: A Guide to Personal and Political Freedom. South End Press, 1996, p. 190.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ii] ZINN, Howard. The Zinn Reader: Writings on Disobedience and Democracy. Seven Stories Press, 1997, p. 123.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[iii] ZINN apud BARSAMIAN, David. Louder Than Bombs: Interviews from the Progressive Magazine. South End Press, 2004, p. 207.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte clique &lt;a href="http://ldopaeditora.wordpress.com/2009/02/27/howard-zinn-e-a-biografia-radical/#respond"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-7913161339228439532?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/7913161339228439532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=7913161339228439532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7913161339228439532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7913161339228439532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/02/historia-radical-e-historicismo-por.html' title='História Radical e Historicismo - por Nils'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-3277656456701108771</id><published>2009-02-16T17:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T17:14:59.601-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O que é patriotismo.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>O que diz sobre Patriotismo.</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QCs3nOF964k&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;hl=en&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QCs3nOF964k&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;hl=en&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Locutora:&lt;/span&gt; O que significa "patriotismo" para si?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Howard Zinn:&lt;/span&gt; Ainda bem mencionou "para mim", porque o patriotismo, para mim, significa algo diferente daquilo que significa para muitas pessoas, julgo eu, que têm distorcido a ideia de patriotismo. Patriotismo, para mim, significa fazer aquilo que julgamos que o nosso pais deve fazer.&lt;br /&gt;Patriotismo significa apoiar o governo quando achamos que este está certo, opor quando achamos que está errado.&lt;br /&gt;Patriotismo para mim significa aquilo que a Declaração de Independência sugere. Isto é, o governo é uma entidade artificial, o governo é erguido (e isto é o que a Declaração de Independência nos diz), o governo é erguido pelas pessoas, de forma a desempenhar determinadas responsabilidades. Igualdade, vida, liberdade para se ser feliz, e quando, de acordo com a Declaração de Independência, o governo viola tais responsabilidades, então, e estas são as palavras da Declaração de Independência, as pessoas têm o direito de alterar ou abolir o governo.&lt;br /&gt;O governo não é para ser considerado sagrado ou obedecido, quando este está errado. E portanto, para mim, patriotismo significa, no seu verdadeiro sentido, ter em consideração as pessoas desse país, os seus princípios e aquilo que o país representa, e isso exige oposição ao governo quando este viola esses princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte clique &lt;a href="http://forum.horizontalrecords.com/viewtopic.php?t=15763&amp;amp;sid=eadaa10237e86ece197d09630333b5d1"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-3277656456701108771?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/3277656456701108771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=3277656456701108771&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/3277656456701108771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/3277656456701108771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/02/httpwww.html' title='O que diz sobre Patriotismo.'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-3910686436985093957</id><published>2009-01-05T07:06:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T07:07:07.557-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>O que estamos fazendo no Iraque?</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: justify;"&gt;O que estamos fazendo no Iraque?&lt;/h1&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="olho"&gt;Após 27 meses de ocupação americana e da escalada de violência e mortes que acarreta por todos os lados, a guerra inventada por Bush segue vitimando também os norte-americanos, sua juventude, suas liberdades e seu modo de viver&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="autor"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Howard-Zinn_"&gt;Howard Zinn&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O Iraque não é um país libertado, e sim um país ocupado. Isto é uma evidência. O termo "país ocupado" tornou-se familiar a nós durante a Segunda Guerra Mundial. Falávamos então de "França ocupada pelos alemães, de Europa sob ocupação alemã". Depois da guerra, falamos da Hungria, da Checoslováquia e do Leste Europeu ocupados pelos soviéticos. Os Nazistas e os Soviéticos ocuparam muitos países. Nós os libertamos dessas ocupações.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Agora, os ocupantes somos nós. Certamente libertamos o Iraque de Saddam Hussein, mas não de nós. Do mesmo modo como libertamos Cuba, em 1898, do jugo espanhol, mas não do nosso. A tirania espanhola foi vencida, mas os Estados Unidos transformaram a ilha em base militar, como o que estamos fazendo no Iraque. As grandes companhias americanas implantaram-se em Cuba, como a Bechtel, a Halliburton e as empresas petrolíferas se instalam no Iraque. Os Estados Unidos redigiram e impuseram, com cúmplices locais, a Constituição que deveria reger Cuba, exatamente como nosso governo elaborou, com a ajuda de grupos políticos locais, uma Constituição para o Iraque. Não, isso não tem nada de libertação. É ocupação mesmo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;E é uma ocupação suja. Já em 7 de agosto de 2003, o &lt;i&gt;New York Times&lt;/i&gt; relatava que o general americano Ricardo Sanchez, em Bagdá, "&lt;i&gt;preocupava-se&lt;/i&gt;" com a reação iraquiana diante da ocupação. Os dirigentes iraquianos pró-americanos apresentaram-lhe uma mensagem que ele nos retransmitiu: "Quando vocês prendem um pai na presença de sua família, cobrem-lhe a cabeça com um saco e fazea-no ajoelhar-se, vocês atingem pesadamente, aos olhos de sua família, sua dignidade e respeito." (nota particularmente perspicaz).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Humilhação e violência&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Agora, os ocupantes somos nós. Certamente libertamos o Iraque de Saddam Hussein, mas não de nós. Do mesmo modo como libertamos Cuba, em 1898, do jugo espanhol, mas não do nosso&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A rede CBS News relatava já em 19 de julho de 2003, bem antes da descoberta dos casos confirmados de torturas na prisão de Abu Graib em Bagdá: "A Anistia Internacional está examinando um certo número de casos de presumidas torturas cometidas no Iraque pelas autoridades americanas. Dos quais um é o caso Khaisan Al-Aballi. A casa de Al-Aballi foi arrasada por soldados americanos que apareceram atirando por todos os lados; prenderem Al-Aballi e também seu velho pai, de 80 anos. Eles acertaram e feriram seu irmão... os três homens foram levados... Al-Aballi diz ter declarado a seus sequestradores: "Nao sei o que vocês querem. Não tenho nada." "Eu pedi a eles que me matassem", conta Al-Aballi. "Oito dias depois, eles o deixaram ir, acompanhado de seu pai... Os oficiais americanos não responderam aos inúmeros pedidos que lhes foram feitos para discutir esse assunto..."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Sabe-se que três quartos da cidade de Falluja (360 000 habitantes) foram destruídos e que centenas de seus habitantes foram mortos durante a ofensiva americana de novembro de 2004 deflagrada sob o pretexto de limpar a cidade dos bandos terroristas que teriam agido dentro de uma "conspiração baathista”. Mas esquecemos que em 16 de junho de 2003, nem um mês e meio depois da "vitória" no Iraque e da "missão cumprida" proclamada pelo presidente Bush, dois repórteres da rede Knight-Rider tinham escrito sobre a zona de Falluja: "Ao longo dos cinco últimos dias, a maior parte dos habitantes desta região afirmaram que não havia conspiração alguma, baathista ou sunita, contra o exército americano mas homens prontos para lutar porque seus parentes tinham sido feridos ou mortos ou eles mesmos tinham sofrido humilhações durante revistas ou barreiras de rua... Uma mulher declarou, depois da prisão de seu marido por causa de caixotes de madeira vazios que eles tinham comprado para (fazer fogo) para se aquecer, que os Estados Unidos eram culpados de terrorismo." Esses mesmos repórteres afirmavam: "Residentes de Agilia – uma aldeia ao norte de Bagdá – alegaram que dois camponeses de lá e mais cinco de uma aldeia vizinha foram mortos por tiros americanos quando estavam tranquilamente regando suas plantações de girassóis, tomates e pepinos".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Soldados nervosos e amedrontados&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;O mais monstruoso dessas mentiras é que qualquer ato cometido pelos Estados Unidos deve ser perdoado porque estamos envolvidos numa "guerra contra o terrorismo"&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Os soldados enviados a este país – a quem haviam dito que as pessoas os acolheriam como libertadores – e que se vêem cercados por uma população hostil, tornaram-se medrosos, estão deprimidos e puxam o gatilho facilmente, como se viu na libertação, em Bagdá, da jornalista italiana Giuliana Sgrena, em março de 2005, quando o oficial italiano dos serviços de informação Nicola Calipari foi abatido na barreira por soldados americanos nervosos e amedrontados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Lemos os relatos de GIs furiosos por serem mantidos no Iraque. Um repórter da rede ABC News no Iraque declarou recentemente que um sargento o tinha chamado em particular para dizer-lhe: "Eu tenho minha própria lista dos mais procurados" (Most wanted list). Ele aludia ao famoso baralho publicado pelo governo americano, representando Saddam Hussein, seus filhos e outros membros do regime baathista iraquiano: "Os ases do meu baralho – dizia ele – são George Bush, Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tais sentimentos, assim como os de muitos desertores que se recusam a voltar ao inferno do Iraque depois de uma licença em casa, são agora conhecidos do público americano. Em maio de 2003, uma pesquisa de opinião anunciava que só 13% dos americanos pensava que a guerra estava indo por um caminho ruim. Em dois anos, as coisas mudaram radicalmente. Segundo uma pesquisa publicada sexta-feira, 17 de junho de 2005 pelo &lt;i&gt;New York Times&lt;/i&gt; e a rede CBS News, 51% dos americanos acham agora que os Estados Unidos não deviam ter invadido o Iraque e não deviam ter começado esta guerra. Agora 59¨% desaprovam a gestão do presídente Bush da situação no Iraque. E me parece interessante notar que as pesquisas realizadas entre a população afro-americana revelaram constantemente uma oposição de 60% à guerra no Iraque.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A ocupação dos EUA&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Esperemos para ver os efeitos do urânio empobrecido sobre nossas moças e jovens enviados ao Iraque&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Mas existe uma ocupação de pior augúrio ainda que a do Iraque, é a ocupação dos Estados Unidos. Eu me levantei hoje de manhã, li o jornal e tive a sensação de que estávamos mesmo em um país ocupado, que uma potência estrangeira nos tinha invadido. Esses trabalhadores mexicanos que tentam atravessar a fronteira – arriscando a vida para escapar dos funcionários da imigração (na esperança de alcançar uma terra que, cúmulo da ironia, pertencia a eles antes dos Estados Unidos dela se apoderarem em 1848) – esses trabalhadores não são estrangeiros aos meus olhos. Esses 20 milhões de pessoas que vivem nos Estados Unidos, que não têm o estatuto de cidadãos e que em consequência e em virtude do Patriot Act (a lei Patriota), são suscetíveis de serem jogados fora de suas casas e detidos indefinidamente pelo FBI, sem direito constitucional algum – essas pessoas, para mim, não são estrangeiras.. Ao contrário, o grupúsculo de indivíduos que tomou o poder em Washington (George W. Bush, Richard Cheney, Donald Rumsfeld e o resto da camarilha), esses sim, são estrangeiros.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Eu acordei dizendo a mim mesmo que este país estava nas garras de um presidente que foi eleito uma primeira vez, em novembro de 2000, em circunstâncias que se conhece, graças a todo tipo de trapaça na Flórida e por uma decisão do Supremo Tribunal. Um presidente que continua, depois de sua segunda eleição em novembro de 2004, cercado de "falcões" de terno que não se preocupam com a vida humana nem aqui nem em lugar nenhum, cuja menor preocupação é a liberdade, aqui ou em outro lugar e que se lixam para o que será da Terra, da água, do ar e do mundo que deixaremos a nossos filhos ou netos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Muitos americanos se põem a pensar, como os soldados do Iraque, que alguma coisa está errada, que este país não se parece com a imagem que fazemos dele. Cada dia traz sua dose de mentiras à praça pública. O mais monstruoso dessas mentiras é que qualquer ato cometido pelos Estados Unidos deve ser perdoado porque estamos envolvidos numa "guerra contra o terrorismo". Passando por cima do fato de que a própria guerra é terrorismo; que chegar na casa das pessoas, levar os membros de uma família e submetê-los à tortura é terrorismo, que invadir e bombardear outros países não nos traz mais segurança, muito pelo contrário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O sofisma de Rumsfeld&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;A pretensa "guerra contra o terrorismo" não é somente uma guerra contra um povo inocente em um país estrangeiro, mas uma guerra contra o povo dos Estados Unidos&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tem-se uma pequena idéia do que o governo entende por "guerra contra o terrorrismo" quando lembramos da célebre declaração feita pelo secretário americano da defesa, Donald Rumsfeld (um dos "&lt;i&gt;mais procurados &lt;/i&gt;" da lista do sargento), quando ele se dirigiu aos ministros da OTAN, em Bruxelas, na véspera da invasão do Iraque. Ele explicou então as ameaças que pesavam sobre o Ocidente (imaginem – ainda falamos do "Ocidente" como uma entidade sagrada, enquanto que os Estados Unidos, que fracassaram em arrebanhar para seu projeto de invasão do Iraque vários países da Europa (entre os quais a França e a Alemanha), tentava cortejar a qualquer preço os países do Leste persuadindo-os de que nosso único objetivo era libertar os iraquianos como os havíamos libertado, a eles, do domínio soviético). Rumsfeld, então, explicando quais eram essas ameaças e porque eram "invisíveis e não identificáveis", pronunciou seu sofisma imortal: "Há coisas que conhecemos. E há outras que sabemos não conhecer. Quer dizer que há coisas que sabemos que, no momento, não conhecemos. Mas há também coisas desconhecidas que não conhecemos. Há coisas que não sabemos que não conhecemos. Em resumo, a ausência de provas não é a prova de uma ausência... Não ter a prova de que alguma coisa existe não quer dizer que temos a prova de que ela não existe."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Felizmente Rumsfeld está aí para nos esclarecer. Isto explica porque a administração Bush, incapaz de capturar os autores do atentado de 11 de setembro continuou seu ataque, invadiu e bombardeou o Afeganistão já em dezembro de 2001, matando milhares de civis e provocando a fuga de centenas de milhares de outros, e não sabe até hoje onde se esconderam os criminosos. Isto explica também porque o governo, sem saber de fato que tipo de armas Saddam Hussein escondia, decidiu bombardear e invadir o Iraque em maio de 2003 contra a ONU, matando milhares de civis e de soldados e aterrorizando a população. Isso explica porque o governo, sem saber quem é ou não é terrorrista, decidiu prender centenas de pessoas no cárcere de Guantânamo em condições tais que dezoito deles tentaram suicidar-se.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tortura "edulcorada"&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;O poderio de um governo – seja quais forem as armas que possuir, ou o dinheiro de que dispõe – é frágil. Quando perde sua legitimidade aos olhos do seu povo, seus dias estão contados&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em seu relatório de 2005 sobre as violações dos direitos humanos no mundo, tornado público em 25 de maio de 2005, a Anistia Internacional não hesitou em afirmar que "o centro de detenção de Guantanamo tornou-se o Gulag de nossa época". A secretária geral da organização, Irene Khan acrescentou: "Quando o país mais poderoso do planeta esmaga sob os pés a primazia da lei e dos direitos humanos, está autorizando os outros a infringir as regras sem escrúpulos, convencidos de ficarem impunes". Irene Khan denunciou também as tentativas dos Estados Unidos de banalizar a tortura. Os americanos, sublinhou ela, tentam tirar o caráter absoluto da proibição à tortura "redefinindo-a" e "edulcorando-a". Ora, lembrou ela, "a tortura ganha terreno desde que sua condenação oficial deixa de ser absoluta". Apesar da indignação suscitada pelas torturas cometidas na prisão de Abu Graib (Iraque), deplorou a Anistia, nem o governo nem o Congresso dos Estados Unidos pediram a abertura de uma investigação aprofundada e independente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A pretensa "guerra contra o terrorismo" não é somente uma guerra contra um povo inocente em um país estrangeiro, mas uma guerra contra o povo dos Estados Unidos. Uma guerra contra nossas liberdades, uma guerra contra o nosso modo de viver. A riqueza do país é roubada do povo para ser distribuída com os super-ricos. Roubam também a vida dos nossos jovens.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Não há dúvida alguma de que essa guerra que já dura dois anos e três meses fará ainda muitas vítimas não somente no estrangeiro, mas no próprio território dos Estados Unidos. A administração diz a quem quiser ouvir que a gente se safará bem dessa guerra porque ao contrário do Vietnã, há poucas vítimas&lt;span class="texto_desc" title="Em 20 de junho de 2005, o número de militares americanos mortos no Iraque chegava a 1 724 e o número total de feridos a 12 896 (fonte: http://www.antiwar.com/casualties/)"&gt;&lt;b&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. É verdade, "apenas" algumas centenas de mortos em combate. Mas quando a guerra terminar, então as vítimas das consequências dessa guerra – doenças, traumatismos – não cessarão de aumentar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Vítimas da mentira de Estado&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;A história das mudanças sociais é feita de milhões de ações, pequenas ou grandes, que se acumulam em um certo momento da história&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Depois da guerra no Vietnã, veteranos assinalaram malformações congênitas em suas famílias, causadas pelo agente laranja, um potente herbicida muito tóxico, pulverizado sobre as populações vietnamitas Durante a primeira guerra do Golfo em 1991, contaram-se apenas algumas centenas de perdas, mas a Associação dos Veteranos recentemente denunciou a morte de 8 000 deles ao longo destes dez últimos anos. Duzentos mil veteranos, dos seiscentos mil que participaram da primeira guerra do Golfo, queixam-se de mal-estares, de patologias devidas às armas e munições utilizadas durante essa guerra. Esperemos para ver os efeitos do urânio empobrecido sobre nossas moças e jovens enviados ao Iraque.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Qual é nosso dever? Denunciar tudo isso. Estamos convencidos de que os soldados enviados ao Iraque só suportam o terror e a violência porque mentiram para eles. E quando souberem a verdade – como aconteceu durante a guerra do Vietnã – eles se voltarão contra seu governo. O resto do mundo nos apóia. A administração dos Estados Unidos não pode ignorar indefinidamente os dez milhões de pessoas que protestaram no mundo inteiro em 15 de fevereiro de 2003 e cujo número aumenta a cada dia. O poderio de um governo – seja quais forem as armas que possuir, ou o dinheiro de que dispõe – é frágil. Quando perde sua legitimidade aos olhos do seu povo, seus dias estão contados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Devemos engajar-nos em todas as ações tendo por fim parar com esta guerra. Nunca será demais. A história das mudanças sociais é feita de milhões de ações, pequenas ou grandes, que se acumulam em um certo momento da história. Até constituir um poder que nenhum governo pode reprimir.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;(Trad. : &lt;b&gt;Betty Almeida&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;1 - Em 20 de junho de 2005, o número de militares americanos mortos no Iraque chegava a 1 724 e o número total de feridos a 12 896 (fonte: http://www.antiwar.com/casualties/)&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Fonte clique&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2005-08,a1141"&gt; aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-3910686436985093957?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/3910686436985093957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=3910686436985093957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/3910686436985093957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/3910686436985093957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/01/o-que-estamos-fazendo-no-iraque.html' title='O que estamos fazendo no Iraque?'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-7793935172616759488</id><published>2009-01-05T07:03:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T07:04:52.499-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Pelos breves momentos de solidariedade</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: justify;"&gt;Pelos breves momentos de solidariedade&lt;/h1&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="olho"&gt;As omissões da história oficial norte-americana oferecem uma imagem distorcida do passado e induzem ao erro em relação ao presente. O futuro se encontra mais em alguns episódios de resistência que foram enterrados do que nos séculos de guerras tão solidamente presentes em nossas memórias&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="autor"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Howard-Zinn_"&gt;Howard Zinn&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Por detrás de cada “fato” enunciado por um professor, há sempre uma opinião – aquela que consiste em afirmar que aquele fato é importante e os outros devem ser descartados&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;No final da década de 70, quando decidi me lançar a este projeto (o de escrever &lt;i&gt;A People’s History of the United States&lt;/i&gt;), já fazia vinte anos que ensinava história no Spellman College, uma universidade para moças negras, em Atlanta. Antes, participara do movimento pelos direitos civis, no sul dos Estados Unidos. Seguiram-se dez anos de luta contra a guerra do Vietnã. Em matéria de “neutralidade”, é pouco o que essas experiências contribuem para com um historiador, seja ele professor, ou escritor.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Entretanto, meu senso crítico já se desenvolvera bem antes, pois fui educado numa família de imigrantes da classe operária, em Nova York; depois, por três anos, trabalhando num estaleiro naval e em seguida, durante a II Guerra Mundial, pela experiência a bordo de um avião bombardeiro da Força Aérea que decolava da Inglaterra para lançar bombas na Europa, inclusive na costa atlântica da França.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Terminada a guerra, fui beneficiado pela medida que permitiu o acesso à educação superior gratuita a milhões de ex-combatentes, entre os quais todos os filhos de trabalhadores que, sem essa sorte, não teriam podido pagar por seus estudos&lt;span class="texto_desc" title="No dia 22 de junho de 1944, foi aprovada nos Estados Unidos a GI Bill (Lei do Soldado), que tinha por objetivo 'oferecer uma ajuda do governo federal aos ex-combatentes da II Guerra Mundial que desejassem desenvolver uma profissão na vida civil'. Esse programa (uma espécie de ensino gratuito) abriria as portas da universidade a muitos cidadãos norte-americanos de origem humilde. Nos dias de hoje, o cumprimento do serviço militar muitas vezes é um meio que permite a cidadãos menos favorecidos freqüentarem, posteriormente, um curso superior, o que de outra forma lhes seria impossível, devido aos preços inacessíveis das universidades nos Estados Unidos."&gt;&lt;b&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. Fiz minha tese de doutorado na Universidade de Columbia, mas, graças à minha experiência de vida, sabia que o que aprendera na faculdade descartava alguns elementos cruciais da história dos Estados Unidos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Sem ilusões sobre a objetividade&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quando comecei a dar aulas e a escrever, não alimentava quaisquer ilusões sobre o que era “a objetividade”: evitar manifestar um ponto de vista. Eu sabia, na verdade, que um historiador (ou um jornalista, ou qualquer pessoa que conte uma história) é obrigado a optar, em meio a um número infinito de fatos, entre os que devem ser apresentados e os que convém que sejam omitidos. E que, ao fazê-lo, de maneira consciente ou inconsciente, ele reflete seus interesses.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Alguns professores e políticos repetem, insistentemente, que os alunos devem “aprender os fatos”. Isso me recorda a figura pedante de Gradgrind, no livro &lt;i&gt;Hard Times&lt;/i&gt;, de Dickens, repreendendo um jovem professor: “Ensine somente os fatos, os fatos, os fatos.” No entanto, por detrás de cada “fato” enunciado por um professor, por um escritor ou por qualquer pessoa, há sempre uma opinião – aquela que consiste em afirmar que aquele fato é importante e os outros devem ser descartados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Na história oficial, que domina a cultura norte-americana, existem, em minha opinião, questões de uma importância fundamental que não consigo encontrar. Essas omissões nos oferecem uma imagem distorcida do passado, mas – o que é mais grave – nos induzem ao erro em relação ao presente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O “interesse comum”&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Esse sistema de governo a serviço das necessidades dos ricos e poderosos se perpetuou ao longo de toda a história dos Estados Unidos. Até o dia de hoje&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tomemos, por exemplo, a noção de classe social. A cultura dominante (presente na educação, na vida política, nos meios de comunicação) sugere que nossa sociedade seria desprovida de classes e que temos um único interesse, o interesse comum. No preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos consta: “&lt;i&gt;We, the people&lt;/i&gt;” (&lt;i&gt;Nós, o povo&lt;/i&gt;). Trata-se de uma expressão enganosa. Em 1787, a Constituição foi redigida, na realidade, por 55 homens, todos brancos, todos senhores de escravos ou comerciantes dispostos a criar um tipo de autoridade capaz de defender os interesses de sua classe.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Esse sistema de governo a serviço das necessidades dos ricos e poderosos se perpetuou ao longo de toda a história dos Estados Unidos. Até o dia de hoje. A linguagem normalmente utilizada leva a crer que todos (ricos, pobres e classe média) têm um interesse comum. Quando se fala da nação, por exemplo, utilizam-se termos universais. Quando declara, sorridente, que nossa economia “vai bem”, o presidente não está levando em consideração que 50 milhões de pessoas fazem o que podem para sobreviver, enquanto a classe média vai se virando e o 1% da população que detém 40% da riqueza da nação, esse sim, de fato, vai muito bem.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Ação maciça de mentiras&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O interesse de classe dos governantes foi sempre dissimulado por trás de um véu chamado “o interesse nacional”. Minha própria experiência da guerra, assim como a história de todas as intervenções militares norte-americanas, desperta meu ceticismo sempre que ouço algum alto dirigente falar do “interesse nacional” ou da “segurança nacional” para justificar suas políticas. Foi com justificativas desse tipo que Harry Truman lançou, em 1950, o que chamou uma “ação de polícia” na Coréia e que fez vários milhões de vítimas; que Lyndon Johnson e Richard Nixon travaram, na Indochina, outra guerra igualmente sangrenta; que Ronald Reagan invadiu a ilha de Granada em 1983; que o pai do atual presidente bombardeou o Panamá, em 1989, e o Iraque, dois anos depois; e que William Clinton, por sua vez, também bombardeou o Iraque em 1993.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O “novo Bush” nos explicou que iria, em nome do interesse nacional, invadir e bombardear o Iraque. A idéia era tão absurda que só conseguiu ser aceita nos Estados Unidos devido à ação maciça de mentiras que, desfechadas pelo governo e pelos meios de comunicação, envolveram o país inteiro. Mentiras a respeito das “armas de destruição em massa”, mentiras a respeito de vínculos entre o Iraque e a Al-Qaida... O número crescente de norte-americanos que começam a perceber a amplitude dessa falsidade explica a atual queda de popularidade de George W. Bush. E esse recuo ocorre apesar da estreita colaboração entre o governo e os meios de comunicação, o que, em geral, caracteriza muito mais um Estado totalitário do que uma democracia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Fatos silenciados&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;O interesse de classe dos governantes foi sempre dissimulado por trás de um véu chamado “o interesse nacional”&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A perspectiva de uma guerra breve e indolor já se evaporou. Várias centenas de soldados norte-americanos morreram e mais de mil, talvez dois mil, foram feridos. Num canal insignificante da televisão a cabo (uma grande emissora não divulgaria esse tipo de coisa), a atriz Cher contou o que viu quando foi, recentemente, a um hospital de Washington: combatentes que haviam perdido os braços, ou as pernas, homens muito jovens mutilados para o resto da vida. E Cher resolveu questionar os motivos para esta guerra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tentamos informar os norte-americanos sobre os fatos que são objeto do silêncio dos meios de comunicação. Tais como, por exemplo, os cerca de 30 mil civis iraquianos que foram mortos durante operações breves, mas sangrentas. Graças à Internet e às estações de rádio progressistas, estamos também tentando explicar as modalidades de ocupação do Iraque: a invasão violenta dos lares, a prisão de inocentes – de todas as idades –, ou o lançamento de bombas de 250 e de 500 quilos sobre bairros residenciais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Fervor nacionalista&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quando decidi escrever &lt;i&gt;A People’s History of the United States&lt;/i&gt;, optei por contar a história das guerras da nação, mas não a partir da perspectiva dos generais ou dos líderes políticos e, sim, da visão de jovens trabalhadores transformados em soldados e de seus pais e esposas que, um belo dia, recebiam telegramas com tarjas pretas nas bordas. Queria contar a história das guerras norte-americanas, mas do ponto de vista dos “inimigos”: os mexicanos, cujo país foi invadido, os cubanos, cujo território foi anexado em 1898, os filipinos, submetidos a uma guerra abominável e devastadora no início do século XX – durante a qual morreram 600 mil pessoas que se opunham aos Estados Unidos, determinados, na época, a conquistar o país.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Um fenômeno me incomodou desde que comecei a estudar história. E agora tento explicá-lo em meus livros. É o modo pelo qual o fervor nacionalista (que nos inculcam desde a infância, impondo-nos o juramento de fidelidade à bandeira&lt;span class="texto_desc" title="N.R.: O juramento, que é recitado em todas as escolas norte-americanas, proclama a fidelidade 'à bandeira dos Estados Unidos e à República, da qual é o símbolo. Uma nação indivisível, dirigida por Deus (under God), com liberdade e justiça para todos'."&gt;&lt;b&gt;&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; , a veneração do hino nacional e uma retórica “patriótica” muito dirigida) impregna o sistema educacional de todos os países. Fico me perguntando o que seria a política externa dos Estados Unidos se fossem apagadas, pelo menos de nossos espíritos, todas as fronteiras do mundo e considerássemos cada criança como nosso filho, fosse ele de onde fosse. Nessa situação, seria impensável jogar uma bomba atômica em Hiroshima, ou napalm no Vietnã, no Afeganistão ou no Iraque.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Um genocídio apagado&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Tentamos informar os norte-americanos sobre os fatos que são objeto do silêncio dos meios de comunicação&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quando assumi a redação de meu livro, estava sob a influência do que vivera até então: primeiramente morando com meus pais, numa comunidade negra do sul do país; depois, ensinando numa universidade de moças negras e militando contra a segregação racial. Compreendi que a história, tal como nos é ensinada, relegava sempre para segundo plano, e até excluía do contexto, quem não tivesse a pele branca. É verdade que os índios são mencionados, ainda que como figurantes, e rapidamente esquecidos; os negros têm direito a uma aparição, como escravos, depois como homens supostamente libertados. Mas o papel principal é sempre do homem branco.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Da escola primária ao ginasial, ninguém permitiu que eu entendesse a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo como sinônimo de um genocídio que exterminou a população indígena de Hispaniola&lt;span class="texto_desc" title="A Ilha de São Domingos (atualmente, República Dominicana e Haiti)."&gt;&lt;b&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. Ninguém me explicou que se tratava da primeira etapa da expansão, supostamente generosa, de uma nova nação, mas que essa expansão significava, na realidade, a expulsão brutal dos índios de quase todo o continente, que ela seria edificada sobre terríveis atrocidades, ao final das quais os sobreviventes seriam mantidos em reservas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;“Era progreessista”&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Ensina-se a todos os alunos das escolas norte-americanas o massacre de Boston, que ocorreu às vésperas da guerra da independência contra a coroa inglesa. Cinco cidadãos norte-americanos foram mortos, nessa ocasião, em 1770, por soldados britânicos. Mas quantos alunos sabem que 600 pessoas da tribo dos Péquot (homens, mulheres e crianças), na Nova Inglaterra, foram massacradas em 1637? Ou que centenas de famílias indígenas foram dizimadas, durante a guerra da Secessão, no Colorado, por soldados norte-americanos?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Durante o tempo em que estudei história, nunca ouvi falar dos constantes massacres de negros, perpetrados no silêncio ensurdecedor de um governo assoberbado em seu orgulho de possuir uma Constituição que garante a igualdade de direitos. Em 1917, por exemplo, estourou na Zona Leste da cidade de Saint Louis uma das inúmeras revoltas raciais do período que nossos livros de história (dos brancos) chamam a “era progressista”. Operários brancos, indignados com a chegada de operários negros, assassinaram cerca de 200 pessoas. Um negro norte-americano, W.E.B. Du Bois, escreveu um artigo célebre sobre o assunto, “&lt;i&gt;The Massacre of East St. Louis&lt;/i&gt;”. Na época, Josephine Baker declarou: “A própria idéia dos Estados Unidos da América me faz tremer.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Uma história escondida&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Compreendi que a história, tal como nos é ensinada, relegava sempre para segundo plano, e até excluía do contexto, quem não tivesse a pele branca&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Ao escrever &lt;i&gt;A People’s History of the United States&lt;/i&gt;, eu esperava desfechar uma conscientização dos conflitos de classe, da injustiça racial, da desigualdade dos sexos e da arrogância norte-americana. Mas também queria expor a resistência ao poder do &lt;i&gt;establishment&lt;/i&gt;, a recusa dos índios em morrer e desaparecer, a rebelião dos negros contra a escravatura e, depois, contra a segregação, as greves organizadas pela classe operária.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Isto porque, omitir essas ações de resistência, essas vitórias – ainda que limitadas – dos “João Ninguém” norte-americanos, significaria fazer crer que o poder está exclusivamente nas mãos dos que têm armas de fogo ou possuem riquezas. Tentei lembrar que as pessoas que aparentemente nada possuem (trabalhadores, negros, mulheres), quando se organizam e protestam em escala nacional, assumem um poder que governo algum pode reprimir com facilidade. Não quero inventar vitórias populares onde elas não existem. Mas achar que escrever um livro de história se resume a enumerar uma ladainha de fracassos significa fazer dos historiadores meros colaboradores de uma espiral regressiva, aparentemente inexorável.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Se a história pretende ser criativa, antecipando um futuro possível sem, entretanto, negar o passado, é necessário, em minha opinião, destacar as novas possibilidades e revelar todos esses episódios enterrados, por ocasião dos quais muitas pessoas mostraram sua capacidade de resistir, ainda que às vezes de forma breve, de se unir – e, às vezes, de vencer. Parto do pressuposto, ou talvez da esperança, de que nosso futuro se encontra mais nos momentos de solidariedade escondidos em nosso passado do que nos séculos de guerras tão solidamente presentes em nossas memórias.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;(Trad.: &lt;b&gt;Jô Amado&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;1 - No dia 22 de junho de 1944, foi aprovada nos Estados Unidos a &lt;i&gt;GI Bill&lt;/i&gt; (Lei do Soldado), que tinha por objetivo “oferecer uma ajuda do governo federal aos ex-combatentes da II Guerra Mundial que desejassem desenvolver uma profissão na vida civil”. Esse programa (uma espécie de ensino gratuito) abriria as portas da universidade a muitos cidadãos norte-americanos de origem humilde. Nos dias de hoje, o cumprimento do serviço militar muitas vezes é um meio que permite a cidadãos menos favorecidos freqüentarem, posteriormente, um curso superior, o que de outra forma lhes seria impossível, devido aos preços inacessíveis das universidades nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;2 - N.R.: O juramento, que é recitado em todas as escolas norte-americanas, proclama a fidelidade “à bandeira dos Estados Unidos e à República, da qual é o símbolo. Uma nação indivisível, dirigida por Deus (&lt;i&gt;under God&lt;/i&gt;), com liberdade e justiça para todos”.&lt;br /&gt;3 - A Ilha de São Domingos (atualmente, República Dominicana e Haiti).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Fonte clique &lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2004-01,a825"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-7793935172616759488?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/7793935172616759488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=7793935172616759488&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7793935172616759488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7793935172616759488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/01/pelos-breves-momentos-de-solidariedade.html' title='Pelos breves momentos de solidariedade'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5490079702465540093</id><published>2009-01-05T07:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T07:03:27.040-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>A derradeira traição</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: justify;"&gt;A derradeira traição&lt;/h1&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="olho"&gt;Mandar rapazes e moças para o outro lado do mundo, equipados com as armas mais terríveis que existem ? e que, no entanto, não os põem a salvo de ações de guerrilheiros que os irão deixar cegos ou inválidos ? é a última traição do governo americano para com seu povo e sua juventude&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="autor"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Howard-Zinn_"&gt;Howard Zinn&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Normalmente se omite que, para cada soldado morto, quatro ou cinco foram gravemente feridos&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Não consigo esquecer a foto publicada na primeira página do &lt;i&gt;New York Times&lt;/i&gt;, de 30 de dezembro de 2003, como ilustração de um artigo de Jeffrey Gettleman. Mostrava um rapaz sentado numa cadeira, de frente para os alunos de uma turma de sexta série numa escola de Blairsville, no Estado da Pensilvânia. De pé, a seu lado, estava uma mulher. Não era a professora, mas a mãe do rapaz. Estava ali para o ajudar, pois ele era cego.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Aquele jovem de 24 anos, sargento nos &lt;i&gt;Rangers&lt;/i&gt; do exército, chama-se Jeremy Feldbusch. No dia 3 de abril, quando montava guarda numa barragem do rio Eufrates, teve o rosto atingido pelos estilhaços de uma bomba que explodiu a cerca de trinta metros de onde ele estava. Quando saiu do coma, cinco semanas após ter sido internado num hospital militar, tinha perdido a vista. Duas semanas depois, foi condecorado com as comendas Purple Heart e Bronze Star, mas continuava cego. À cabeceira de sua cama, seu pai disse: “Com certeza, Deus achou que você já tinha visto matanças demais.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Naquele mesmo dia, os jornais noticiavam que 470 soldados norte-americanos já haviam perdido a vida durante aquela guerra. Mas o que normalmente não é dito é que, para cada soldado morto, quatro ou cinco foram gravemente feridos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Tragédias escondidas&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Quantos dos “gravemente feridos” – três mil, ou mais – não voltaram cegos, ou com as pernas ou os braços amputados?&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A expressão “gravemente feridos” está longe de refletir a realidade em todo seu horror. Charlene - a mãe do sargento Feldbusch e que, nos últimos dois meses, passa praticamente todo seu tempo ao lado do marido, à cabeceira do filho ferido - um dia viu uma jovem com uniforme militar que se arrastava pelos corredores do hospital, acompanhada de seu filho de três anos. Tinha as duas pernas amputadas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Charlene chorou. Mais tarde, disse a Gettleman: “Você não imagina o número de vezes que percorri esses corredores, passando por pessoas sem pernas e sem braços, e pensando: ‘Por que não poderia ocorrer isso com meu filho? Por que seus olhos?’”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quantos desses homens “gravemente feridos” – três mil, ou mais, neste momento – não voltaram cegos, ou com as pernas ou os braços amputados? Há pouco tempo, em entrevista ao canal de televisão C-Span, a atriz Cher declarou que havia passado o dia no hospital Walter Reed, de Washington, com soldados que voltavam da guerra. “Quando cheguei ao hospital, a primeira pessoa com que deparei era um rapaz, de dezenove ou vinte anos, que tinha perdido os dois braços. [...] Ali, todo mundo perdeu um braço, ou uma perna, e, às vezes, ambos. [...] Se não existiam motivos para fazer tal guerra, acho que esta é a coisa mais escandalosa que já vi. [...] E também me pergunto por que [...] Cheney, Wolfowitz, Bremer, o presidente, enfim, por que eles não tiram fotografias com toda essa gente? Não compreendo por que escondem tão cuidadosamente essas pessoas. [...] É inacreditável.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em defesa do petróleo&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;A guerra por petróleo foi vendida à opinião pública e aos soldados como se fosse algo que nunca foi&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Mandar esses rapazes e moças para o outro lado do mundo, para o meio de um país estrangeiro, equipados com as armas mais terríveis que existem – e que, no entanto, não os põem a salvo de ações de guerrilheiros que os irão deixar cegos ou inválidos – não constituiria a derradeira das traições cometida por nosso governo para com nossa juventude?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Muitas vezes, os pais compreendem isso antes que seus filhos, ou filhas, e discutem com eles antes de sua partida. Foi o que fez Ruth Aitken, que tentou convencer seu filho que se tratava de uma guerra pelo petróleo, enquanto ele, capitão do exército, afirmava que iria proteger seu país do terrorismo. Morreu no dia 4 de abril, durante um tiroteio nas cercanias do aeroporto de Bagdá. “Ele estava fazendo seu trabalho”, disse ela, antes de acrescentar: “Mas o que me enlouquece é saber que essa guerra toda foi vendida à opinião pública e aos soldados como se fosse algo que nunca foi”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em Baltimore, o pai de Kendall Waters-Bey, sargento dos fuzileiros navais, acenava, diante das câmeras de televisão, com uma foto de seu filho morto, declarando: “Presidente Bush, o senhor me tomou meu único filho.” [...] Em Escondido, na Califórnia, Fernando Suarez del Solar, declarou aos jornalistas que seu filho, cabo dos fuzileiros navais, morreu em defesa do “petróleo de Bush”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Massacre e colapso no Iraque&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;O exército invasor limitou-se a assistir à destruição e pilhagem de monumentos históricos iraquianos&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;É claro que não foram só pais e filhos que foram traídos. O povo iraquiano, a quem se prometera libertar da tirania, viu seu território, já devastado por duas guerras e dez anos de sanções internacionais, atacado pela maior potência militar da história. Os militares norte-americanos anunciaram orgulhosamente essa operação “Choque e Pavor”, que fez mais de dez mil vítimas, entre homens, mulheres e crianças, sem contar milhares de feridos, lançando o país numa situação de colapso total. O exército invasor, tão eficiente quando se trata de destruir, limitou-se a assistir, em seguida, à destruição e pilhagem de monumentos históricos iraquianos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A lista de traições é longa. Este governo traiu as esperanças que o mundo depositava na paz. Após os 50 milhões de mortos da II Guerra Mundial, foi criada a Organização das Nações Unidas e sua Carta de Princípios promete “preservar as gerações futuras do flagelo da guerra”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O povo norte-americano foi traído porque, apesar do fim da guerra fria e do desaparecimento da “ameaça comunista” – que servia para justificar o desvio de trilhões de dólares para o orçamento militar –, continua a pilhagem da riqueza nacional. E continua às custas dos doentes, das crianças, dos idosos, dos sem-teto, dos desempregados, varrendo, dessa maneira, a esperança – nascida após o colapso da União Soviética – de que “os benefícios da paz” pudessem garantir a prosperidade geral.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;História de traições&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;As mentiras começam no passado e chegam hoje aos jovens enviados para a guerra com discursos sobre liberdade e patriotismo&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;E voltemos, para terminar, à derradeira das traições, a traição desses jovens enviados para a guerra com promessas grandiosas e discursos mentirosos sobre a liberdade e a democracia, sobre o dever e o patriotismo. Nossa cultura histórica é muito limitada para permitir que nos lembremos de que essas promessas e mentiras começaram bem longe, em nosso passado nacional.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Rapazes – na verdade, quase crianças, pois todos os exércitos do mundo, inclusive o nosso, sempre foram compostos por crianças – foram atraídos para o exército revolucionário dos Pais Fundadores, inspirados pela retórica grandiosa da Declaração da Independência. Mas compreenderam rapidamente que tinham sido enganados. Enquanto seus uniformes se transformavam em trapos andrajosos e não tinham mais botas, seus oficiais viviam na luxúria e os comerciantes se enriqueciam com a guerra. Milhares deles se amotinaram e alguns foram executados por ordem do general Washington. Terminada a guerra, quando os lavradores endividados da região a oeste de Massachusetts – alguns deles, ex-combatentes – se recusaram a entregar suas terras, foram subjugados pela força das armas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;História clássica da traição desses mesmos que hoje enviam jovens à guerra para matar e morrer. Mas quando os soldados compreendem, se revoltam. Durante a guerra contra o México, milhares de soldados desertaram. Durante a guerra de Secessão, houve um profundo ressentimento quando se viram os ricos pagando para fugir ao alistamento e financistas, como J. P. Morgan, engordando seus lucros à medida que se empilhavam os corpos nos campos de batalha. Os soldados negros que se juntaram ao exército nortista – e tiveram um papel decisivo na vitória da União – voltaram para casa, para a pobreza e o racismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Os veteranos esquecidos&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Depois do Vietnã, cem mil famílias entraram com a ação judicial devido aos efeitos sofridos com o “agente laranja”&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Os veteranos da I Guerra Mundial – que, em grande parte, voltaram para casa inválidos e traumatizados – foram duramente atingidos, doze anos depois, pela Grande Depressão. Vinte mil dentre eles, desempregados e com suas famílias passando fome, marcharam sobre Washington e acamparam na margem oposta do rio Potomac. Exigiam que o Congresso pagasse as compensações financeiras que lhes haviam sido prometidas. Ao invés disso, foram dispersados pelo exército com tiros e gás lacrimogêneo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Talvez com o intuito de fazer com que fossem esquecidos esses terríveis acontecimentos – a menos que fosse devido à euforia pela vitória esmagadora sobre o fascismo –, os soldados desmobilizados da II Guerra Mundial foram beneficiados pelo famoso &lt;i&gt;GI Bill&lt;/i&gt;, que lhes garantiu acesso gratuito aos estudos, empréstimos imobiliários e um seguro de vida com juros razoáveis.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Já os veteranos do Vietnã, de volta ao país, rapidamente compreenderam que o mesmo governo que os jogara numa guerra imoral e inconseqüente, deixando-os traumatizados física e psicologicamente, só pensava em esquecê-los do modo mais rápido possível. Os Estados Unidos espalharam, em várias regiões do Vietnã, o famoso “agente laranja”, um pesticida que provocou centenas de milhares de mortes entre a população vietnamita, assim como cânceres e deformações entre os bebês.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Inúmeros soldados norte-americanos também foram expostos e dezenas de milhares deles, preocupados com doenças que os acometeram e problemas de má-formação em seus bebês recém-nascidos, procuraram ajuda junto ao Departamento de ex-Combatentes. Mas o governo negou qualquer responsabilidade. No entanto, foi aberto um processo contra a Dow Chemical, que produzia aquele desfolhante químico, que terminou num acordo amigável no valor de 180 milhões de dólares. Como cada família recebeu mil dólares, é possível supor que mais de cem mil famílias tenham entrado com a ação judicial devido aos efeitos sofridos com o “agente laranja”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Herança amarga da guerra&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Os que voltam cegos ou inválidos percebem que o governo Bush está cortando orçamentos destinados a ex-combatentes&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Se, por um lado, o governo gasta centenas de bilhões de dólares com a guerra, por outro, não dispõe de dinheiro para ajudar os veteranos do Vietnã que vivem na rua, que apodrecem nos hospitais militares, que sofrem perturbações psicológicas e se suicidam em proporções assustadoras... É essa a herança amarga da guerra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Após a guerra do Golfo de 1991, o governo norte-americano vangloriava-se de que, enquanto do lado iraquiano o número de vítimas fora de quase 100 mil, as vítimas do lado norte-americano haviam sido de apenas 148 soldados. O que o governo não revelou à opinião pública foi que 200 mil veteranos entraram com ações na justiça devido a doenças ou ferimentos adquiridos em conseqüência dessa guerra. Durante os doze anos que se seguiram, 8.300 ex-combatentes morreram e o Departamento de ex-Combatentes recebeu – e aceitou – 160 mil ações reivindicatórias por invalidez.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A traição aos soldados e ex-combatentes prossegue com a chamada “guerra ao terrorismo”. As promessas de que os libertadores norte-americanos seriam recebidos com flores se evaporaram e soldados são diariamente assassinados pela guerrilha iraquiana, o que significa claramente que eles não são bem-vindos ao Iraque. Num artigo publicado no final do mês de julho de 2003 pelo &lt;i&gt;Christian Science Monitor&lt;/i&gt;, um oficial da 3ª divisão de Infantaria lotado no Iraque declarava: “Falando francamente, o moral da maioria dos soldados que encontrei estava muito baixo”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;E os que voltam vivos, mas cegos ou inválidos, percebem que o governo Bush está cortando os orçamentos destinados a ex-combatentes. Embora siga agradecendo aos que estão servindo no Iraque, Bush continua, em seu discurso sobre o estado da União, a omitir o número dos que voltaram gravemente feridos dessa guerra cada vez mais impopular.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Para não esquecer&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;O que nos pedem hoje os veteranos que voltam dessa guerra é que as pessoas não esqueçam&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A visita-relâmpago que o presidente fez ao Iraque por ocasião do Dia de Ação de Graças, e que a imprensa transmitiu com tanta generosidade, foi interpretada de maneira bastante distinta por uma enfermeira militar da base de Landstuhl, na Alemanha, para onde são encaminhados os feridos. Eis o que ela diz: “Minha ‘ação de graças presidencial’ foi um pouco diferente. Eu a passei num hospital para dar assistência a um jovem tenente de West Point ferido no Iraque. [...] Quando ele apertava os olhos com seus punhos, balançando a cabeça para trás e para a frente, parecia um garotinho. Todos os meus dezenove feridos de hoje parecem garotinhos, mas perderam uma perna, um braço, a visão e até coisas mais graves. [...] Realmente, foi uma pena que Bush não pudesse convidar-nos para a festa. [...] Os rapazes concordam comigo, mas vocês jamais irão ler isso nos jornais.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quanto a Jeremy Feldbush, que ficou cego nessa guerra, Blairsville, uma velha cidade mineira de 3.600 habitantes, festejou sua volta e o prefeito o cumprimentou. Lembrou-me o protagonista do livro &lt;i&gt;Johnny got his gun&lt;/i&gt;, de Dalton Trumbo&lt;span class="texto_desc" title="Ler, de Dalton Trumbo, Johnny s’en va-t-en guerre (edição francesa), ed. Actes Sud, Arles, 2004. Publicado anteriormente por Editions Solin, Paris, 1987, e Editions du Seuil, Paris, 1993."&gt;&lt;b&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; , um soldado cego e sem as duas pernas. Estendido em sua maca, sem conseguir falar ou ouvir, ele relembra a festa organizada em sua cidade por ocasião de sua partida para a guerra e de todos os belos discursos sobre a honra de combater em defesa da liberdade e da democracia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Quando, finalmente, consegue uma forma de se comunicar em código Morse por meio de movimentos com a cabeça, ele pede às autoridades que o levem a todas as salas das escolas do país para mostrar às crianças a realidade da guerra. Mas as autoridades não respondem. “Naquele instante terrível, ele compreendeu tudo. Elas só queriam uma coisa: esquecê-lo.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;De certa maneira, o livro de Trumbo nos pedia – como fazem hoje os veteranos que voltam dessa guerra – que as pessoas não esqueçam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;(Trad.: &lt;b&gt;Jô Amado&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;1 - Ler, de Dalton Trumbo, &lt;i&gt;Johnny s’en va-t-en guerre&lt;/i&gt; (edição francesa), ed. Actes Sud, Arles, 2004. Publicado anteriormente por Editions Solin, Paris, 1987, e Editions du Seuil, Paris, 1993.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Fonte clique &lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2004-04,a902"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5490079702465540093?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5490079702465540093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5490079702465540093&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5490079702465540093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5490079702465540093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/01/derradeira-traio.html' title='A derradeira traição'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5375025266048896541</id><published>2009-01-05T06:54:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T06:58:05.390-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>“Barões ladrões”, há cem anos...</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Artigo orginalmente publicado no dia &lt;/span&gt;1º de setembro de 2002&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;“Barões ladrões”, há cem anos...&lt;/h1&gt;  &lt;div style="text-align: justify;" class="olho"&gt;O historiador norte-americano Howard Zinn lembra, num livro recém-lançado na França, o final do século XIX, marcado, em seu país, pela ditadura econômica e social dos “barões ladrões”. A importância da obra tornou-se ainda maior com os novos escândalos financeiros sacodem os EUA. O &lt;b&gt;Diplô&lt;/b&gt; reproduz algumas páginas&lt;/div&gt;  &lt;p class="autor"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Howard-Zinn_"&gt;Howard Zinn&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h4&gt;Na virada do século, a AT &amp;amp; T detinha o monopólio da rede telefônica, enquanto a International Harvest controlava 85% do mercado de material agrícola&lt;/h4&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Nos manuais de história norte-americanos, encontram-se poucos vestígios dos conflitos de classes do século XIX. Os períodos anterior e posterior à Guerra de Secessão (1860-1865) costumam ser abordados apenas sob o ponto de vista das questões políticas, eleitorais ou raciais. Mesmo quando tratam das relações sociais e econômicas, esses manuais concentram-se na função presidencial e perpetuam, dessa forma, o tradicional enfoque em nossos “heróicos dirigentes”, em detrimento das lutas populares.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Alexis de Tocqueville declarou-se surpreso pela “igualdade quase completa de condições” entre os norte-americanos. Seu amigo Beaumont lembra que ele não era muito bom em cálculo. Na Filadélfia, contavam-se em média 55 famílias operárias por imóvel e, na maioria das vezes, havia uma família por cômodo, sem coleta de lixo, sem banheiro, sem ventilação e sem torneiras. A água corrente, bombeada do rio Schuylkill, destinava-se exclusivamente às residências dos ricos. Em Nova York, podiam-se ver miseráveis dormindo pela calçada. Nos casebres, não existia sistema algum para eliminar a água suja, que, depois de escorrer pelos quintais e vielas, inundava os porões onde moravam os mais pobres dos pobres. A cidade viveu uma epidemia de febre tifóide em 1837 e outra de tifo em 1842. Durante uma epidemia de cólera que atingiu a Filadélfia, em 1832, os ricos abandonaram a cidade, mas os pobres ficaram e morreram em grande número.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;De acordo com um relatório do Senado do início do século XX, Morgan, no auge de sua glória, pertencia a 48 diretorias de empresas; e Rockefeller, a 37&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em todos os setores industriais, astuciosos e eficientes homens de negócios erguiam impérios, livravam-se da concorrência, mantinham preços elevados e salários baixos, aproveitando-se do apoio financeiro dos poderes públicos. Esses industriais foram os primeiros beneficiários do chamado “Estado de bem-estar social”. Na virada do século, a American Telephone and Telegraph detinha o monopólio da rede telefônica nacional, enquanto a International Harvest detinha 85% do mercado de material agrícola. Em todos os setores, os recursos eram cada vez mais concentrados e controlados. Os bancos tinham dinheiro aplicado em tantos trustes, que promoveram uma rede de grandes empresários que, ao mesmo tempo, eram membros da diretoria de outras empresas. De acordo com um relatório do Senado do início do século XX, Morgan, no auge de sua glória, pertencia a 48 conselhos de administração; e Rockefeller, a 37.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Teoricamente neutro, o Estado servia os interesses dos mais ricos, reprimia a revolta dos desfavorecidos e adotava políticas destinadas a garantir a estabilidade do sistema. Quando o democrata Grover Cleveland se candidatou à Presidência, em 1884, pensava-se que, ao contrário do Partido Republicano, cujo candidato defendia os ricos, ele se oporia ao poder dos monopólios e das grandes empresas. Mas quando Cleveland foi eleito, um dos grandes empresários da época lhe telegrafou dizendo que tinha “o sentimento de que os interesses da elite dos negócios [estariam], com ele, em boas mãos”. Não se enganava. O próprio Cleveland fez questão de tranqüilizar os industriais: “Durante todo o tempo em que eu for presidente, nenhuma medida administrativa prejudicará os interesses dos negócios. A transferência do Executivo de um partido para outro não significa mudanças muito grandes.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Teoricamente neutro, o Estado servia os interesses dos ricos, reprimia os desfavorecidos e adotava políticas que garantissem a estabilidade do sistema&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;A campanha fora parecida com as outras: a mesma vontade de dissimular as semelhanças fundamentais entre os dois partidos, insistindo na personalidade dos candidatos, na maledicência e em outras bobagens. Henry Adams, observador impiedoso de sua época, escreveu a um de seus amigos que a vida política era ainda “mais estranha do que se poderia imaginar. O mais engraçado é que ninguém trata dos verdadeiros problemas. A imprensa lançou-se num debate hilariante para saber se Cleveland tem um filho ilegítimo e mais de uma amante”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em 1887, quando o Tesouro norte-americano apresentava um superávit, Cleveland vetou um decreto que previa conceder cem mil dólares aos agricultores do Texas, vítimas da seca. “Em ocasiões como essas”, declarou, “a ajuda federal incentiva a expectativa de um apoio governamental paternal e enfraquece o vigor do caráter nacional.” No mesmo ano, Cleveland utilizou esse excedente em ouro para pagar, 28 dólares acima de seu valor, títulos na posse de indivíduos que, eles sim, não estavam passando necessidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;O republicano Benjamin Harrison sucedeu Cleveland entre 1889 e 1893. Foi descrito nos seguintes termos em &lt;i&gt;The Políticos&lt;/i&gt;, pitoresco estudo dos anos posteriores à Guerra de Secessão: “Harrison tinha a particularidade única de ter servido às companhias ferroviárias tanto como advogado como soldado. Depois de ter organizado e comandado o destacamento de soldados durante a greve [de 1887], perseguiu os grevistas na Justiça Federal.” Votada em 1980, a Lei Sherman, antitruste, pretendia “proteger as trocas e o comércio contra concentrações ilegais” e proibir a constituição de qualquer “aliança ou coalizão” que pudesse por em risco as trocas entre os Estados ou o comércio internacional. O redator da lei explicava: “É verdade que em outros tempos também havia monopólios, mas nunca como os gigantes de hoje. Vocês devem ouvir a voz [dos adversários] ou terão o socialismo, o comunismo, o niilismo.” Quando Cleveland foi reeleito presidente, em 1892, o grande magnata Andrew Carnegie, então na Europa, recebeu a seguinte carta do diretor-geral de suas usinas siderúrgicas: “Sinto muito pelo presidente Harrison, mas não vejo em quê nossos interesses poderiam ser afetados por essa mudança de governo.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Quando o democrata Grover Cleveland se candidatou à Presidência, pensou-se que, ao contrário dos republicanos, ele se oporia ao poder dos monopólios&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Envolta na toga negra e austera da Justiça, a Suprema Corte também servia a elite dirigente. Como poderia ela ser independente, se seus membros – freqüentemente veteranos homens da lei saídos das mais altas esferas da sociedade – eram nomeados pelo presidente e confirmados pelo Senado? Em 1893, um deles, o juiz David J. Brewer, declarou à Associação dos Advogados do Estado de Nova York: “É uma lei inquestionável que a riqueza de toda a comunidade fique nas mãos de poucas pessoas. [...] A grande maioria dos homens é incapaz de suportar esse sacrifício permanente que é o único que permite acumular riquezas. [...] Desse modo, amanhã como ontem - a menos que a natureza humana mude profundamente – a riqueza da nação continuará nas mãos de alguns eleitos, enquanto a massa da população suprirá as necessidades com seu trabalho diário.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em 1895, a Suprema Corte chegou à conclusão de que a Lei Sherman não impedia o monopólio nas refinarias de açúcar, visto que era exercido na área de produção e não na de comércio do produto. Em compensação, a lei permitiu reprimir as greves atingindo vários Estados ao mesmo tempo, porque, aí, se tratava de entrave ao comércio. Uma tímida tentativa parlamentar destinada a aumentar os impostos sobre rendas altas foi considerada inconstitucional. Em 1895, um banqueiro nova-iorquino brindou a Suprema Corte com a seguinte frase: “Eu vos saúdo, guardiães do dólar, defensores da propriedade privada, inimigos da espoliação, fiadores da República.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;A Suprema Corte sempre serviu a elite dirigente. Como poderia ser independente, se seus membros eram nomeados pelo presidente e confirmados pelo Senado?&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Nos anos 1880-1890, imigrantes vindos da Europa chegavam em grande número. Entre eles, a concorrência econômica era feroz. “Importados” pelas companhias ferroviárias para executar os trabalhos mais ingratos em troca de um salário de fome, os imigrantes chineses representavam aproximadamente um décimo da população californiana em 1880. Sofreram violências constantes. O romancista Bret Harte redigiu o epitáfio de um chinês chamado Wan Lee: “Ele está morto, caríssimos amigos. Morto. Apedrejado nas ruas de São Francisco, no ano da graça de 1869, por uma multidão de adolescentes e estudantes cristãos.” Em Rock Spring (Estado de Wyoming), brancos atacaram quinhentos chineses menores de idade durante o verão de 1885, massacrando a sangue frio 28 deles.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Ainda que muito pequeno e esfacelado pela luta interna, o Socialist Labor Party, fundado em 1887, contribuiu para a sindicalização dos trabalhadores estrangeiros. Em Nova York, os socialistas judeus tinham um jornal. Em Chicago, os revolucionários alemães, em colaboração com alguns norte-americanos radicais, fundaram clubes que queriam a revolução social. Em 1883, em Pittsburgh, houve um congresso anarquista. Seu manifesto afirmava: “Todas as leis são contra os trabalhadores. (...) Mesmo a escola só serve para cultivar nos filhos dos ricos a capacidade necessária para a manutenção de sua dominação de classe. Os filhos dos pobres recebem apenas um ensino elementar e formal, destinado, principalmente, a promover os preconceitos, a arrogância e o servilismo, em suma, a mais completa insensibilidade. A Igreja procura, acima de tudo, transformar os indivíduos em perfeitos imbecis e desviá-los da busca do paraíso na Terra em troca de uma imaginária felicidade celeste. Por sua vez, a imprensa capitalista alimenta a confusão dos espíritos no que se refere à vida política. [...] Portanto, em sua luta contra o sistema vigente, os trabalhadores não devem esperar nenhuma ajuda dos agentes capitalistas. Nenhuma classe privilegiada abdicou voluntariamente, em tempo algum, de sua tirania.” Esse manifesto, que também exigia “direitos iguais para todos, sem distinção de sexo ou de raça”, retomava o Manifesto do Partido Comunista: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!” Todos esses grupos revolucionários, entre os quais existiam muitas divergências doutrinárias, foram, com freqüência, obrigados a se entender por ocasião dos inúmeros conflitos trabalhistas ocorridos na década de 1880.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Em Rock Spring (Estado de Wyoming), brancos atacaram quinhentos chineses menores de idade durante o verão de 1885, massacrando a sangue frio 28 deles&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;No início de 1886, a Texas and Pacific Railroad demitiu um dirigente da assembléia local dos Cavaleiros do Trabalho. Iniciou-se, então, uma greve que logo se estendeu a todo o sudoeste dos Estados Unidos, limitando seriamente o tráfego ferroviário até Saint Louis e Kansas City. Nove jovens – recrutados em Nova Orleans para garantirem a manutenção da ordem e a proteção dos bens da companhia – recusaram-se a continuar sua missão. E declararam: “Na condição de seres humanos, não podemos aceitar trabalhar para tirar o pão da boca de outra pessoa, ainda que esse pão nos fosse recusado.” Detidos a pedido da companhia ferroviária por abuso de confiança, foram condenados a três meses de prisão. Os grevistas passaram à sabotagem. Um telegrama vindo de Atchison (Kansas) anunciava: “De manhã, os vigias do Missouri Pacific Railroad foram surpreendidos por cerca de quarenta homens mascarados. Em seguida, os vigias foram mantidos afastados por um pequeno grupo de homens armados de pistolas [...], enquanto os outros danificavam seriamente doze locomotivas estacionadas nos hangares.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Em abril de 1886, uma batalha feroz estourou entre policiais e grevistas nos bairros do leste de Saint Louis, deixando sete mortos entres os manifestantes. Como represália, os grevistas incendiaram os entrepostos da companhia ferroviária Louisville &amp;amp; Nashville. O governador decretou lei marcial e enviou para o local setecentos soldados da Guarda Nacional. Submetidos a prisões em massa, à violência dos xerifes e seus auxiliares, abandonados pelos trabalhadores mais qualificados e mais bem pagos das Confrarias dos Ferroviários (Railroad Brotherhoods), os grevistas não puderam agüentar por muito tempo. Desistiram depois de alguns meses de luta. Muitos deles passaram a integrar listas negras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4 style="text-align: justify;"&gt;Em abril de 1886, uma batalha feroz estourou entre policiais e grevistas nos bairros de Saint Louis, deixando sete mortos entres os manifestantes&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;No dia 1° de maio de 1886, a American Federation of Labor (AFL), fundada cinco anos antes, convocou para uma greve nacional todos os que tivessem a jornada de oito horas recusada. Em Chicago, no Haymarket, um destacamento de policiais avançou para ordenar aos oradores que acabassem com a reunião. O orador respondeu que já estava terminando. Então, uma bomba explodiu no meio dos policiais, deixando setenta feridos, dos quais sete acabaram morrendo. A polícia reagiu atirando na multidão, matando, por sua vez, várias pessoas e deixando duzentos feridos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Foram presos oito dirigentes anarquistas de Chicago. Só um deles estava presente no Haymarket, naquela noite. O júri os julgou culpados e os condenou à morte. Houve manifestações na França, na Holanda, na Rússia, na Itália e na Espanha. Em Londres, George Bernard Shaw, William Moriss e Piotr Kropotkin participaram de uma manifestação de protesto. Shaw reagiu da seguinte maneira ao fato da Suprema Corte de Illinois ter recusado o recurso contra a sentença: “Se o mundo deve, necessariamente, perder oito habitantes, que sejam os oito juízes da Suprema Corte de Illinois.”&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="spip"&gt;Um ano depois desse processo, quatro dos anarquistas condenados – Albert Parsons (tipógrafo), August Spies (tapeceiro), Adolph Fischer e George Engel – foram enforcados. Louis Lingg, um jovem carpinteiro de 21 anos, matou-se em sua cela com uma banana de dinamite. Os outros três continuaram presos até receber o indulto. Em todo o país, a cada ano, organizaram-se manifestações em memória dos mártires do Haymarket. Bem mais tarde, em 1968, um grupo de jovens radicais explodiu o monumento de Chicago dedicado aos policiais mortos em 1886.&lt;/p&gt;  &lt;p class="spip"&gt;(Trad.: &lt;b&gt;Denise Lotito&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;&lt;p class="spip"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="spip"&gt;Retirado da página do Le Monde-visite clicando &lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2002-09,a429"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5375025266048896541?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5375025266048896541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5375025266048896541&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5375025266048896541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5375025266048896541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2009/01/bares-ladres-h-cem-anos.html' title='“Barões ladrões”, há cem anos...'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5818491530180678039</id><published>2008-12-28T05:40:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T05:44:22.168-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Uma entrevista de 2004.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;        &lt;b&gt;          &lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Entrevista de Howard Zinn          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;          a Miguel Álvarez Sánchez, de           &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: georgia;"&gt;           Contracorriente&lt;br /&gt;Entrevista originalmente publica no dia &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;23-11-2004 &lt;/div&gt; &lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;       &lt;br /&gt;       &lt;/span&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;       &lt;img src="http://resistir.info/eua/imagens/howard_zinn2.jpg" alt="Howard Zinn." align="right" /&gt;        &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Vamos começar por falar de livros.        &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       Howard Zinn: Está bem.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente.: Porque escreveu a História popular dos Estados Unidos ?        &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       HZ: Escrevi-a porque estava a dar aulas de História, aulas de        História Norte-americana,  e procurava um livro que representasse o meu        ponto de vista.  Isto foi nos anos 70, depois dos movimentos sociais dos anos        60 e desses movimentos sociais criarem o desejo por um ponto de vista que fosse        diferente do dos livros tradicionais, ortodoxos.  Foi depois do movimento pelos        direitos cívicos, depois da Guerra do Vietname, que as pessoas se        tornaram mais críticas da política interna, da política        externa;   mas não havia livros de História Geral dos Estados        Unidos que reflectissem essa nova ideia, essa nova crítica.         Então, eu procurava um  livro assim, as pessoas perguntavam-me se        conhecia algum, pessoas que tinham participado no movimento dos anos 60        pediam-me que lhes recomendasse um livro que tivesse um ponto de vista radical        e pensei, não, na realidade não sei de nenhum;  então        decidi:  “Vou escrevê-lo”.  Às vezes é por isso        que se escrevem livros, procura-se um livro, não há e escreve-se.         Escrevi-o porque queria contar a história dos Estados Unidos,        não do ponto de vista dos presidentes, nem do Supremo Tribunal, nem do        Congresso;  esta era a forma tradicional, a história tradicional...         Olhe, é que tudo se baseia nos presidentes.  É irónico        porque se se pressupõe que somos uma democracia, não se pode        pressupor que devemos exaltar o líder máximo;  mas aqui os        historiadores diziam: Oh, devemos falar dos próceres, sobre George        Washington, sobre John Adams, devemos falar sobre Jefferson e Lincoln, etc,        etc.  E sobre as pessoas comuns?  Todos estes historiadores ortodoxos contam a        história do desenvolvimento económico norte-americano mas sempre        a partir do ponto de vista dos heróis da indústria: Carnegie        Rockfeller, Morgan;  foram eles que fizeram a grandeza dos Estados Unidos.  Mas        estes historiadores não dizem nada sobre as pessoas que trabalharam na        refinaria de petróleo de Rockfeller, as pessoas que trabalharam nas        siderurgias de Carnegie, as pessoas que trabalharam nos caminho de ferro.        Imigrantes irlandeses, imigrantes chineses que trabalharam muitas horas, com um        salário baixo e muitos morreram.  Estas pessoas foram omitidas da        história e eu criei-me numa família de classe humilde.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       Comecei a trabalhar aos 18 anos num estaleiro naval.  Normalmente, nas        famílias da classe média e, naturalmente, nas famílias da        classe alta, quando se tem 18 anos, vai-se para a universidade,  mas quem        pertence a uma família da classe humilde vai trabalhar.  Fui trabalhar        para um estaleiro e aí comecei a interessar-me pela pessoas        trabalhadoras, pela leitura, e comecei, com outros jovens, a organizar os        trabalhadores do estaleiro, de modo que tomei consciência e interessei-me        pelo movimento dos trabalhadores.  Por isso queria escrever a história        dos Estados Unidos trazendo à luz os trabalhadores, as lutas        operárias, as greves...  A maioria dos jovens que vão para a        escola nos Estados Unidos não aprendem que houve grandes greves, que        foram as lutas operárias que ganharam a implantação da        jornada laboral de 8 horas.  Se não se conhecem essas greves, essas        lutas, pensar-se-á que aquela jornada foi estabelecida pelo Congresso, o        Presidente ou, quem sabe?, Deus.  Mas não, esta ganhou-se graças        às lutas dos trabalhadores, daí eu querer escrever sobre isso.         Também os negros foram omitidos, porque embora se falasse de        escravatura, realmente não se falava do ponto de vista dos escravos e,        inclusivamente, nos anos 30 até saiu um livro famoso de História        Norte-americana, escrito por dois famosíssimos professores de Harvard e        de Columbia, em que se dizia que o esclavagismo foi útil porque preparou        os negros para a liberdade.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Quem é Howard Zinn?  É um radical?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Espero que sim, mas a palavra radical é frequentemente mal        utilizada.  Nos Estados Unidos tem-se uma ideia muito vaga do que é ser        radical e,  por vezes usam a palavra radical como extremista; para mim a        palavra radical significa chegar à raiz do problema, mais profundamente        que a crítica comum.  Por exemplo, esta é a diferença        entre um ponto de vista liberal e um ponto de vista radical...        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Qual é a diferença?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       Dou-lhe alguns exemplos da diferença: de um ponto de vista liberal        diria: “Vamos dar melhor seguro de saúde a mais pessoas; vamos,        talvez, dar mais incentivos aos empresários para que proporcionem mais        benefícios de saúde aos seus empregados”.  De um ponto de        vista radical diria: “não vamos mais através dos        empresários nem das companhias de seguros, vamos pôr a        saúde grátis para todos”.  Agora outro exemplo da        actualidade.  De um ponto de vista é: “Bom a guerra do Iraque        não está a ir bem, há uma forma melhor de combater, vamos        envolver mais países...”        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Essa é a abordagem de Kerry.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Exactamente, essa é a abordagem de Kerry: “Vamos        envolver as Nações Unidas”.  A lógica é        extraordinária, se a guerra é imoral, vamos deixar que mais        pessoas se unam a esta imoralidade.  De um ponto de vista radical, se a guerra        é imoral, saiam do Iraque, parem a guerra.  Enfrentámos esta        mesma situação durante a Guerra do Vietname...        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Diga-nos qualquer coisa sobre o período do Vietname.  O         que significou para o povo norte-americano?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Bom, para os norte-americanos, o período do Vietname foi        algo sem precedentes na história norte-americana.  Nada como isto havia        acontecido antes, com o que quero dizer que não houve movimento contra a        guerra que fosse tão amplo, tão grande, como no tempo do        Vietname.  Nas guerras levadas a cabo pelos Estados Unidos sempre tivemos        dissidentes, rebeldes que protestavam, inclusivamente na guerra de        independência.  Todos dizem que foi uma guerra maravilhosa, uma boa        guerra, mas, inclusivamente aí, houve muitos norte-americanos que        não acreditavam que a guerra revolucionária era para eles, os        negros não acreditavam que era para eles, os índios        tão-pouco.  Os soldados pobres que se uniram ao exército        revolucionário não estavam seguros de que esta guerra os        beneficiaria, porque sabiam que havia uma classe colonial rica e que,        provavelmente, seria a mais beneficiada.  Sim, houve ideias e        acções dissidentes durante a guerra revolucionária, e        é assim em todas as guerras.  Na guerra mexicana de 1846-48 em que os        Estados Unidos ocuparam quase metade do México, houve soldados        norte-americanos que desertaram, se negaram a combater e por aí afora.         Na Primeira Guerra Mundial houve uma grande oposição e        inclusivamente na Segunda Guerra Mundial que é a chamada “guerra        boa”, inclusivamente nela, houve quem dissesse que a guerra não era        a solução.  Mas nunca houve um movimento tão grande,        tão forte, contra uma guerra, como o movimento contra a Guerra do        Vietname.  Começou lento, começou pequeno;  De facto, no        início só pequenas manifestações foram levadas a        cabo e nós dizíamos: “Nunca vamos ganhar”; “Nunca        vamos poder travar o governo dos Estados Unidos”; O governo dos Estados        Unidos é muito poderoso”; “Esta é a maior missão        militar na Terra, como vamos detê-la ?”; mas o movimento cresceu,        cresceu, cresceu.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Porquê? Porque os norte-americanos estavam a morrer,         estavam a perder vidas?  É essa a razão? &lt;/span&gt;        &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Creio que havia muitas razões, sim, porque os        norte-americanos estavam a morrer, mas não creio que essa tivesse sido a        única razão, porque se tivesse sido a única, isso        significaria que aos norte-americanos não lhes importava o que sucedia        ao povo do Vietname.  E se é certo que ao governo dos Estados Unidos        não lhe importava o que sucedia ao povo do Vietname, de facto ao governo        também não lhe importava o que sucedia aos norte-americanos.  Mas        creio que sim, as baixas, as crescentes baixas de norte-americanos no Vietname        tiveram um grande efeito no público norte-americano.  Mas houve algo        mais, foi que o povo norte-americano tornou-se mais e mais consciente de que os        Estados Unidos estavam a fazer coisas terríveis no Vietname.         Começaram a ver fotografias de         &lt;i&gt;         marines        &lt;/i&gt;         na televisão, deitando fogo às choças,  nas aldeias; viam        um         &lt;i&gt;         marine        &lt;/i&gt;         americano, corpulento, apontar uma pistola a uma pequena mulher vietnamita        acompanhada dos filhos.  Foi algo que comoveu as pessoas, e depois        inteiraram-se do massacre de My Lay.  Inteiraram-se um ano mais tarde porque a        imprensa é sempre mais lenta a contar estas coisas, porque o massacre de        My Lay foi em 1968 e só em 1969 é que saiu na imprensa        norte-americana.  Então, o povo norte-americano viu fotografias        horríveis de soldados norte-americanos a  assassinar centenas e centenas        de mulheres e crianças vietnamitas.  Tal como as vidas norte-americanas        perdidas contribuíram para o movimento contra a guerra, também        contribuiu o crescente convencimento de que o que estava a suceder no Vietname        era desumano e incorrecto.  Agora o povo conhecia mais sobre a guerra, conhecia        mais sobre as razões da guerra, começou a notar que lhe estavam a        mentir, muitas destas coisas estão agora a suceder no Iraque.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       Por exemplo, o incidente que provocou a guerra no Verão de 1964, o        chamado incidente do Golfo de Tonkin, em que o Governo norte-americano disse:        “O Vietname do Norte disparou contra         &lt;i&gt;         destroyers        &lt;/i&gt;         norte-americanos”, etc, etc, “devemos ir para a guerra”.  Bem,        inteirámo-nos que era mentira e conheceram-se mais mentiras, uma mentira        típica como esta: “só estamos a bombardear pontos        militares”, mentira típica.  Então foi a crescente        consciência do povo que contribuiu para o movimento contra a guerra, os        seus líderes imprimiram jornais alternativos, organizaram        concentrações e conferências.  Por outras palavras,        educaram o povo norte-americano a respeito da guerra.  Mas, inclusivamente mais        importante que o trabalho que os líderes do movimento estavam a        realizar, mais importante ainda, é que a realidade que estava a suceder        no Vietname estava a chegar ao povo norte-americano.             &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Bem, estávamos a falar do Vietname. Gostava que me         falasse sobre os documentos do Pentágono, porque o meu amigo Weinglass         disse-me que foi uma das testemunhas do julgamento.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;        &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Sim, admito-o, fui testemunha.  Os         &lt;i&gt;         documentos do Pentágono        &lt;/i&gt;         foi um dos mais interessantes da Guerra do Vietname, melhor, um dos        episódios mais interessantes da história norte-americana, porque        foi um acontecimento excepcional com alguém que tinha um alto cargo no        governo e que, de repente, deu uma volta e expôs todos os segredos do        governo:  Daniel Ellsberg, com a ajuda de Tony Russo.  Ambos trabalhavam para a        RAND Corporation.  A RAND Corporation é o que chamam um cérebro,        um grupo de intelectuais contratados para trabalhar para o governo.         Fornecem-lhe informações,  por exemplo Anthony Russo, trabalhava        com Daniel Ellsberg, cujo trabalho na RAND Corporation era interrogar        prisioneiros vietcong.  Quando os interrogava aprendeu uma coisa muito        importante que mudou as suas ideias sobre a guerra.  Deu-se conta que aquelas        pessoas, que tinham sido soldados da Frente de Libertação        Nacional do Vietname, sabiam porque estavam a lutar.  Entendiam porque se fazia        a guerra, enquanto os soldados do Exército do Vietname do Sul, que        estavam a trabalhar com os Estados Unidos, não sabiam porque a faziam.         Isto fê-lo mudar de ideias.  Daniel Ellsberg era um graduado por Harvard,        tinha várias licenciaturas, tinha trabalhado no Departamento de Estado,        trabalhou na RAND Corporation com o Departamento de Defesa, havia sido         &lt;i&gt;         marine        &lt;/i&gt;         no Vietname e, quando ali esteve, viu coisas que o perturbaram, sobre o que os        Estados Unidos estavam a fazer no Vietname e decidiu que a guerra era        incorrecta.  Assim, quando regressou aos Estados Unidos e a RAND Corporation        lhe deu um trabalho encomendado pelo Departamento de Defesa, que consistia em        organizar a história da Guerra do Vietname, a história secreta,        baseada em documentos do governo...  Ele foi fazer este trabalho e, quando leu        estes documentos, convenceu-se mais do que nunca, que os Estados Unidos estavam        a fazer uma coisa errada no Vietname.  Leu coisas assim: “O Governo do        Vietname do Sul não é um Governo independente, é uma        criação dos Estados Unidos”.  Os Estados Unidos diziam que        só estavam a bombardear pontos militares e ele encontrou        evidências de que os bombardeamentos eram para destruir a moral da        população civil.  Essa experiência fê-lo decidir        pegar naqueles papéis secretos, 7.000 páginas,        fotocopiá-los e distribuí-los entre o povo.  Foi assim que ele, e        o seu amigo Anthony Russo resolveram fazer isso em segredo.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: E qual foi o seu papel no assunto?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Tinha que me tornar amigo de Daniel Ellsberg.  Ele tinha        saído da RAND Corporation, do governo, tinha começado a falar em        comícios contra a guerra.  Conheci-o num deles, tornámo-nos        amigos, a mulher dele, da minha. Naquela altura eles viviam em Cambridge, na        zona de Boston, onde eu vivia, e um dia estávamos, minha mulher e eu no        seu apartamento em Cambridge e ele disse-me:  “Tenho uma coisa a dizer-te,        tenho uns papéis que ninguém conhece, queres vê-los”?        E passou-me um monte de papéis, e eu li-os.  Depois prenderam-no, e        acusaram-no de violar a Lei de Espionagem, que diz que não se pode        publicitar informação nem documentos que possam prejudicar a        defesa nacional.  Prenderam-no por isso, a ele e ao Anthony Russo, tendo sido        condenado a 130 anos de cadeia.  Parece uma loucura, 130 anos, 13 penas de 10        anos cada.  Como o levaram a juízo em Los Angeles, a mim chamaram-me        como testemunha de defesa,  porque havia lido os         &lt;i&gt;         documentos do Pentágono        &lt;/i&gt;         e, por isso, tinha de explicar ao Júri o que diziam esses         &lt;i&gt;         documentos        &lt;/i&gt;        ; estive 5 horas a depor, contando-lhes a história da guerra do        Vietname.  Essas pessoas eram norte-americanos típicos, sabiam muito        pouco da guerra, contei-lhes essa história, grande parte do que estava        escrito nesses         &lt;i&gt;         documentos        &lt;/i&gt;        .  O que tinha de fazer era contar ao Júri a história da guerra e        explicar-lhes porque é que esses papéis não eram        prejudiciais para os Estados Unidos, para o povo dos Estados Unidos, mas eram        uma vergonha para o Governo e era por isso que o governo os queria manter        secretos.         &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Vamos falar do 11 de Setembro.  O que é que se passou         depois?  O que é que mudou nos Estados Unidos?&lt;/span&gt;         &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ:  Como toda a gente sabe o 11 de Setembro foi um acontecimento        catastrófico.  Nada como aquilo havia sucedido antes nos Estados Unidos,        nunca, em dia algum.  Foi um safanão para o povo norte-americano e,        claramente, os terroristas eram responsáveis, tudo bem.  Bush acabara de        ser eleito Presidente, era o novo Presidente.  A pergunta era: Como vai Bush        reagir a isto?, o qual imediatamente disse: “Vamos declarar guerra ao        terrorismo”.  Como se pode declarar guerra ao terrorismo?  O terrorismo        não é um país...  Não se pode dizer: “Vou        declarar guerra a este lugar, vou bombardeá-lo, e os terroristas        serão vencidos”.  Não há terroristas por todo o lado.         De facto o próprio Governo dos Estados Unidos disse: “Há        terroristas em muitos países do mundo, em 30 ou 40 lugares diferentes do        mundo”.         &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: E mencionaram mais de 60. &lt;/span&gt;        &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Sim, estão sempre a mudar o número, mas o problema        é que o terrorismo não é uma coisa que se possa combater        com uma guerra.  Na altura já estava claro, não para o povo        norte-americano que estava a aceitar..., ou para a imprensa, que também        estava a aceitar esta ideia da guerra contra o terrorismo, mas estava claro        para muitos de nós, não passava de um mecanismo, um truque para        permitir que o governo dos Estados Unidos fizesse o que já queria fazer        antes do 11 de Setembro:  aumentar o seu poder no Médio Oriente.  Por        isso, a primeira coisa que Bush faz é bombardear o Afeganistão.         Milhares de pessoas morreram, milhares de cidadãos morreram, centenas de        milhares de afegãos tiveram  que abandonar as suas terras.  Diz que        está à procura de Osama bin Laden, que é a cabeça        do terrorismo. Nunca o encontra, mas já morreu toda esta gente.  Esta        é a guerra contra o terrorismo.  A guerra contra o terrorismo é        absurda, porque se se analisar inteligentemente, não se pode lutar        contra o terrorismo bombardeando este ou aquele país.  A única        forma de lidar com o terrorismo é formular a pergunta:  quais são        as causas do terrorismo, as raízes do terrorismo?  O que é que        motiva estes terroristas?  Além do mais, esta não é a        única experiência histórica com o terrorismo.  O IRA, na        Irlanda, cometeu actos terroristas e os britânicos responderam-lhes da        mesma forma que Bush, com a força.  Isso não deteve o IRA.         Finalmente os ingleses tiveram que reconhecer que havia qualquer coisa mais por        detrás desse terrorismo.  Há uma grande afronta por trás        do terrorismo, a afronta do IRA é que os britânicos estão a        ocupar o seu país.  Têm que se fazer qualquer coisa com respeito a        isso, se querem resolver qualquer coisa no que diz respeito ao terrorismo.          &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       Tomemos a situação de Israel, terrorismo, bombas suicidas.  O        governo israelense, Sharon, responde a isso da mesma forma que Bush, com a        força.  Para que serve?  Isso detém as bombas suicidas?        Não, aumentam. A única forma que Israel tem de deter o        terrorismo, é pensar que tem de eliminar a causa do terrorismo, e esta        causa é a ocupação dos territórios palestinos.         Só isto vai parar o terrorismo.  Por isso, para os Estados Unidos, a        questão importante é o que move estes terroristas, e não        é difícil dar-se conta de qual é:  A política        norte-americana no Médio Oriente, os exércitos de        ocupação norte-americanos no Médio Oriente, o apoio dos        Estados Unidos a Israel, que é muito importante para todos no        Médio Oriente,  as sanções que os Estados Unidos estavam a        apoiar no Iraque, que consistiam em matar centenas de milhares de pessoas.         Isto são ofensas, ofensas genuínas, ofensas reais.  Por isso, se        realmente o terrorismo os preocupa, têm de fazer qualquer coisa acerca        destas ofensas, mas os Estados Unidos não querem fazer nada porque,        então, teriam que mudar a sua política externa, teriam que ser um        país diferente, retirar as suas tropas do Médio Oriente e deixar        de apoiar Israel.  Eles não querem fazer nada disso.  Assim se desvia a        atenção das pessoas, e esse desvio da atenção        é a guerra contra o terrorismo.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Estava a falar da política externa depois do 11 de         Setembro.  Qual o seu significado na sociedade norte-americano? Refiro-me         à Lei Patriótica que suprimiu as conquistas obtidas pelos         movimento cívicos.  Há alguma repercussão nos Estados         Unidos?&lt;/span&gt;         &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: O que sucedeu depois do 11 de Setembro foi o que sempre acontece        quando há uma crise e os Estados Unidos entram em guerra.  O Governo diz        ao povo: “Estamos numa crise, esta é uma situação        especial, não podemos ter as mesmas liberdades, a mesma liberdade de        expressão, a Constituição tem que ser posta de lado, a        Declaração dos Direitos Fundamentais tem que ser posta de lado,        porque esta é uma emergência”.  Isto acontece sempre; sempre        que há uma emergência o governo suprime a liberdade de        expressão.  Na Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos prenderam cerca        de 1.000 pessoas que opinavam contra a guerra.  Agora, com o 11 de Setembro,        com a guerra contra o terrorismo, com esta crise, que é quase irreal        porque há terrorismo em toda o mundo, mas artificial e em certo sentido        engrandecido, exagerado, o governo começa a agir contra a        Constituição norte-americana, aprisiona pessoas sem reconhecer os        seus direitos constitucionais.  A Constituição norte-americana        não permite prender pessoas, mantê-las detidas e que nunca mais se        ouça falar delas.  Pressupõe-se que tenham advogados,        pressupõe-se que tenham penas e que se saiba quais são essas        penas, pressupõe-se que tenham julgamentos, audiências.         Não só prendem milhares de pessoas, como não lhes fazem        nenhum julgamento, não têm advogado.  O Congresso aprovou o que se        chama a Lei Patrióticas.  É muito interessante que sempre        dão a este tipo de leis nomes falsos: Leis Patriótica.  A Lei        Patriótica dá mais poder ao FBI para interferir na opinião        privada, na vida privada das pessoas;  Dá ao FBI o direito de verificar        os antecedentes das pessoas, dá-lhes o direito de ir às        bibliotecas e perguntar que livros se emprestaram,  que tenham a ver com o        Médio Oriente.  Sim, homens do FBI visitaram bibliotecas perguntando        quem pediu livros sobre o Islão.  Que significa isto? Que alguém        que esteja interessado no Islão é um potencial terrorista?         É absurdo, mas é assim, o que isto fez foi criar um ambiente de        medo, particularmente entre os que não são cidadãos, os        que vivem nos Estados Unidos, mas não têm a sua cidadania.         São objecto de todo o tipo de repressões, são mais        vulneráveis que os cidadãos norte-americanos.  Não        têm os mesmos direitos.  Há milhões de pessoas nos Estados        Unidos que não têm a cidadania norte-americana, mas vivem        aí e podem ser expulsos por dá cá aquela palha, com o        simples estalido dos dedos do Procurador Geral; assim têm de ter medo.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Estávamos a falar do período do Vietname.  Qual         é a sua avaliação das diferenças e similitudes         entre o Vietname e o Iraque ?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ:  Bom, há diferenças óbvias.  No caso do        Vietname, os Estados Unidos enfrentaram não só um movimento        rebelde organizado no Sul, mas também um Governo real no Norte que        apoiava o movimento rebelde no Sul.  No Iraque, os Estados Unidos estão        a enfrentar qualquer coisa que, na realidade, se parece mais ao que enfrentava        no Vietname do Sul, o movimento guerrilheiro da resistência.  Na Guerra        do Vietname as baixas dos Estados Unidos foram maiores.  A escala da luta, dos        bombardeamentos, foi imensa no Vietname.  No Vietname, os Estados Unidos        perderam 50.000 soldados;  no Iraque perderam até agora quase 1.000        soldados.  Há diferenças, mas há semelhanças muito        sérias.  Há uma fundamental, a semelhança fundamental        é que no Vietname, os Estados Unidos enviaram tropas em aviões,        para o outro lado do mundo, atacar um pequeno país que não estava        a ameaçar os Estados Unidos;  exactamente a mesma coisa no Iraque.  Aqui        está este país gigante, os Estados Unidos, com 280 milhões        de habitantes, a enviar um exército para o outro lado do mundo, ao        Iraque que tem 25 milhões de habitantes, para o bombardear  e invadir, e        o Iraque não é uma ameaça para ninguém, quando        muito para a sua própria gente, para mais ninguém.  Esta é        que é a semelhança fundamental entre as duas        situações.  Também há outras: em ambos os casos        pode dizer-se que se disseram mentiras enormes ao povo norte-americano sobre o        Vietname e agora sobre o Iraque.  Também na Guerra do Vietname, o povo        dos Estados Unidos começou, lentamente, a aperceber-se que lhe estavam a        mentir e, também agora, começou a aperceber-se de que o tempo        final é diferente, o tempo final para o Iraque chega mais rapidamente do        que para o Vietname.  Quanto ao Vietname, passaram-se vários anos        até que as pessoas começassem a pensar que a guerra era        incorrecta, e que tudo o que lhe diziam era enganoso, isso levou tempo.  Na        Guerra do Iraque foi muito mais rápido.  Além do mais, só        se passou um ano desde que os Estados Unidos começaram a Guerra com o        Iraque e o povo norte-americano já sabe que toda aquela estória        sobre as armas de destruição maciça era mentira e o        movimento contra a guerra nos Estados Unidos cresceu mais rapidamente quanto        à guerra do Iraque do que quanto à do Vietname.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Mais rápido,  mas não com a mesma força.&lt;/span&gt;         &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Não tão grande, nem ainda tão amplo.             &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Entrevistar: Isso porquê? &lt;/span&gt;        &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: É verdade.  É importante entender porque foi lento o        povo norte-americano a compreender o que está a suceder no Iraque,        porque, apesar de tudo, muitos americanos ainda pensam que foram encontradas        armas de destruição maciça.  Coisa totalmente falsa.  A        razão é que os         &lt;i&gt;         media        &lt;/i&gt;         estão a ser mais controlados agora do que aquando da Guerra do        Vietname.  Os canais de televisão, os jornais estão agora muito        mais concentrados nas mãos de algumas corporações        poderosas...  Onde procuram os norte-americanos as notícias, a        informação?  De facto, houve recentemente uma sondagem em que        perguntaram aos norte-americanos que canal de televisão vêem e o        que acreditam disto e daquilo.  Verificaram que a maioria das pessoas        vêem a Fox News, que é o canal da direita e o de maior        audiência e, entre aqueles que viam a Fox News, 80% ainda acreditava que        se tinham encontrado armas de destruição maciça no Iraque.         Isto mostra o poder que têm os meios de comunicação e        é contra isto que temos de lutar, nós e o movimento contra a        guerra.         &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Temos estado a falar sobre o Vietname e o Iraque.  A         acção militar dos Estados Unidos foi levada a cabo em nome da         democracia e da liberdade.  Porquê?         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Como se pode persuadir o povo norte-americano a enviar tropas a        5.000 milhas?  Como se pode persuadir o povo norte-americano a invadir uma        pequena ilha?  Tens de criar palavras-de-ordem...  Se leres George Orwell,         &lt;i&gt;         1984        &lt;/i&gt;        , vês como para criar um estado totalitário se usam palavras e        frases que oprimem a mente.  Então, o Governo diz que estamos a lutar        pela liberdade, pela democracia e, inclusivamente, dá nome às        guerras, chama-lhes: Operação Liberdade, Operação        Preservação da Liberdade.  Os norte-americanos acreditam na        liberdade e na democracia.  Que digo? Toda a gente acredita na liberdade e na        democracia.  Dizem aos norte-americanos que estão a lutar pela liberdade        e pela democracia.  Ora bem, aí está uma coisa mais,  que creio        ser importante:  a memória da Segunda Guerra Mundial, ainda muito forte        nos Estados Unidos,  porque é a guerra geralmente aceite como justa,        porque foi realmente pela liberdade e pela justiça, porque foi uma        guerra contra o fascismo.  A verdade é que a Segunda Guerra Mundial        não foi estrita e simplesmente uma guerra pela democracia.  Ao fim e ao        cabo, quem estava a lutar contra o fascismo?  O Império britânico,        o império francês, o império norte-americano e a        Rússia de Stalin.  Estavam mais interessados na democracia e na        liberdade?  Não, tinham outros interesses.  Mas os interesses naquele        momento coincidiam com os interesses das pessoas que queriam livrar-se do        fascismo.  A Segunda Guerra Mundial ainda está muito viva nos Estados        Unidos, chamam-lhe a Guerra Boa.  Por isso o Governo e a imprensa fazem        comparações com a Segunda Guerra Mundial e dizem: “Na        Segunda Guerra Mundial lutámos contra Hitler”.  Sadam Hussein        é Hitler, outro Hitler.  Na Segunda Guerra Mundial disseram:        “Devemos lutar pela democracia”.  Agora também.  Fazem estas        comparações e estas analogias para apanhar os elementos morais da        Segunda Guerra Mundial e transportá-los para todas as guerras        incorrectas e injustas que temos feito desde o final daquela guerra.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: E que há com Cuba?  A política dos Estados         Unidos,         desde o princípio, era a de estimular uma mudança de regime em         Cuba, mas agora falam abertamente de o fazer.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Sempre falaram de mudanças de regime e é        interessante, os norte-americanos não aprendem com a história que        se ensina nas escolas norte-americanas, não aprendem com a        história das mudanças de regime.  Porque os Estados Unidos        têm uma história de mudanças de regime e a questão        é quando os Estados Unidos se envolvem em mudanças de regime,        qual é o resultado?  Podemos regressar a 1898, podemos voltar à        guerra contra a Espanha.  Isso era uma mudança de regime:  Os Estados        Unidos desfizeram-se da Espanha.  Isso não trouxe a liberdade a Cuba,        trouxe o poder norte-americano.  É verdade que os Estados Unidos        trataram de mudar regimes em todo o mundo, incluindo regimes        democráticos, eleitos, no Chile e Guatemala.  Muda o regime e qual        é o resultado?  Ditadura, morte, mas o povo norte-americano não        conhece esta história.  Os Estados Unidos, como diz, desde sempre        quiseram mudar o regime em Cuba.  Mas quando se envolveu numa mudança de        regime o que esteve por detrás disso?  A liberdade e a democracia?         Não, o que sempre esteve por detrás disso é os Estados        Unidos quererem que o poder seja de governos que estejam submetidos aos seus        interesses.  Durante a Guerra Fria diziam que queriam derrubar governos        comunistas, mas não só governos comunistas, porque o Chile        não tinha um governo comunista e a Guatemala tão-pouco.         Não querem qualquer governo que não coopere com os Estados        Unidos.  Assim, o problema com Cuba não é ser marxista, comunista        ou socialista.  O problema é que Cuba insiste em ser independente,        insiste em não se submeter aos Estados Unidos, esse é o problema        de Cuba.  E o Governo dos Estados Unidos não diz ao povo o que a        Revolução Cubana fez pelos cubanos, a saúde, a        educação, a cultura.  Nada dizem sobre isso e criam a imagem de        que Cuba tem um governo que deve ser derrubado.  E agora estão mais        agressivos,  porque querem agradar aos cubanos da Florida.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Mas antes, quando as pessoas da Florida, quero dizer os         cubano-americanos não votavam nas eleições, o governo dos         Estados Unidos já tinha uma política de mudança de regime         e ninguém votava nas eleições a seguir a 59, a         princípio.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Claro, não é a única razão, mas        é a que se deu desde que eles começaram a votar na Florida.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Sabe que a partir do território dos Estados Unidos,         especialmente a partir da Florida, tem havido actividades terroristas contra         Cuba desde início, mas agora, Bush diz que aqueles que abrigam um         terrorista são eles próprios terroristas.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Pois, essa é uma forma muito conveniente para atacar        qualquer governo que os Estados Unidos queiram atacar, dizer que abrigam        terroristas.  Então, se vai atacar qualquer governo que abrigue        terroristas, tem que atacar os Estados Unidos.  Os Estados Unidos albergou        terroristas... e participou em actos terroristas.  Isto é uma coisa que        frequentemente se esquece quando se fala de terroristas.  Participaram, como        disse, em actos secretos de terrorismo contra Cuba, actos secretos de        terrorismo contra a Nicarágua.  Durante o governo de Reagan fez-se um        acto secreto de terrorismo no Líbano, em que a CIA preparou o carro        bomba para explodir numa mesquita em que morreram 80 pessoas.  Mas sobre isto        ainda quero acrescentar:  Há actos de terrorismo cometidos por        indivíduos ou grupos que se fanatizam por se sentirem ofendidos, mas os        governos que praticam actos terroristas fazem-no em maior escala, porque        têm mais recursos, muito mais poder.  Os actos terroristas cometidos        pelos governos custam muito mais vidas humanas que os actos individuais de        terrorismo.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;a href="http://www.amazon.fr/exec/obidos/redirect?link_code=ur2&amp;amp;camp=1642&amp;amp;tag=resistirinfo-21&amp;amp;creative=6746&amp;amp;path=external-search%3Fsearch-type=ss%26keyword=0896085937%26index=books-fr"&gt; &lt;img src="http://resistir.info/eua/imagens/marx_in_soho_50pc.jpg" alt="" align="right" /&gt;&lt;/a&gt;        &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Temos estado a falar de história e de política.          Porque não falamos um sobre si, como escritor de obras de teatro?          &lt;/span&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.amazon.fr/exec/obidos/redirect?link_code=ur2&amp;amp;camp=1642&amp;amp;tag=resistirinfo-21&amp;amp;creative=6746&amp;amp;path=external-search%3Fsearch-type=ss%26keyword=0896085937%26index=books-fr"&gt;Marx in Soho&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;img src="http://www.assoc-amazon.fr/e/ir?t=resistirinfo-21&amp;amp;l=ur2&amp;amp;o=8" alt="" style="border: medium none  ! important; margin: 0px ! important; font-weight: bold;" border="0" width="1" height="1" /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;         , porquê?&lt;/span&gt;         &lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Quando se derrubou a União Soviética em 90, 91, nos        Estados Unidos todos disseram: “Ah, isto significa que o socialismo        morreu, é o fim do socialismo, isto prova que o marxismo é um        fracasso.”  Eu não acreditei, primeiro porque não        considerava que a União Soviética representasse o verdadeiro        socialismo.  Havia muita ditadura, muita burocracia, muita supressão da        liberdade na União Soviética, por isso, para mim, o marxismo        não está morto, agora que já não existe a        União Soviética.  A ideia de socialismo é para mim muito        importante e é uma ideia que devia manter-se viva, por isso pensei como        pôr isso em cena.  Tinha escrito algumas obras de teatro antes, mas como        podia pôr esta em cena?  Bom, vou trazer o Marx para que fale,        trá-lo-ei donde quer que esteja.  Quem sabe onde está?  Ele vivia        no Soho de Londres, mas as pessoas que o trazem de volta, suponho que um        comité, cometem um erro e em vez de o mandar para o Soho de Londres,        envia-o para o Soho de Nova Iorque.  É uma obra de teatro de um        só personagem.  Aparece o Karl Marx e diz:  Estou aqui para explicar o        que é realmente o marxismo e digo-lhes que a União        Soviética não era verdadeiramente marxista e que as ideias        marxistas sobre o capitalismo são válidas até porque agora        estou em Nova Iorque e vejo pessoas vivendo na rua, vejo como as empresas        controlam o governo, vejo como as pessoas estão absolutamente        controladas pela televisão e a propaganda do governo e, apesar disso,        como há diferenças de classe.  Sim, as ideias marxistas        estão vivas ainda.  Quer dizer que o derrube da União        Soviética não significa o derrube do socialismo, a ideia de        socialismo continua a ser uma boa ideia; que a riqueza do mundo deveria ser        distribuída equitativamente entre todos e que o socialismo não        significa ditadura, mas liberdade, liberdade de expressão e Marx        também quer dizer que o capitalismo é absolutamente desastroso        para a maioria das pessoas e para a sociedade, por isso deve ser        substituído por uma sociedade socialista que seja verdadeiramente        democrática.        &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;       &lt;i&gt;         &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contracorriente: Bom, foi uma grande honra e um grande prazer estar aqui com o         senhor.  Obrigado pelos seus pensamentos, pelas suas respostas, mas sobretudo         por estar aqui.         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       &lt;/i&gt;        &lt;br /&gt;       HZ: Muito Obrigado, para mim foi muito estimulante estar neste momento        em Cuba.        &lt;br /&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;                Os originais podem ser encontrados em         &lt;a href="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=7998" target="_new"&gt; http://www.rebelion.org/noticia.php?id=7998&lt;/a&gt;         &lt;br /&gt;        ou          &lt;a href="http://lahaine.org/b2/articulo.php?p=4974&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1" target="_new"&gt; http://lahaine.org/b2/articulo.php?p=4974&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&lt;/a&gt;         &lt;br /&gt;        Tradução de José Paulo Gascão.                &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;                Esta entrevista encontra-se em         &lt;a href="http://resistir.info/" target="_new"&gt; http://resistir.info/&lt;/a&gt;         .               &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5818491530180678039?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5818491530180678039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5818491530180678039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5818491530180678039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5818491530180678039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/12/uma-entrevista-de-2004.html' title='Uma entrevista de 2004.'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-5939030297199586101</id><published>2008-12-26T04:58:00.001-08:00</published><updated>2008-12-26T05:14:53.130-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Loucura eleitoral ao estilo americano</title><content type='html'>Loucura eleitoral ao estilo americano [originalmente publicado no dia &lt;span class="titulo"&gt;&lt;span class="canais-complementos"&gt;05/03/2008]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Historicamente, o governo — estivesse em mãos de republicanos ou de democratas, de conservadores de direita ou de liberais de esquerda — sempre fracassou quanto a assumir as próprias responsabilidades, até ser pressionado pela mobilização direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Howard Zinn*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Flórida há um homem que me escreve há anos (dez páginas manuscritas), apesar de que nunca nos encontramos. Ele me fala dos diversos trabalhos que já teve — guarda de segurança juramentado, técnico em consertos, etc. Já trabalhou de tudo que é jeito, à noite, de dia, conseguindo sustentar sua família com muita dificuldade. Suas cartas estão sempre cheias de raiva, lançam pragas contra nosso sistema capitalista, incapaz de garantir aos trabalhadores "a vida, a liberdade e a busca da felicidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente hoje recebi uma de suas cartas, que por sorte não é manuscrita: agora ele usa o correio eletrônico. "Bom, hoje estou escrevendo porque neste país há uma situação calamitosa, que acho intolerável, e tenho que dizer algo sobre isso. Estou realmente enfurecido com esta crise das hipotecas. Estou irritado com isto de que a maioria dos norte-americanos tenham que viver suas vidas em condições de perpétuo endividamento e de que tantos estejam afundando sob tanto peso. Fico furioso, maldita seja! Hoje trabalhei como guarda juramentado, e minha tarefa foi vigiar uma casa que foi embargada e vai a leilão. Abriram a casa para os interessados e eu estava lá, para fazer a vigilância durante as visitas. No mesmo bairro estavam outros três guardas juramentados que faziam a mesma coisa em outras casas. Nos momentos calmos eu ficava ali sentado me perguntando quem seriam as pessoas despejadas e onde elas estariam agora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia em que recebi a carta, o Boston Globe publicou um artigo intitulado "Milhares de casas embargadas em Massachussets em 2007". O subtítulo declara: "foram embargadas 7.563 casas, quase o triplo que em 2006". Poucas noites antes, a CBS tinha informado que 750.000 pessoas discapacitadas esperam há anos para receber seus pagamentos da assistência social, porque o sistema de previsão tem orçamento insuficiente e não há pessoal suficiente para atender todas as demandas, nem sequer as mais graves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias como estas podem até aparecer na mídia, mas desaparecem num piscar de olhos. O que não desaparece, o que mantém a imprensa ocupada dia após dia, impossível de ignorar, é o frenesi eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta paixão toma conta do país a cada quatro anos, porque todos fomos educados na crença de que votar é fundamental para determinar nosso destino, que o ato mais importante que um cidadão pode realizar é ir às urnas, cada quatro anos, para eleger uma das duas mediocridades que já foram escolhidas para nós por outros. É um teste com respostas de seleção múltipla tão limitado, tão trapaceiro, que nenhum professor de respeito seria capaz de utilizá-lo como exame para seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é triste dizer isto, mas a disputa presidencial hipnotizou da mesma maneira a esquerda liberal e os radicais. Todos somos vulneráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que é possível, nestes dias, encontrar os amigos e evitar o tema de conversa das eleições presidenciais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mesmas pessoas que deveriam estar mais atentas, as que nunca se cansam de criticar a pressão da mídia sobre a consciência nacional, percebem que estão paralisadas pela imprensa, grudadas na televisão, enquanto os candidatos dão tapinhas nas costas e sorriem enunciando uma infinidade de chavões com uma solenidade digna de poesia épica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos chamados jornais de esquerda também, temos que admitir, se presta uma atenção desmedida ao exame minucioso dos principais candidatos. Ocasionalmente se dá uma olhadinha nos candidatos menores, apesar de que todo o mundo sabe que o nosso maravilhoso sistema político democrático não vai deixar que nenhum deles ultrapasse o marco da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não; não estou adotando uma postura de ultra-esquerda, segundo a qual as eleições seriam totalmente irrelevantes, ou seja que deveríamos nos recusar a votar para preservar a pureza da nossa moralidade. É claro que há candidatos que são um pouco melhores do que outros, e em certos momentos de crise nacional (os anos 30, por exemplo, ou hoje), mesmo uma diferença pequena entre os dois partidos pode ser uma questão de vida ou morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que estou falando é de um senso da proporção que desaparece com a loucura eleitoral. Você vai ficar do lado de um candidato e contra o outro? Sim, durante dois minutos; o tempo que basta para depositar a cédula na urna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes e depois desses dois minutos, nosso tempo, nossa energia, precisamos dedicá-los a instruir, mobilizar, organizar nossos concidadãos em seus locais de trabalho, em nosso bairro, nas escolas. Nosso objetivo deveria ser construir, laboriosamente, pacientemente, mas energicamente, um movimento que, uma vez alcançada uma certa massa crítica, pudesse ter influência sobre qualquer um que estiver na Casa Branca ou no Congresso, para impor uma virada na política nacional nas questões da guerra e da justiça social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso lembrar que mesmo quando existe um candidato claramente melhor (sim, melhor Roosevelt que Hoover; melhor qualquer um do que Bush), essa diferença vai ficar em nada, a menos que o poder do povo esteja tão firme que para os ocupantes da Casa Branca se torne muito difícil ignorá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As políticas sem precedentes do New Deal –assistência social, seguro desemprego, criação de vagas de emprego, salário mínimo, subvenções para habitação— não foram simplesmente o resultado da postura progressista de Roosevelt. A administração Roosevelt, quando chegou ao poder, encontrou uma nação efervescente de agitação. O último ano da administração Hoover tinha visto a rebelião do Bônus Army: milhares de veteranos da primeira guerra mundial marcharam sobre Washington para exigir ajudas ao Congresso porque suas famílias estavam passando fome. Houve manifestações de desempregados em Detroit, Chicago, Boston, Nova York e Seattle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1934, no início do período presidencial de Roosevelt, ocorreram greves em todo o país, incluída uma greve geral em Mineapolis, uma greve geral em San Francisco, centenas de milhares de pessoas cruzaram os braços nas fábricas de têxteis do Sul. Por todo o país surgiram conselhos de operários desempregados. As pessoas, desesperadas, mobilizaram-se de maneira autônoma, obrigando a polícia recolocar os móveis dentro das casas dos locatários despejados e criando organizações de auto-ajuda com centenas de milhares de membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem uma crise nacional –pauperização econômica e rebelião—, dificilmente a administração Roosevelt teria empreendido aquelas valentes reformas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje podemos estar certos de que o Partido Democrata, a menos que se enfrente a uma sublevação popular, não vai sair do centro. Os dois principais candidatos à presidência deixaram claro que, se forem eleitos, nem vão acabar com a guerra do Iraque imediatamente, nem vão instituir um sistema de assistência sanitária gratuita para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não oferecem uma mudança radical com respeito ao statu quo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas propostas não são nada do que o desespero popular exige com urgência, ou seja: a garantia do governo de um trabalho para todos aqueles que precisam, uma renda mínima para todas as famílias, uma ajuda para aqueles que correm risco de ser despejados e ter suas casas leiloadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sugerem recortes significativos dos gastos militares ou reformas radicais no sistema fiscal que poderiam liberar bilhões, ou até trilhões, para destiná-los a programas sociais para transformar nosso modo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disto deveria nos causar assombro. O Partido Democrata só rompe com seu conservadorismo histórico, com seu desejo de satisfazer os ricos, com sua predileção pela guerra, quando se encontra com uma rebelião dos de baixo, como aconteceu nos anos 1930 e nos anos 1960. Não deveríamos esperar que uma vitória nas urnas comece a curar o país de suas duas doenças fundamentais: a cobiça do capitalismo e o militarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, deveríamos nos libertar da loucura eleitoral em que está submersa toda a sociedade, incluída a esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Dois minutos. Antes e depois temos que nos mobilizar pessoalmente contra todos os obstáculos que atravessam o caminho da vida, da liberdade e da busca da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, os embargos que estão privando milhões de pessoas de suas casas deveriam nos fazer lembrar de uma situação muito parecida ocorrida após a guerra revolucionária [de Independência], quando os pequenos granjeiros, muitos deles veteranos da guerra (como são também hoje muitos dos sem-teto) não podiam se permitir pagar os impostos e foram ameaçados de perder suas terras e suas casas. Eles se reuniram em milhares diante das cortes de justiça e impediram a execução dos leilões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o despejo das pessoas que não conseguem pagar seus aluguéis deveria trazer à nossa memória o que fizeram as pessoas nos anos 1930, quando se mobilizaram e, desafiando as autoridades, fizeram com que os pertences das famílias despejadas fossem colocados novamente em suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, o governo —estivesse em mãos de republicanos ou de democratas, de conservadores de direita ou de liberais de esquerda— sempre fracassou quanto a assumir as próprias responsabilidades, até ser pressionado pela mobilização direta: manifestações de todo tipo pelos direitos dos negros, greves e boicotes pelos direitos dos trabalhadores, rebeliões e deserções dos soldados para terminar com a guerra. Votar é um gesto fácil e de utilidade marginal, mas é um pobre substituto da democracia, que exige a ação direta de cidadãos comprometidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Howard Zinn é co-autor, junto com Anthony Arnove, de Voices of a People's History of the United States. Seu livro mais recente é A Power Governments Cannot Suppress (Um poder que os governos não podem suprimir).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte clique &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14840"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-5939030297199586101?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/5939030297199586101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=5939030297199586101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5939030297199586101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/5939030297199586101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/12/loucura-eleitoral-ao-estilo-americano.html' title='Loucura eleitoral ao estilo americano'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-2879828416223286797</id><published>2008-12-17T05:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T05:14:38.906-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Do Império à Democracia, por Howard Zinn</title><content type='html'>&lt;h1&gt;Do Império à Democracia, por Howard Zinn&lt;/h1&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;em&gt; The Guardian&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Agência Imediata&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não devemos desperdiçar 700 bilhões de dólares num resgate, mas usar o “governo forte” naquilo que ele pode fazer melhor – moldar uma sociedade que seja justa e pacífica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A crise financeira atual é uma das estações principais no caminho para o colapso do império americano. O primeiro sinal importante foi o 11 de setembro, quando a nação mais fortemente armada do mundo se mostrou vulnerável a um punhado de seqüestradores.&lt;br /&gt;E agora, outro sinal: ambos os principais partidos na pressa de obter um acordo para gastar 700 bilhões de dólares dos contribuintes que escorrerão pelo ralo de imensas instituições financeiras que são conhecidas por duas características: incompetência e ganância.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há uma solução muito melhor para a crise financeira atual. Mas ela requer que se descarte aquilo que tem sido considerado “sabedoria” convencional por muito tempo: que a intervenção governamental na economia (“governo forte”) deva ser evitado como uma praga, porque o “livre mercado” guiaria a economia na direção do crescimento e da justiça.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Devemos encarar a verdade histórica de frente: nunca tivemos um “livre mercado”, sempre tivemos intervenção do estado na economia e, de fato, essa intervenção sempre foi bem recebida pelos capitães das finanças e da indústria. Eles nunca tiveram problemas com o “governo forte”, quando esse serviu seus interesses.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isso começou há muito tempo, quando os pais fundadores se reuniram na Filadélfia em 1787, para esboçar a constituição. O primeiro resgate significativo foi a decisão do novo governo de indenizar pelo valor integral as obrigações do governo praticamente destituídas de qualquer valor em posse dos especuladores. E esse papel de “governo forte”, dando suporte aos interesses das classes “de negócios” continuou através da história da nação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A lógica de se tomar 700 bilhões de dólares dos contribuintes para subsidiar imensas instituições financeiras é que, de alguma forma, aquela riqueza vai escoar aos poucos, sendo repassada para as pessoas que dela necessitam. Isso nunca funcionou.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A alternativa é simples e poderosa. Pegar essa incrível soma de dinheiro e entregá-la diretamente às pessoas que dela precisam. Deixar que o governo declare uma moratória nas execuções das hipotecas e fornecer ajuda aos proprietários das casas para ajudá-los a pagar suas hipotecas. Criar um programa de empregos federal para garantir trabalho às pessoas que querem e precisam de emprego, e para as quais o “livre mercado” não valeu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Temos um precedente histórico de sucesso: o New Deal de Roosevelt, que gerou empregos a milhões de pessoas, reconstruindo a infra-estrutura da nação e, contestando os ataque de “socialismo” estabeleceu a previdência social. Isso poderia ser levado mais longe, com “seguro de saúde” – previdência de saúde gratuita – para todos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isso tudo vai custar mais de 700 bilhões. Mas o dinheiro está aí. No orçamento militar de 600 bilhões de dólares, uma vez que decidirmos que não seremos uma nação promotora de guerra. E nas contas bancárias infladas dos super-ricos, tributando vigorosamente tanto suas rendas como seus patrimônios.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quando o grito aumenta, tanto por parte dos republicanos quanto dos democratas, que isso não pode ser feito, por causa do “governo forte” que implica, os cidadãos deveriam gargalhar, apenas. E daí agitar e organizar-se em nome daquilo que a Declaração de Independência prometeu: de que é responsabilidade do governo garantir direitos iguais a todos “à vida, liberdade e busca da felicidade”.&lt;br /&gt;Só uma abordagem ousada como essa poderá salvar a nação – não como um império, mas como uma democracia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;© Guardian News and Media Limited 2008&lt;br /&gt;Howard Zinn é historiador, dramaturgo e ativista social.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;FONTE EM PORTUGUÊS CLIQUE &lt;a href="http://www.imediata.com/2008/10/12/do-imperio-a-democracia-por-howard-zinn/"&gt;AQUI&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-2879828416223286797?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/2879828416223286797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=2879828416223286797&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2879828416223286797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2879828416223286797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/12/do-imprio-democracia-por-howard-zinn.html' title='Do Império à Democracia, por Howard Zinn'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-4733575531536460604</id><published>2008-12-17T05:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T05:14:23.569-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Obama: a diferença?</title><content type='html'>&lt;table class="contentpaneopen"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td colspan="2" class="createdate" valign="top"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr align="justify"&gt;&lt;td colspan="2" valign="top"&gt;&lt;style type="text/css"&gt;&lt;/style&gt;&lt;img src="http://www.esquerda.net/images/stories/dossiers/obama/obama01.jpg" alt="Barack Obama. Foto de Joe Crimmings Photography, FlickR" title="Barack Obama. Foto de Joe Crimmings Photography, FlickR" style="margin: 2px 5px; float: left; width: 150px; height: 100px;" width="150" height="100" /&gt;Parece que Barack Obama e John McCain estão a discutir em que guerra lutar. McCain diz: mantenhamos as tropas no Iraque até "ganharmos". Obama diz: retiremos algumas tropas (não todas) do Iraque e enviemo-las para combater no Afeganistão, para "ganharmos" aí. &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Por &lt;b&gt;Howard Zinn&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;   &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Como sou alguém que lutou numa guerra (a Segunda Guerra Mundial) e desde então me oponho a ela, devo perguntar: os nossos líderes políticos enlouqueceram? Não aprenderam nada com a história recente? Não aprenderam que ninguém "ganha" numa guerra, mas que centenas de milhar de seres humanos morrem, quase todos civis, muitos deles crianças? &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Por acaso "ganhámos" fazendo a guerra na Coreia? O resultado foi um ponto morto, que deixou as coisas como estavam antes: uma ditadura na Coreia do Sul, uma ditadura na Coreia do Norte, mas morreram mais de 2 milhões de pessoas, quase todas civis, lançámos napalm sobre crianças e 50 mil soldados dos EUA perderam a vida. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; "Ganhámos" por acaso no Vietname? A resposta é óbvia. Fomos forçados a retirar, mas somente depois de morrerem 2 milhões de vietnamitas, de novo civis na sua maioria, deixamos outra vez crianças sem braços ou sem pernas ou queimadas, além de morrerem 58 mil soldados norte-americanos. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; "Ganhámos" na primeira Guerra do Golfo? Na realidade não. É verdade que expulsámos Saddam Hussein do Kuwait, apenas com umas centenas de baixas norte-americanas, mas matámos dezenas de milhar de iraquianos nesse processo. E as consequências foram fatais para nós: o facto de Saddam continuar no poder levou-nos a pôr em prática sanções económicas que conduziram à morte de centenas de milhar de iraquianos (de acordo com funcionários das Nações Unidas) e levantaram o cenário de uma nova guerra. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; No Afeganistão, declarámos "vitória" sobre os talibans, mas os talibans estão de regresso, os ataques aumentam e as nossas baixas no Afeganistão já excedem as do Iraque. Porque pensa Obama que se enviarmos mais tropas para o Afeganistão obteremos a "vitória"? E mesmo se assim fosse, no sentido militar imediato, quanto duraria isso e a que custo em vidas humanas de ambos os lados? &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; O recrudescimento dos combates no Afeganistão é um bom momento para reflectir sobre como começou o nosso envolvimento aí. Permitam-me dirigir algumas observações aos que dizem, como muitos outros, que atacar o Iraque foi errado, mas que atacar o Afeganistão foi correcto. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Regressemos ao 11 de Setembro. Uns sequestradores dirigem os aviões que têm em seu poder contra o Centro de Comercio Mundial e o Pentágono, e matam 3 mil pessoas. Um acto terrorista, indesculpável por qualquer código moral. A nação está enfurecida. O presidente Bush dá ordem de invadir e bombardear o Afeganistão e uma onda de aprovação percorre o público norte-americano tolhido de medo e raiva. Bush anuncia então a sua "guerra contra o terror". &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Todos (excepto os terroristas) estamos contra o terrorismo. Deste modo, uma guerra contra o terrorismo soa bem. No calor dos acontecimentos, os norte-americanos não consideraram que não tínhamos sequer ideia de como fazer a guerra contra o terrorismo, e tão pouco Bush a tinha, pese às suas bravatas. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; É verdade, aparentemente a Al Qaeda - um grupo de fanáticos, relativamente pequeno mas implacável - era o responsável. E havia evidências de que os seus líderes, Osama Bin Laden e outros, tinham a sua base no Afeganistão. Mas não sabíamos exactamente onde. Desta forma, invadimos e bombardeamos o país inteiro. Isso fez que muita gente se sentisse "justiceira": "Tínhamos de fazer alguma coisa", escutávamos as pessoas dizer. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Sim, tínhamos de fazer alguma coisa. Mas não sem pensar, não de forma irresponsável. Por acaso aprovaríamos que um chefe de polícia, sabendo que havia um criminoso acoitado em algum sítio dum bairro, ordenasse o bombardeamento de todo o bairro? Isto rapidamente deu origem a que o total de mortos civis no Afeganistão ultrapassasse os 3 milhares - excedendo o número de vítimas do 11 de Setembro. Numerosos afegãos tiveram de abandonar as suas casas e converteram-se em refugiados ambulantes. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Dois meses depois da invasão do Afeganistão, um repórter do &lt;i&gt;Boston Globe &lt;/i&gt;descreveu uma criança de 10 anos que jazia num hospital: "Perdeu os olhos e as mãos devido a uma bomba que explodiu em sua casa logo a seguir à refeição dominical". O médico que o tratava disse: "Os Estados Unidos devem pensar que ele é o Osama. Mas ele não é o Osama, porque lhe fazem isto?" &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Deveríamos perguntar aos candidatos presidenciais: a nossa guerra no Afeganistão, que ambos aprovam, põe fim ao terrorismo ou provoca-o? A guerra não é em si mesma terrorismo? &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Poderia assumir-se, do que acima se disse, que não vejo diferença entre McCain e Obama, que os vejo como equivalentes. Não é assim. Há uma diferença, que não é suficientemente significativa para me dar confiança em Obama como presidente, mas é suficiente para votar por Obama na esperança de que derrote McCain. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Seja quem for o presidente, o factor crucial de uma mudança é que exista agitação suficiente num país a favor da mudança. Suponho que Obama pode ser mais sensível que McCain a essa agitação, dado que ela virá dos seus simpatizantes, dos entusiastas que mostraram a sua desilusão saindo à rua. Franklin D. Roosevelt não foi um radical, mas era mais sensível à crise económica do país e mais susceptível à pressão oriunda da esquerda do que Herbert Hoover. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Mesmo para os mais "puros" dos radicais, deve ser possível reconhecer as diferenças que podem significar a vida ou a morte de milhares. Em França, durante a guerra da Argélia, a eleição de De Gaulle - que não era de todo um anti-imperialista mas estava consciente do inevitável declinar dos impérios - foi significativa para pôr fim àquela prolongada e brutal ocupação. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Não tenho dúvida alguma de que o mais sábio, o mais confiável, o mais íntegro de todos os candidatos recentes é Ralph Nader. Mas penso que é um desperdício da sua força política, um acto insignificante, desgastá-lo na arena eleitoral, em que o resultado só pode ser visto como prova de debilidade. O seu poder, a sua inteligência, apoiam-se na mobilização das pessoas fora das urnas eleitorais. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Por isso, sim, votarei por Obama, porque o sistema político corrupto não me oferece outra opção, mas só por um momento: quando accionar o dispositivo apropriado na cabina de voto. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Antes e depois desse momento, quero usar toda a minha energia para fazer com que reconheça que deve desafiar os pensadores tradicionais e os interesses corporativos que o rodeiam, e prestar homenagem aos milhões de norte-americanos que querem uma mudança de verdade. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Uma clarificação final. As lições que retiro da História quanto à futilidade de "ganhar" não devem ser entendidas no sentido de que o que está mal na nossa política no Iraque é que não possamos "ganhar". Não é que não possamos ganhar. É que não deveríamos ganhar, porque não é o nosso país. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;    &lt;style type="text/css"&gt; &lt;/style&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;b&gt;Howard Zinn &lt;/b&gt;é historiador, cientista político, crítico social, dramaturgo, socialista e activista norte-americano. O seu livro mais conhecido é "A História do Povo dos Estados Unidos". Autor de mais de 20 livros, é professor emérito de ciência política da Universidade de Bston. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; &lt;i&gt;Tradução (para castelhano) de Ramón Vera Herrera, do &lt;a href="http://www.jornada.unam.mx/2008/10/25/index.php?section=opinion&amp;amp;article=028a1mun" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;La Jornada&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; . Tradução para português de &lt;b&gt;José Pedro Fernandes&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt; Retirado de &lt;i&gt;The Progressive&lt;/i&gt;, Outubro de 2008. Reproduzido pelo &lt;i&gt;La Jornada&lt;/i&gt; com consentimento expresso do autor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;FONTE EM PORTUGUÊS CLIQUE &lt;a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=8910&amp;amp;Itemid=121"&gt;AQUI&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-4733575531536460604?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/4733575531536460604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=4733575531536460604&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/4733575531536460604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/4733575531536460604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/12/obama-diferena.html' title='Obama: a diferença?'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-8060058728960777550</id><published>2008-07-14T10:23:00.000-07:00</published><updated>2008-12-26T05:14:07.479-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo do Howard Zinn'/><title type='text'>Sacco e Vanzetti por Howard Zinn</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:arial,helvetica,sans-serif;font-size:10;"  &gt;&lt;img src="http://www.esquerda.net/images/stories/dossiers/sacco_vanzetti/sacco_vanzetti_protesto.jpg" alt="Protesto pela libertação de Sacco e Vanzetti (1927)" style="border: 0px solid rgb(0, 0, 0); margin: 5px; float: left; width: 150px; height: 109px;" title="Protesto pela libertação de Sacco e Vanzetti (1927)" width="150" height="109" /&gt;Cinquenta anos depois das execuções dos imigrantes italianos Sacco e Vanzetti, o Governador Dukakis, de Massachusetts, criou uma comissão para julgar a imparcialidade do julgamento, e a conclusão foi que os dois homens não tinham tido um julgamento justo. Isto causou uma pequena tempestade em Boston.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial,helvetica,sans-serif;font-size:10;"  &gt;Uma carta, assinada por John M. Cabot, antigo embaixador dos EUA, declarava a sua "grande indignação" e assinalou que a confirmação da pena de morte feita pelo governador Fuller aconteceu depois de uma revisão especial do caso por "três dos cidadãos mais distintos e respeitados de Massachusetts - o presidente de Harvard, Lowell, o presidente do MIT, Stratton, e o juiz reformado Grant."&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Artigo de Howard Zinn publicado em &lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.zmag.org/" target="_blank"&gt;znet&lt;/a&gt; &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Estes três " distintos e respeitados cidadãos" são vistos de uma forma diferente por Heywood Broun, que escreveu na sua coluna no jornal "New York World" imediatamente após a publicação do relatório da comissão do Governador. Ele escreveu:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;"Não é qualquer prisioneiro que tem um presidente da Universidade de Harvard a carregar no interruptor por ele... Se isto é um linchamento, pelo menos o vencedor ambulante de peixe e o seu amigo operário puderam ter como consolo das suas almas terem morrido às mãos de homens em fato completo ou toga académica."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Heywood Broun, um dos mais premiados jornalistas do século XX, não durou muito como colunista do "New York World".&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;No 50º ano depois da execução, o "New York Times" relatou que: "Os planos do Presidente da Câmara Beame para declarar a próxima terça-feira "Dia de Sacco e Vanzetti" foram cancelados para evitar a controvérsia, disse ontem um porta-voz da Câmara Municipal."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Deve haver uma boa razão para que um caso com 50 anos, agora com mais de 75, cause tanta emoção. A minha sugestão é que as conversas sobre Sacco e Vanzetti lembram-nos inevitavelmente questões que nos incomodam hoje: o nosso sistema de justiça, a relação entre a obsessão pela guerra e as liberdades civis e, mais perturbante ainda, as ideias anarquistas: a eliminação de fronteiras nacionais e, portanto, da guerra, o fim da pobreza e a criação de uma democracia plena.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;O caso de Sacco e Vanzetti revelou, nos seus termos mais crus, que as palavras nobres inscritas nos nossos tribunais, "Justiça Igual perante a Lei", sempre foram uma mentira. Aqueles dois homens, um vendedor de peixe e um sapateiro, não podiam obter Justiça no sistema americano, porque a justiça não é distribuída igualmente entre os pobres e os ricos, os nativos e os estrangeiros, os ortodoxos e os radicais, os brancos e os de cor. E, apesar de a injustiça poder hoje demonstrar-se de formas mais subtis e intrincadas do que nas circunstâncias brutais do caso Sacco e Vanzetti, ela é essencialmente a mesma. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Neste caso, a parcialidade foi flagrante. Estavam a ser julgados por roubo e assassínio, mas nas mentes e no comportamento do advogado de acusação, do juiz e do júri, o mais importante sobre eles era serem quem eram, como diz Upton Sinclair no seu romance notável "Boston", "wops" (pejorativo para italianos), estrangeiros, trabalhadores pobres, radicais.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Eis uma amostra do interrogatório policial:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Polícia: És um cidadão?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Não.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Polícia: És um comunista?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Não. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Polícia: Anarquista?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Não.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Polícia: Acreditas neste nosso governo?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Sim; algumas coisas gostava que fossem diferentes.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;O que tinham estas questões a ver com o roubo de uma fábrica de sapatos em South Braintree, Massachusetts, e com os tiros que mataram um caixa e um guarda? &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco mentia, claro. "Não, não sou um comunista. Não, não sou um anarquista." Porque mentiria ele à polícia? Porque mentiria um judeu à Gestapo? Porque mentiria aos seus interrogadores um negro na África do Sul? Porque mentiria à polícia secreta um dissidente na Rússia soviética? Porque todos sabem que não há justiça para eles.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Alguma vez existiu justiça no sistema americano para os pobres, para as pessoas de cor, para os radicais? Quando os oito anarquistas de Chicago foram condenados à morte depois do motim de Haymarket (um motim criado pela polícia) em 1886, não foi porque existisse qualquer prova que os ligasse à bomba atirada para o meio da polícia; não havia nem cheiro de provas. Foram condenados porque eram dirigentes do movimento anarquista de Chicago.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Quando Eugene Debs e milhares de outros foram presos durante a I Guerra Mundial, ao abrigo da Lei da Espionagem, foram porque eram culpados de espionagem? Nem pensar. Eram socialistas que falaram contra a guerra. Ao confirmar a sentença de dez anos para Debs, o juiz do Supremo Tribunal Oliver Wendell Holmes esclareceu porque é que Debs tinha de ser preso. Ele citou do discurso de Debs: "A classe dominante sempre declarou guerras, a classe oprimida sempre lutou nas batalhas daqueles."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Holmes, muito admirado como um dos nossos grandes juristas liberais, deixou claros os limites do liberalismo, as suas fronteiras estabelecidas por um nacionalismo vingativo. Depois de esgotados todos os apelos de Sacco e Vanzetti, o caso chegou a Holmes, no Supremo Tribunal. Ele recusou rever o caso, mantendo portanto o veredicto.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;No nosso tempo, Ethel e Julius Rosenberg foram condenados à cadeira eléctrica. Foi porque eles eram culpados para além de uma dúvida razoável de passar segredos nucleares à União Soviética? Ou foi porque eram comunistas, como a acusação deixou claro, com a aprovação do juiz? Foi também porque o país estava mergulhado numa histeria anti-comunista, os comunistas tinham acabado de tomar o poder na China, havia uma guerra na Coreia, e o peso de tudo isso podia ser suportado por dois comunistas americanos?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Porque foi George Jackson, na Califórnia, condenado a dez anos de prisão por um roubo de 70 dólares, e depois morto a tiro por dois guardas? Foi porque era pobre, negro e radical?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Hoje, com a atmosfera de "guerra ao terror" em que vivemos, será possível um muçulmano ter acesso a uma justiça imparcial, à igualdade perante a Lei? Porque foi o meu vizinho, um brasileiro de pele escura que podia ser tomado por um muçulmano do Médio Oriente, retirado do seu carro pela polícia, apesar de não ter violado qualquer regulamento, questionado e humilhado?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Porque são os dois milhões de pessoas nas prisões e penitenciárias americanas, e os seis milhões em liberdade condicional ou sob vigilância, desproporcionalmente pessoas de cor, desproporcionalmente pobres? Um estudo demonstrou que 70% das pessoas presas no estado de Nova Iorque vêm de sete bairros da cidade de Nova Iorque - bairros de pobreza e desespero.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;A injustiça de classe atravessa todas as décadas, todos os séculos da nossa história. No tempo do julgamento de Sacco e Vanzetti, um homem rico da cidade de Milton, a sul de Boston, atirou sobre um homem que juntava lenha na sua propriedade, matando-o. Passou oito dias na cadeia, depois foi libertado sob fiança, e nunca foi acusado. O advogado do Ministério Público chamou-lhe "um homicídio justificável". Uma lei para os ricos, uma lei para os pobres - uma característica persistente do nosso sistema de justiça.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Porém, serem pobres não era o maior crime de Sacco e Vanzetti. Eram italianos, imigrantes, anarquistas. Tinham passado menos de dois anos depois do final da I Guerra Mundial. Eles tinham protestado contra a guerra. Tinham recusado o alistamento. Viram a histeria contra imigrantes e radicais crescer, observaram as incursões dos agentes do Procurador Chefe Palmer, do Departamento de Justiça, que entravam à força nas casas a meio da noite sem mandatos, mantinham pessoas incomunicáveis e espancavam-nas com bastões e tubos de metal.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Em Boston, foram presos 500, acorrentados uns aos outros e levados em marcha pelas ruas. Luigi Galleani, editor do jornal anarquista "Cronaca Sovversiva", que Sacco e Vanzetti assinavam, foi apanhado em Boston e rapidamente deportado.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Algo ainda mais assustador tinha acontecido. Um anarquista, companheiro de Sacco e Vanzetti, tipógrafo de seu nome Andrea Salsedo, que vivia em Nova Iorque, foi raptado por membros do FBI (uso a palavra "raptado" para descrever a prisão ilegal de uma pessoa), e mantido nos escritórios do FBI no 14º andar do edifício de Park Row. Não lhe foi permitido telefonar à família, aos amigos ou a um advogado e, segundo outro prisioneiro, foi interrogado e espancado. Na oitava semana da sua prisão, a 3 de Maio de 1920, o corpo de Salsedo, em carne viva, foi encontrado no passeio perto do edifício de Park Row e o FBI anunciou que ele se tinha suicidado saltando do 14º andar, pela janela do quarto em que o mantinham. Isto foi dois dias antes de Sacco e Vanzetti serem presos.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Hoje sabemos, na sequência dos relatórios do Congresso de 1975, do programa COINTELPRO do FBI em que os agentes do FBI entravam nas casas e escritórios de pessoas, fizeram escutas ilegais, estiveram envolvidos em actos de violência e assassínio e colaboraram com a polícia de Chicago na morte de dos líderes dos Panteras Negras em 1969. O FBI e a CIA quebraram a lei muitas vezes. Não há castigo para eles.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Tem havido poucas razões par ter fé que as liberdades civis das pessoas deste país serão protegidas na atmosfera de histeria que se seguiu ao 11 de Setembro e que persiste até hoje. Aqui, têm havido prisões colectivas de imigrantes, detenções sem prazo, deportações, e espionagem doméstica não autorizada. No estrangeiro, houve assassínios extra-judiciais, tortura, bombardeamentos, guerra e ocupações militares.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Igualmente, o julgamento de Sacco e Vanzetti começou imediatamente após o Dia do Memorial, um ano e meio depois da orgia de morte e patriotismo que foi a I Guerra Mundial, quando os jornais ainda vibravam com o ruído dos tambores e a retórica fácil.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Doze dias depois do início do julgamento, a imprensa relatou que os corpos de três soldados tinham sido transferidos dos campos de batalha franceses para a cidade de Brockton e que toda a cidade tinha comparecido para uma cerimónia patriótica. Tudo isto estava nos jornais, que os membros do júri podiam ler.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco foi contra-interrogado pelo advogado de acusação Katzmann:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Pergunta: Amava este país na última semana de Maio de 1917?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Isso é bastante difícil, para mim, responder numa só palavra, senhor Katzmann.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Pergunta: Só há duas palavras que pode usar, senhor Sacco, sim ou não. Qual delas é?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco: Sim.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Pergunta: E foi para mostrar o seu amor pelos Estados Unidos da América, quando estes estavam prestes a chamá-lo para ser um soldado, que fugiu para o México?&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;No início do julgamento, o juiz Thayer (que, num encontro de golfe, se referiu num discurso aos arguidos como "aqueles bastardos anarquistas") disse ao júri: "Meus senhores, apelo a que cumpram esta missão que foram chamados a desempenhar com o mesmo espírito de patriotismo, coragem e devoção ao dever que mostraram os nossos rapazes, soldados, no ultramar."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;As emoções evocadas por uma bomba que explodiu na casa do Procurador Chefe Palmer durante um tempo de guerra - tal como as emoções libertadas pela violência do 11 de Setembro - criaram uma atmosfera de ansiedade na qual as liberdades civis foram prejudicadas.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco e Vanzetti compreenderam que, qualquer fosse o argumento que os seus advogados apresentassem, não venceriam contra a realidade da injustiça de classe. Sacco disse ao tribunal, durante a sentença: "Eu sei que a sentença será entre duas classes, a classe oprimida e a classe rica... É por isso que me sento hoje neste banco, por ter sido da classe oprimida."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Este ponto de vista parece dogmático, simplista. Nem todas as decisões dos tribunais são explicadas por ele. Mas, na falta de uma teoria que se aplique a todos os casos, a visão simples e forte de Sacco é certamente um melhor guia para perceber o sistema legal do que a que define uma disputa entre iguais baseada na busca objectiva da verdade.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Vanzetti sabia que os motivos legais não os iam salvar. A menos que um milhão de americanos se organizassem, ele e o seu amigo Sacco morreriam. Não com palavras, mas com luta. Não com apelos, mas com exigências. Não com petições, mas com ocupações de fábricas. Não lubrificando a maquinaria de um sistema supostamente justo para o fazer trabalhar melhor, mas com uma greve geral que parasse a máquina.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Isso nunca aconteceu. Milhares manifestaram-se, marcharam, protestaram, não apenas em Nova Iorque, Boston, Chicago, São Francisco, mas também em Londres, Paris, Buenos Aires, África do Sul. Não foi suficiente. Na noite da execução, milhares manifestaram-se em Charlestown, mas foram mantidos longe da prisão por um ajuntamento enorme de polícias. Alguns, dos que protestavam, foram presos. Metralhadoras nos telhados e enormes projectores varriam a cena.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Uma multidão enorme juntou-se na Praça da União a 23 de Agosto de 1927. Poucos minutos depois da meia-noite, as luzes da prisão ficaram mais fracas enquanto os dois homens eram executados. O "New York World" descreveu a cena: "A multidão respondeu com um soluço gigante. Mulheres desmaiaram em quinze ou vinte sítios. Outros, demasiado perturbados, caíram no lancil e enterraram a cabeça nas mãos. Homens apoiaram-se nos ombros uns dos outros e choraram."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;O seu maior crime era o anarquismo, uma ideia que ainda hoje nos assusta como um relâmpago por causa da sua verdade essencial: somos todos um só, as fronteiras nacionais e os ódios nacionais devem desaparecer, a guerra é intolerável, os frutos da terra devem ser partilhados e só uma luta organizada contra a autoridade pode produzir um mundo assim.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;O que chega até nós do caso de Sacco e Vanzetti não é apenas tragédia, mas também inspiração. O inglês deles não era perfeito, mas quando falavam era uma espécie de poesia. Vanzetti disse do seu amigo Sacco:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;"Sacco é um coração, uma fé, um carácter, um homem; um homem amante da natureza e da humanidade. Um homem que deu tudo, que tudo sacrificou á causa da liberdade e ao seu amor da humanidade: dinheiro, descanso, ambição mundana, a sua mulher, os seus filhos, ele próprio e a sua vida... sim, eu posso ser mais astuto, como disseram alguns, sou um melhor falador do que ele, mas muitas, muitas vezes, ao ouvir a sua bela voz vibrar com uma fé sublime, ao considerar o seu supremo sacrifício, ao lembrar o seu heroísmo, sinto-me pequeno, pequeno na presença da sua grandeza, e encontro-me obrigado a reprimir as lágrimas dos meus olhos, apagar o meu coração que me salta da garganta, para não chorar diante dele - este homem foi chamado chefe, assassino e condenado".&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Pior que tudo, eram anarquistas, significando que tinham uma ideia louca de uma democracia plena em que nem o ser estrangeiro, nem a pobreza, existissem, e que pensavam que, sem estas provocações, a guerra entre nações acabaria para sempre. Mas, para isto acontecer, os ricos teriam de ser combatidos e os seus bens confiscados. Esta ideia anarquista é um crime muito pior do que roubar um salário, e portanto até hoje a história de Sacco e Vanzetti não pode ser recordada sem grande ansiedade.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sacco escreveu ao seu filho Dante: "Portanto, filho, em vez de chorar, sê forte, para conseguires consolar a tua mãe... leva-a para um passeio longo num campo tranquilo, apanhando flores aqui e ali, descansando sob a sombra das árvores... Mas lembra-te sempre, Dante, nesta peça de felicidade, não a uses toda apenas para ti... ajuda os perseguidos e as vítimas porque eles são os teus melhores amigos... Nesta luta da vida vais encontrar mais amor e serás amado."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Sim, isto era anarquismo, o amor deles pela humanidade, que os condenou. Quando Vanzetti foi preso, tinha um panfleto no seu bolso que anunciava um encontro dali a cinco dias. É um panfleto que podia ser distribuído hoje, em qualquer sítio do mundo, tão certo nos nossos dias como o era no dia da sua prisão. Declarava:&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;"Vocês combateram todas as guerras. Vocês trabalharam para todos os capitalistas. Vocês viajaram por todos os países. Colheram os frutos do vosso trabalho, o valor das vossas vitórias? O passado consola-vos? O presente sorri-vos? O futuro promete-vos alguma coisa? Encontraram um pedaço de terra em que possam viver como seres humanos e morrer como seres humanos? Sobre estas perguntas, sobre esta discussão, sobre este tema, a luta pela existência, falará Bartolomeo Vanzetti."&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Essa reunião não se realizou. Mas o seu espírito ainda existe hoje, com pessoas que acreditam e amam e lutam por todo o mundo.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;Data do assassinato 23/08/1927&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente publicado no &lt;a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=3740&amp;amp;Itemid=40"&gt;Esquerda.net&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-8060058728960777550?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/8060058728960777550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=8060058728960777550&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8060058728960777550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/8060058728960777550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/07/sacco-e-vanzetti-por-howard-zinn.html' title='Sacco e Vanzetti por Howard Zinn'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-6247802861927846609</id><published>2008-06-10T20:43:00.000-07:00</published><updated>2008-12-26T05:13:41.555-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo sobre Howard Zinn'/><title type='text'>O Tio Sam que você nunca viu - Artigo sobre o livro "A people`s History of the United States: 1942 - Present.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SE9LPY2alxI/AAAAAAAAAQk/UghjDTBNUNU/s1600-h/9780060528423.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SE9LPY2alxI/AAAAAAAAAQk/UghjDTBNUNU/s320/9780060528423.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210466021631760146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;O Tio Sam que você nunca viu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em “A Outra História dos Estados Unidos”, o historiador Howard Zinn revela uma grande potência manchada por seus pecados, preconceitos e fraquezas&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-style: italic;"&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Waldir José Rampinelli&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Florianópolis&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nos arredores de Boston, em uma lápide no parque nacional, lê-se a inscrição: “Aqui jaz uma mulher índia, uma wampanoag, cuja família e tribo entregaram suas vidas e suas terras para que esta grande nação pudesse nascer e prosperar”. Muitos cidadãos americanos, gente decente e bem intencionada – diz Chomsky –, desfilam continuamente junto a esta tumba, lendo o epitáfio sem exibir a mínima reação, quando não um sentimento de satisfação pela homenagem prestada a esta pobre gente. Provavelmente não fariam o mesmo diante de um Auschwitz ou um Dachau, tanto que o Dia Anual de Lembrança do Holocausto é um evento nacional nos Estados Unidos. Sete grandes museus se espalham pelo país recordando o massacre nazista e nenhum sobre a escravidão capitalista. O genocídio dos nativos – cuja população girava em torno de &lt;st1:metricconverter productid="12 a" st="on"&gt;12 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 15 milhões de pessoas por volta de 1492 – se estendeu mais tarde aos negros, sem esquecer a opressão e a exploração da classe dominante aos brancos pobres, às mulheres e às crianças. No plano externo, com as guerras os Estados Unidos não apenas conquistaram 55% do território mexicano, como também se apoderaram de domínios e ilhas espanholas, obrigaram a França a vender a Luisiânia e impuseram, baseados em suas mais diversas doutrinas (Doutrina Monroe, Destino Manifesto), uma hegemonia sobre a América Latina. Deste modo, os Estados Unidos foram se expandindo e contando a sua história como uma grande saga e uma grande aventura de um grande povo .&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O historiador Howard Zinn mostra em “A Outra História dos Estados Unidos”, ainda sem tradução para o Brasil, a que não é ensinada nas escolas e universidades, e tampouco escrita nos livros e revistas. “Se a história tem que ser criativa – para assim antecipar um possível futuro sem negar o passado – deveria, creio eu, se centrar nas novas possibilidades baseando-se no descobrimento dos fatos esquecidos do passado, nos quais, ainda que seja só em breves pinceladas, as pessoas mostraram uma capacidade para a resistência, para a unidade e, ocasionalmente, para a vitória.” Ao se referir à Declaração de Independência redigida por Thomas Jefferson e proclamada em 4 de julho de 1776, afirma que, embora ela enunciasse “que todos os homens são criados iguais, que seu Criador lhes dá certos direitos inalienáveis, entre outros o da Vida, o da Liberdade e o da Felicidade”, ocorreu, no entanto, que uma grande maioria dos americanos foi claramente excluída dessas conquistas, como os índios, os negros, os brancos pobres e as mulheres. A estes foram oferecidas as aventuras e as recompensas do serviço militar, para que lutassem por uma causa que talvez nunca sentiram como própria. Zinn fala da vitória final em 1781, em Yorktown, na Virginia, na qual os ingleses foram derrotados com a ajuda de um potente exército e frota francesa bem como dos marginalizados da sociedade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Persiste até hoje nos Estados Unidos uma verdadeira mitologia em relação aos pais fundadores da pátria. Segundo Zinn, eles não buscavam o equilíbrio de poder, mas sim um mecanismo que desse o total controle à classe dominante da época. “O certo é que não queriam um equilíbrio igualitário entre escravos e patrões, entre os sem-terra e os latifundiários, entre os índios e os brancos”, escreveu. Os fundadores não levaram em conta as mulheres, que significavam a metade da população, mas sequer foram mencionadas na Declaração de Independência e estiveram ausentes da Constituição, sendo a parte invisível da nação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;....................................................&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Duas guerras civis&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A busca por uma sociedade mais justa foi intensa no final do século 19 nos Estados Unidos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A Guerra Civil ou da Secessão (1861-1865), apresentada como a da abolição da escravidão, teve um objetivo fundamental: o de transferir mais poder aos ricos do Norte, de modo especial aos monopólios. “Um governo assim”, afirma Zinn, “não aceitaria que fora uma revolta que pusera fim à escravidão. Só acabaria a escravidão em termos ditados pelos brancos, e somente quando o exigissem as necessidades políticas e econômicas da elite empresarial do Norte. Foi Abraham Lincoln quem combinou com perfeição as necessidades do empresariado, a ambição do novo Partido Republicano e a retórica do humanismo”. Libertos, os negros tiveram que se alistar no Exército e na Marinha. “Sem sua ajuda”, diz o historiador James McPherson, “o Norte não teria vencido a guerra da forma como o fez, e, talvez, simplesmente não a ganhasse”, menciona Zinn. Às vésperas da Guerra Civil, a escravidão já havia desaparecido em toda a América Latina, com exceção de Cuba (1886) e do Brasil (1888). Na década de 1870, quando os negros começaram a se organizar para exigir os direitos civis, a oligarquia branca do Sul usou de seu poder econômico preparando grupos racistas com práticas terroristas, como a Ku Klux Klan. “Aboliu-se a escravidão, porém, foi substituída por uma espécie de peonagem. Não se resolveu a posição dos negros na sociedade, de modo que, cem anos depois, eles não desfrutavam de todos os direitos que, ao parecer, a guerra lhes havia prometido." No centenário da independência (1876), uma “Declaração Negra da Independência” denunciou o Partido Republicano, que antes havia conclamado os votantes de cor a assumir uma posição política própria. A Declaração, entre outras coisas, dizia que o sistema atual “apresentou ao mundo o absurdo espetáculo de uma terrível guerra civil pela abolição da escravidão negra, enquanto a maioria da população branca (os brancos pobres) – aquela que criou a riqueza da nação – se vê obrigada a sofrer uma escravidão muito mais dolorida e humilhante”. O mais grave da guerra foi, talvez, o legado de ódio e amargura que sobreviveu à geração combatente, especialmente contra os negros. Quase cem anos depois, no começo de 1945, quando o Queen Mary zarpou carregado de soldados para a guerra na Europa, os negros foram postos na parte inferior do navio, perto das máquinas, enquanto os brancos respiravam o ar puro na escotilha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A outra guerra civil é o termo utilizado por Zinn para analisar o incremento da luta de classes nos Estados Unidos ao longo de todo o século 19, ausente dos livros de história. Com a industrialização, aparecem os operários e o conflito capital versus trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As greves não são apenas por salário, mas também por redução de jornada laboral e direito à sindicalização. Em 1844, quatro anos antes do Manifesto Comunista, saiu no "Awl" o seguinte texto: “A divisão da sociedade entre as classes produtivas e as não-produtivas e a distribuição desigual do valor entre elas nos leva em seguida a outra distinção: a do capital e mão-de-obra (...) a mão-de-obra agora se converte em mercadoria (...) o capital e a mão-de-obra estão enfrentados .”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Algumas categorias, como as feministas, passaram a fazer greve&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SE9K6xvru_I/AAAAAAAAAQc/homxBAiAiSk/s1600-h/peopleshistory.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SE9K6xvru_I/AAAAAAAAAQc/homxBAiAiSk/s320/peopleshistory.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210465667537157106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;s exigindo não apenas salário igual para a mesma tarefa realizada, como também o fim da opressão sexual. Muitas delas se aliaram aos negros, enquanto alguns sindicatos de trabalhadores brancos exigiam que os trabalhadores de cor criassem os próprios na luta pela desigualdade racial e de gênero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A busca por uma sociedade mais justa – vista como socialista – foi intensa no final do século 19 e principalmente no século 20 dentro dos Estados Unidos. Escritores famosos, como Upton Sinclair, Jack London, Theodore Dreiser, Frank Norris e outros, defendiam publicamente o socialismo, ao mesmo tempo em que atacavam violentamente o capitalismo. Parte dos trabalhadores, dando-se conta de que a raiz de sua miséria estava no sistema capitalista, começou a trabalhar por um novo tipo de sindicato. Em junho de 1905, na cidade de Chicago, cerca de duzentos socialistas, anarquistas e sindicalistas de todas as partes do país fundaram o Industrial Workers of the World (IWW), que liderou greves, marchas, concentrações, grupos de estudos e publicações, sendo sistematicamente atacado e perseguido pelo Estado. As mulheres socialistas, que formavam parte do movimento feminista, fizeram uma grande campanha pelo sufrágio universal e pela igualdade no casamento e na vida sexual. Margaret Sanger, no seu livro “Woman and the New Race”, mencionado por Zinn, afirmava que “nenhuma mulher pode considerar-se livre se não possui e controla seu próprio corpo. Nenhuma mulher pode se considerar livre até que possa escolher conscientemente se será mãe ou não”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Embora as mulheres tenham conseguido o direito ao voto, e apenas em 1920, após a aprovação da 19ª Emenda Constitucional, muitas delas, como Emma Goldman, sabiam que apenas o sufrágio universal não as ajudaria em sua emancipação. Era fundamental continuar a luta – dizia Goldman – reafirmando sua personalidade, tendo direito sobre seu corpo, negando-se a ter filhos a não ser que os deseje, recusando-se a ser uma empregada de Deus, do Estado, da sociedade, de seu marido, de sua família, enfim, fazendo sua vida mais simples, porém, mais rica e profunda. Somente isso, e não o voto, libertará a mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;....................................................&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;O nacionalismo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O governo protegeu a indústria nacional de suas concorrentes estrangeiras, facilitou o surgimento dos monopólios, buscou mercados cativos para compra de matérias-primas e vendas de produtos manufaturados e lançou mão, principalmente no final do século 19 e início do 20, de estratégias como o panamericanismo, o big tick, a diplomacia do dólar e a boa vizinhança para exercer sua dominação sobre a América Latina. Além disso, serviu-se do nacionalismo para se fortalecer diante de problemas internos e externos. O historiador Richard Hofstadter, no seu livro “The American Political Tradition”, pesquisou os principais líderes nacionais, começando por Jefferson e Jackson, passando por Hoover e chegando a Theodore e Franklin Roosevelt; analisou republicanos, democratas, liberais e conservadores, chegando à conclusão de que “o alcance de visão (...) dos principais partidos sempre foi determinado pelos horizontes da propriedade e da empresa (...) pelas virtudes econômicas da cultura capitalista (...) Essa cultura tem sido intensamente nacionalista”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As reformas de Roosevelt para salvar o capitalismo da grande crise foram importantes, mas não fundamentais. Na realidade, foi a Segunda Guerra Mundial que debilitou a velha militância trabalhista dos anos 1930, já que o conflito passou a gerar milhões de novos empregos com salários mais altos. O New Deal só havia reduzido o desemprego de 13 para 9 milhões de pessoas. Além disso, a guerra aumentou o patriotismo e a união de todas as classes para derrotar os inimigos externos, enfraquecendo assim a luta contra os monopólios e as greves por melhorias sociais. Em 1948, o Tratado de Ajuda Externa – conhecido como Plano Marshall – exigia dos que aceitassem a “ajuda” que comprassem produtos manufaturados dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que obrigavam as nações européias e suas colônias a abrirem seus mercados aos investidores americanos sobre uma base de igualdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Zinn termina seu livro mostrando que o Vietnã foi a primeira grande derrota do império global americano no pós-Segunda Guerra Mundial, o que se deveu à luta dos camponeses revolucionários e ao movimento de protestos dentro dos Estados Unidos. Analisa os novos movimentos de mulheres, negros, índios e carcereiros nos anos 1960 e 1970. Mostra como Watergate, com a saída de Nixon, deixou intacto o sistema, tanto que as multinacionais atuaram na queda de vários governos, principalmente na América Latina. Comenta o trabalho da Agência Central de Inteligência e da Comissão Trilateral, esta criada para favorecer a união entre Japão, Europa Ocidental e Estados Unidos na luta, não contra um comunismo monolítico, mas sim contra os movimentos revolucionários do Terceiro Mundo que questionavam o sistema capitalista. Não deixa de falar de Carter-Reagan-Bush e o consenso bipartidista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sem dúvida, trata-se de um grande livro para conhecer uma história que sempre nos foi contada de outra maneira. A obra foi escrita em poucos anos, mas o seu autor conta com mais de vinte de pesquisa e ensino e tantos outros de participação em movimentos sociais. Só assim se consegue escrever a outra história dos Estados Unidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Waldir José Rampinelli, professor de história da América na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com mestrado &lt;/span&gt;&lt;st1:personname style="font-style: italic;" productid="em Estudos Latino-Americanos" st="on"&gt;em  Estudos Latino-Americanos&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e doutorado pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC/SP). Autor, entre outros, do livro “As Duas Faces da Moeda – as Contribuições de JK e Gilberto Freyre ao Colonialismo Português”, Editora da UFSC, 2004.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;....................................................&lt;/p&gt;Fonte: http://www.an.com.br/anexo/2008/fev/10/0ide.jsp&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-6247802861927846609?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/6247802861927846609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=6247802861927846609&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/6247802861927846609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/6247802861927846609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/06/o-tio-sam-que-voc-nunca-viu-artigo.html' title='O Tio Sam que você nunca viu - Artigo sobre o livro &quot;A people`s History of the United States: 1942 - Present.'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SE9LPY2alxI/AAAAAAAAAQk/UghjDTBNUNU/s72-c/9780060528423.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-457403744860271576</id><published>2008-06-02T21:11:00.000-07:00</published><updated>2008-12-26T05:13:14.938-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista com Howard Zinn no jornal Valor Econômico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SETFJz2G2sI/AAAAAAAAAPY/wHs1oK8kqbk/s1600-h/materia_valor.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SETFJz2G2sI/AAAAAAAAAPY/wHs1oK8kqbk/s200/materia_valor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207503841473780418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A Guerra é Imoral e Ilegal"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista com Howard Zinn publicada no jornal Valor Econômico&lt;br /&gt;Caderno Eu &amp;amp; Fim de Semana, dia 17 de março de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores ícones de pensamento da esquerda norte-americana lança pela primeira vez um livro no Brasil: “Você Não Pode Ser Neutro Num Trem em Movimento: Uma História Pessoal dos Nossos Tempos” (L-Dopa, 263 páginas, R$ 36). O professor da Universidade de Boston lança ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, “Iraque: A Lógica da Retirada”, emulando “Vietnã: A Lógica da Retirada”, bíblia do movimento pacifista, escrito por Zinn em 1967. Na entrevista a seguir ele critica a invasão do Iraque, que completa três anos no domingo, e diz que acredita em uma saída pacifista para a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É possível comparar o clamor pela retirada de tropas do Vietnã e, agora, do Iraque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu vejo claramente a história se repetindo. Os americanos foram mais uma vez levados à guerra por conta das mentiras de Washington. Mas o povo está despertando gradualmente para o que aconteceu. Veja o crescimento fantástico do movimento pacifista. As pesquisas mostram que já há um entendimento de que a invasão do Iraque também é, essencialmente, um ato de agressão ilegal e imoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas o que aconteceu com a esquerda americana? O filósofo francês Bernard-Henri Lévy diz que o maior problema da América não são os neo-conservadores e sim a indigência da esquerda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Bernard está completamente equivocado! Aliás, ele tem apenas um conhecimento superficial sobre o que está acontecendo nos EUA. Existem muito mais movimentos progressistas espalhados pelo país hoje do que nos anos 60. O problema é que as ações mais localizadas não ganham destaque na imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor pode me dar um exemplo concreto desta omissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Na semana passada 300 mil pessoas foram às ruas de Chicago se manifestar a favor dos imigrantes. A cobertura foi pífia. Pensemos no episódio Cindy Sheehan. Quando ela decidiu acampar na estrada próxima ao sítio de Bush, no Texas, centenas de eventos foram organizados em para apóia-la e pouco se falou a respeito. A esquerda americana não está unida em um grande movimento social, algo muito difícil em um país tão grande e com população tão espaçada. Mas ela está, sim, muito viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor acha que Sheehan esteve um passo à frente da imprensa americana, ao expor de maneira clara o desejo da maioria da população de uma retirada das tropas do Oriente Médio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, mas a imprensa americana se portou de maneira vergonhosa desde os preparativos para a invasão até os dias de hoje. Mas eu não me surpreendo com isso. Historicamente, os grandes meios de comunicação americanos sempre se portaram de modo covarde quando se tratou de qualquer guerra comandada por Washington. Demorou mais de dois anos para que o primeiro jornal pedisse a retirada dos ‘marines’ do Sudeste Asiático. A imprensa ainda funciona como mera seguidora de tendências, ela não almeja participar da liderança de nenhum movimento social, um equívoco imperdoável. Ela só passou a condenar a guerra quando a opinião pública já tinha sido conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas o senhor não concorda que os escândalos de Abu Ghraib e Guanánamo, envolvendo a tortura brutal de prisioneiros, chocou os americanos com uma intensidade menor do que a esperada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O problema aqui é mais grave. Muito por conta do trabalho mal-feito, incompleto, e dúbio da grande imprensa, o grande público entendeu a tortura como exceção e não praxe nas ações militares americanas em tempo de guerra. Mas a verdade é que é assim que nós tratamos nossos prisioneiros – torturando-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor escreve que o Império Americano está encontrando suas fronteiras definitivas no Oriente Médio e que não acredita em um aumento de influência de Washington na América Latina. O que o faz pensar desta maneira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A supremacia dos EUA na América Latina está próxima de seu fim. Ela ainda sobrevive em situações específicas, como na Colômbia, mas as correntes de independência nunca foram tão fortes. Pense na Venezuela e na Bolívia. Eu não vejo grande descontentamento popular com o Chávez. Aliás, ele parece ser muito querido na Venezuela. Ainda é muito cedo para falarmos sobre Morales, mas há uma semelhança importante: o fato de que o povo acredita ter tomado as rédeas do Estado. Eu acho que esta é a tendência que deve prevalecer na America Latina por um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor também escreve que os ataques às torres gêmeas, em 2001, marcam o início da dissolução do último império contemporâneo. Mas intelectuais, como o professor Samuel Huntington, enxergam um cenário distinto, com o atentado a Nova Iorque inaugurando a ‘batalha das civilizações’, opondo o mundo cristão a estados islâmicos fundamentalistas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ora, mas o Huntington tem uma visão absolutamente romântica do mundo ocidental! A história dos países que criaram a chamada ‘civilização ocidental’ é uma história de escravidão, imperialismo e capitalismo selvagem, não a do liberalismo que ele tanto valoriza. Existem elementos progressistas e profundamente atrasados nas duas ‘civilizações’. O que é mais perigoso na tese de Huntington é que ela coloca um grupo de pessoas que professa determinada fé contra outros de uma forma absolutamente irracional. É uma tese irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor tinha 20 anos quando lutou na Segunda Guerra. O senhor acredita que os EUA, um dia, serão um país pacifista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sejamos francos: os EUA vive em estado contínuo de guerra desde Pearl Harbor. E meu país é o mais agressivo, o mais beligerante do globo. Eu acredito piamente que um dia os americanos vão se dar conta da imoralidade e da futilidade da guerra, mas seria de uma tolice imensa eu arriscar dizer quando isso vai acontecer. Aos 83 anos, sou consciente de que o futuro é imprevisível, que ele depende exclusivamente da ação do homem, e que nós ainda não mobilizamos esta energia para criar um mundo melhor.&lt;br /&gt;(Eduardo Graça, de Nova York, para o Valor)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-457403744860271576?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/457403744860271576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=457403744860271576&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/457403744860271576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/457403744860271576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/06/entrevista-com-howard-zinn-no-jornal.html' title='Entrevista com Howard Zinn no jornal Valor Econômico'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SETFJz2G2sI/AAAAAAAAAPY/wHs1oK8kqbk/s72-c/materia_valor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-2433946137823829805</id><published>2008-05-31T09:18:00.000-07:00</published><updated>2008-12-26T05:12:57.755-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Howard Zinn no Le Monde Diplomatique Brasil</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2005-08,a1141"&gt;Na página oficial brasileira do jornal francês Le Monde Diplomatique está disponivel quatro artigos do Howard Zinn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2005-08,a1141"&gt;O que estamos fazendo no Iraque?&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Após 27 meses de ocupação americana e da escalada de violência e mortes que acarreta por todos os lados, a guerra inventada por Bush segue vitimando também os norte-americanos, sua juventude, suas liberdades e seu modo de viver&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;1º de agosto de 2005&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2004-04,a902"&gt;A derradeira traição&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mandar rapazes e moças para o outro lado do mundo, equipados com as armas mais terríveis que existem ? e que, no entanto, não os põem a salvo de ações de guerrilheiros que os irão deixar cegos ou inválidos ? é a última traição do governo americano para com seu povo e sua juventude&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;1º de abril de 2004&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2004-01,a825"&gt;Pelos breves momentos de solidariedade&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;As omissões da história oficial norte-americana oferecem uma imagem distorcida do passado e induzem ao erro em relação ao presente. O futuro se encontra mais em alguns episódios de resistência que foram enterrados do que nos séculos de guerras tão solidamente presentes em nossas memórias&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;1º de janeiro de 2004&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/2002-09,a429"&gt;“Barões ladrões”, há cem anos...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O historiador norte-americano Howard Zinn lembra, num livro recém-lançado na França, o final do século XIX, marcado, em seu país, pela ditadura econômica e social dos “barões ladrões”. A importância da obra tornou-se ainda maior com os novos escândalos financeiros sacodem os EUA. O Diplô reproduz algumas páginas&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;1º de setembro de 2002&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-2433946137823829805?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/2433946137823829805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=2433946137823829805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2433946137823829805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/2433946137823829805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/05/howard-zinn-no-le-monde-diplomatique.html' title='Howard Zinn no Le Monde Diplomatique Brasil'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-1947448907702317388</id><published>2008-05-30T13:34:00.000-07:00</published><updated>2008-05-30T13:36:03.029-07:00</updated><title type='text'>Autobiografia no Brasil</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SEBlCck1S3I/AAAAAAAAAPI/Z3uWVJOc6Ac/s1600-h/capa_peq.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SEBlCck1S3I/AAAAAAAAAPI/Z3uWVJOc6Ac/s200/capa_peq.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206272261945117554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A pequena editora curitibana L-Dopa publicações lançou o livro “&lt;a href="http://www.l-dopa.com.br/catalogo.htm"&gt;Você não pode ser neutro num trem em movimento”&lt;/a&gt; do Howard Zinn. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Vale a pena conferir a história de vida do professor de história e suas experiências de vida crescendo nos bairros pobres dos E.U.A, na segunda guerra mundial, na luta pelos direitos civis, contra as guerras do Vietnam e política externa dos governos dos E.U.A. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;São experiências de esperanças de no futuro realizarmos uma sociedade justa. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-1947448907702317388?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/1947448907702317388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=1947448907702317388&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/1947448907702317388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/1947448907702317388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/05/autobiografia-no-brasil.html' title='Autobiografia no Brasil'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_tCK0skzjrIA/SEBlCck1S3I/AAAAAAAAAPI/Z3uWVJOc6Ac/s72-c/capa_peq.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2808868244228151908.post-7218935700442772250</id><published>2008-05-30T13:27:00.000-07:00</published><updated>2008-05-30T13:28:01.619-07:00</updated><title type='text'>No ar.</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O Blog buscará reunir os artigos, as entrevistas, os vídeos e áudios publicados na internet. Como diz o título estaremos disponibilizando os conteúdos em português, principalmente porque Howard Zinn é desconhecido no Brasil e somente autobiografia foi lançada por aqui.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2808868244228151908-7218935700442772250?l=howardzinnemportugues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/feeds/7218935700442772250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2808868244228151908&amp;postID=7218935700442772250&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7218935700442772250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2808868244228151908/posts/default/7218935700442772250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://howardzinnemportugues.blogspot.com/2008/05/no-ar.html' title='No ar.'/><author><name>Maikon K</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06657270142424183493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='6' src='http://2.bp.blogspot.com/_tCK0skzjrIA/SfncJJ6yuuI/AAAAAAAAA-c/CMgcovT9GUI/S220/banner_01_nolove.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
